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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 19

Capítulo 19 - Perdendo o Controle

Damien Knight

Eu sabia que a investigação do John levaria alguns dias, mas confesso que minha vontade de confrontá-la no caminho de volta foi grande. Eu me controlei; a imagem dela naquele chão, destruída daquele jeito, ainda estava na minha mente.

“Por que não fui eu quem morri?”

As palavras ardiam na minha mente e causavam um desconforto no meu peito. Tristan tem razão: a vida dela foi além do difícil. Ela carregava um peso, um sentimento que eu não identificava qual era. Sei que perder não é fácil. Já enterrei meus pais. Minha esposa. Mas a dor de Emma vai além disso. “Por que não fui eu?”. Que sentimento uma pessoa carrega, ou melhor, que dor é essa que uma garota de apenas vinte e dois anos tem, a ponto de desejar morrer? Desejar trocar de lugar com os pais? Abrir mão de tudo o que ela ainda pode viver?

Chegamos em casa e a chamei para meu escritório. Queria mostrar para ela que eu não era um monstro insensível, mesmo com as minhas desconfianças e dúvidas. Eu a entendia. Eu também sofria. Foi aí que a pergunta saiu:

— Por que você estava desejando estar no lugar dos seus pais hoje?

— Porque eu estou cansada… — A resposta dela foi tão sincera que mexeu comigo. Mas eu não disse nada, só lhe dei um olhar que dizia “pode falar”, e ela falou.

E cada palavra dela, cada situação descrita, cada dor sentida, cada peso carregado… foi um golpe em mim. Eu senti a dor dessa garota em cada soluço. E isso estava me destruindo por dentro. Mas foi quando ela gritou:

— Ninguém nem sequer nunca me deu a droga de um ABRAÇO!

Foi a gota d’água. Levantei-me e fui até ela. Emma estava no chão e eu a puxei para mim, fazendo-a se aninhar em meu colo. Nesse momento, que se dane o protocolo patrão e funcionária. Essa menina estava sofrendo, e estava me doendo para caralho vê-la assim. Pensei em inúmeras coisas para dizer, mas a única coisa que saiu foi:

— Sinto muito… — Usei as mesmas palavras que ela me disse minutos atrás. E, por Deus, eu sentia de verdade. — Sinto muito por carregar essa dor sozinha. — A apertei mais contra meu peito. — Sinto muito por ter sido um cretino com você e, ao invés de ler a sua dor, ter me aproveitado dela. — Me separei dela e segurei seu rosto entre as mãos, passando o polegar por sua pele na intenção de secar suas lágrimas. — E sinto muito por ter demorado dois anos para que alguém te abraçasse.

Ficamos parados, nos encarando, sem dizer uma única palavra.

— Obrigada… — ela foi a primeira a falar.

Tentei sorrir. Sei que falhei; eu sempre falhava nisso.

— Disponha… — desta vez foi ela quem tentou sorrir e, para ser sincero, ela era melhor do que eu nisso.

Ela saiu do meu colo com cuidado. Agora, o olhar dela não era mais de quem estava ferida, e sim envergonhada.

— Me desculpe por explodir assim.

— Está tudo bem. — Encostei-me na minha mesa e a encarei.

Voltamos a ficar em silêncio, até que eu falei:

— Sei que vai parecer ridícula a minha pergunta, mas por que aguentou tudo isso sozinha por tanto tempo? Pelo que me disse naquele dia, você não tinha ninguém além dos seus pais, mas… uma ajuda. Governo. Autoridades. Algo assim.

Emma me encarou. Ela não levou a mal a minha pergunta e me respondeu com a voz ainda arranhado do choro:

— Eu procurei. Assim que perdemos a casa. Meu pai tinha contas médicas altas, as dívidas já estavam nos mordendo e, quando ele se foi, elas simplesmente nos engoliram. Mas… — ela suspirou antes de continuar — o Conselho Tutelar me sugeriu abrir mão da minha irmã. Essa foi a ajuda deles. Deixá-la em uma casa de apoio e, quando eu estivesse pronta, eu a buscava.

— Isso não é ajuda — falei, irritado.

— Pensamos iguais nisso, senhor Knight.

Capítulo 19 - Perdendo o Controle 1

Capítulo 19 - Perdendo o Controle 2

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