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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 179

Capítulo 179 — O Abismo da Memória

Tristan Blackwood

A minha mulher finalmente estava voltando para casa. Eu estava feliz pra caralho por tê-la ao meu lado, longe das paredes frias daquele hospital, mas ainda existia algo pesado e incômodo martelando no fundo do meu peito.

A Aubrey não se lembrava de absolutamente nada sobre o nosso passado, e o Doutor Newton tinha sido categórico na orientação médica quando enfatizou que ela não podia, sob hipótese alguma, tentar forçar a mente a resgatar lembranças de antes do acidente.

Forçar o cérebro em fase de cicatrização poderia piorar drasticamente o seu quadro neurológico e aumentar o sangramento. Por isso, antes mesmo de cruzarmos os portões da propriedade, eu fiz questão de fazer a minha mulher me prometer que deixaria as coisas acontecerem de forma natural.

Só que, assim que descemos do carro em frente à mansão, os acontecimentos simplesmente fugiram de todo e qualquer controle.

A Emma acabou se abatendo de forma compreensível ao perceber a amnésia da amiga, e aquela reação abalou profundamente a estrutura emocional da Bree. E na hora de encarar a Leah, tudo desandou de vez: minha mulher desabou em lágrimas, entrou em um pânico visível e, em um impulso de puro desespero, acabou me afastando do seu corpo.

Foi então que Emma agiu rápido, tomando a frente da situação com uma firmeza admirável.

— Só respira, meu amor… Só respira devagar. Eu estou bem aqui com você… E está tudo perfeitamente bem.

Coloquei a minha mão espalmada nas costas da minha namorada para lhe dar sustentação, mas ela nem sequer se virou na minha direção. Manteve os seus intensos olhos verdes cravados nos da Emma.

E então, em meio aos soluços descontrolados, ao choro convulsivo e à dor de não saber quem era, o apelido simplesmente escapou dos seus lábios:

— Em…

O meu mundo parou de girar no mesmo segundo. O ar sumiu dos meus pulmões e as minhas pernas fraquejaram. Emma desabou em um choro profundo de alívio e as outras meninas se aproximaram no mesmo instante, chocadas.

— O que… O que foi que você acabou de dizer, Bree? — a minha voz saiu embargada, rasgando a minha própria garganta.

Aubrey olhou na minha direção, o rosto banhado em lágrimas e o peito subindo e descendo freneticamente.

— Eu não sei, Stan… Saiu da minha boca sem que eu pudesse controlar.

Emma secou as lágrimas que escorriam pelas bochechas, abrindo um sorriso emocionado para ela enquanto a voz tremia.

— É assim que você me chama desde o primeiro dia, Bree… Em.

A minha mulher esboçou um sorriso fraco e as duas se abraçaram com força ali mesmo. Emma chorava copiosamente e a Aubrey fazia exatamente o mesmo, acolhida nos braços da melhor amiga.

Me aproximei devagar e passei a mão com carinho pelos cabelos negros dela.

— Meu amor… Lembra do que o doutor Newton nos orientou no hospital? O que você acha de nós deixarmos os abraços e as conversas longas para mais tarde e você subir agora para descansar um pouco?

Ela se separou devagar do abraço da Emma e me encarou com o olhar marejado.

— Eu só queria muito conseguir conhecer todo mundo antes de me trancar no quarto, Tristan… — a voz dela saiu pequena, quebrada.

Segurei o seu rosto delicado entre as minhas duas mãos, encarando seus olhos.

— Eu sei perfeitamente disso, minha vida… Mas eu tenho um pavor enorme de que todas essas emoções fortes de uma vez só sejam demais para o seu corpo aguentar.

Aubrey soltou o ar pelos lábios com uma evidente tristeza, mas acabou concordando com um aceno de cabeça. Ela virou o corpo na direção da Leah, que continuava parada a poucos passos, chorando copiosamente de emoção, e fez a pergunta que travou o ar de todo mundo.

— Eu posso… Posso só perguntar uma coisa antes? — Aubrey começou, encarando a governanta com uma intensidade pura. — A senhora é… A senhora por acaso é a minha mãe? Eu sinto algo tão forte e quentinho aqui dentro do meu peito ao te olhar… Como se nós fossemos… Família.

Um silêncio pesado e fúnebre caiu sobre a entrada da mansão. Aquele era exatamente o momento crucial em que ela descobriria que a sua mãe já não estava mais entre nós, e eu não fazia a menor ideia de como o seu cérebro fragilizado reagiria a um baque desses.

Leah deu um passo firme à frente, aproximou a mão com um cuidado infinito e descansou a palma na bochecha da minha mulher.

— Nós somos família sim, minha menina… Você é o meu próprio sangue e eu tenho um orgulho gigante de você. Mas eu não sou a sua mãe…

O brilho de expectativa no fundo dos olhos da Aubrey morreu no mesmo milésimo de segundo.

— Não?… Eu realmente pensei que… — ela fez uma pausa dolorosa, engolindo em seco, antes de continuar. — Então onde é que ela está? A minha mãe? Ela mora nesta casa com a gente também?

Leah virou os olhos na minha direção, me pedindo uma autorização muda sobre o quanto poderia ou não revelar naquele estado de vulnerabilidade. Passei os meus braços ao redor da cintura da Aubrey por trás, colando o seu corpo macio contra o meu peito, e sussurrei bem ao pé da sua orelha.

— Amor… A Leah é a sua tia, a irmã de sangue da sua mãe. Mas lembra do que você me prometeu no carro? — ela virou o meu rosto de leve por cima do ombro e depositei um beijo carinhoso na ponta do seu nariz. — Com o tempo e no momento certo nós vamos te responder absolutamente tudo sobre a sua vida, tudo bem?

Ela assentiu com a cabeça em um gesto triste, e aquela resignação cortou a minha alma ao meio.

— Vamos entrar para a sala então? A Breezinha precisa descansar urgentemente. — Taylor interveio com sabedoria, chamando a atenção do grupo e quebrando o clima denso.

Assentimos em silêncio e começamos a caminhar juntos na direção da imensa porta de madeira da entrada principal. No entanto, antes que pudéssemos cruzar o portal, a folha se abriu com um estalo e dois mini furacões vieram correndo na direção da Aubrey.

— BREEZINHAAAA!! — Ellie foi a primeira a gritar em pura empolgação, praticamente se jogando nos braços da minha mulher.

Aubrey, em um reflexo rápido, aparou a garotinha no ar, surpresa.

— Oi… — ela disse, visivelmente sem graça por não reconhecer a criança.

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