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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 18

​Capítulo 18 — Eu Tive

Emma Anderson

Eu não consegui controlar. A dor. A culpa. A solidão. E a certeza de que nada vai mudar. Tudo isso me fez desabar. E logo ele, Damien Knight, apareceu para me consolar. Ele não disse muita coisa, somente: “Porque você ainda tem uma vida linda”.

Eu queria acreditar nisso. De verdade. Mas tudo o que envolve a beleza da vida, principalmente a felicidade, parece distante demais para mim. Luca se aproximou, nós dois nos separamos, Ambrose e Tristan apareceram e, então, o meu maior segredo e meu medo mais sombrio quase foram revelados.

“Seus pais morreram no mesmo mês que a Clara?”

A pergunta do Damien me gelou até a espinha. Eu não precisava de um espelho para saber, com toda a certeza, que a cor se esvaiu do meu rosto. Mas, com um timing perfeito, Ambrose me tirou daquela situação e Tristan nos trouxe de volta à realidade.

Segui para o carro com Luca em meu colo e Ambrose ao meu lado. Damien e Tristan ficaram para trás, com meu chefe encarando a lápide dos meus pais. Hoje, eu agradeço a Deus pela sugestão do agente funerário em colocar a foto dos dois juntos e somente o mês e o ano. Porque se estivesse o dia…

— Ele te disse alguma coisa? Se ele disse, releve. — Ambrose quebrou o silêncio.

— O senhor Knight? — perguntei, confusa.

— Sim. Eu a vi chorando, e Dam… bem, ele não leva muito jeito com pessoas. Na verdade, nem com animais — ele disse com um sorriso que me fez sorrir junto.

— Senhor Blair… — comecei.

— Ambrose — ele me corrigiu.

— Ambrose — falei, e ele pareceu satisfeito. — Eu já estava chorando quando ele chegou. Na verdade, o senhor Knight foi gentil.

Chegamos aos carros e encostamos, aguardando Damien e Tristan.

— Fico feliz em ouvir isso. Meu primo não sabe lidar muito com essas coisas de “sentimento”, mas ele é uma boa pessoa.

— Eu sei… — respondi com sinceridade.

Eu achava o Damien um babaca na maioria das vezes e sei que ele usou a minha dor para conseguir o que queria. Falando em um termo claro, ele foi egoísta. Só que ele já tinha pagado pelo tratamento da Ellie no hospital; não precisava ir além disso, mas ele foi. Damien contratou uma enfermeira, montou um quarto hospitalar em sua casa, paga pelos melhores médicos e remédios, e ainda pergunta todos os dias para a Savannah: “Como está a menina?”.

Um homem com um coração desses… não pode ser considerado ruim.

Tristan apareceu e Ambrose perguntou do Damien; ele avisou que o amigo estava ao telefone. Minutos depois, ele chegou.

— Vamos.

Ele disse em seu tom habitual. No retorno para a mansão, ele não me mandou ir no banco ao seu lado; permitiu que eu fosse atrás com o Luca. Antes de irmos embora, os rapazes mandaram Damien não se esquecer da festa de noivado do Tristan em um tal de Donjon. Eu parabenizei o homem pelo noivado e, depois, seguimos viagem.

O caminho de volta foi silencioso, mas tinha algo no ar. Minha mente trabalhava nas entrelinhas, tentando imaginar até onde ia a desconfiança dele. Até onde ele tinha me ouvido? Será que ele escutou tudo o que falei? Não ousei tocar no assunto, mas esperava que ele o fizesse. Mas ele não fez.

Chegamos à mansão. Tirei Luca da cadeirinha e o menino correu para dentro. Luca estava desenvolvendo uma boa relação com Ellie, e acho que essas horas longe o fizeram sentir falta dela. Damien e eu entramos em silêncio. Assim que chegamos ao pé da escada, Luca já estava no topo. Meu chefe olhou para mim e disse:

— Deixe Luca com a Savannah e Ellie. Vou mandar Leah dar uma olhada nele também. Você vem comigo ao escritório.

Senti meu coração bater tão forte que acho que Damien conseguia ouvir. Ele chamou Leah, deu a ordem e, depois, mandou que eu o seguisse. A cada passo que eu dava, minha mente projetava uma rota de fuga. Uma desculpa. Qualquer coisa para sair daquela situação. A porta se abriu e ele fez sinal para que eu entrasse. Passei pela porta e ele veio logo em seguida.

— Eu também sinto — ele falou, sincero.

Ficamos nos olhando por alguns minutos sem dizer uma única palavra. Será que ele já sabe e está só jogando comigo? Será que ele só está esperando que eu confesse para ele finalmente me escorraçar daqui e destruir o resto de vida miserável que eu tenho?

— Por que você estava desejando estar no lugar dos seus pais hoje?

Damien não só quebrou o silêncio como jogou uma bomba em meu colo.

— Porque eu estou cansada… — respondi, sincera.

Ele só me olhou, me dando liberdade para continuar ou parar. Eu optei por continuar.

— Meu pai estava doente antes do acidente. Eu abandonei a faculdade, a minha juventude, a minha vida para viver em função deles. — Senti as lágrimas escorrerem pelo meu rosto. — Eu não estou reclamando, sabe? — Ele me deu um aceno concordando. — Só estou dizendo que as coisas já não estavam fáceis. E, depois da morte deles, eu não pude ser uma filha que vivia um luto. Eu tive que me levantar. Tive que ser forte e enfrentar tudo o que estava vindo em nossa direção.

Senti minha voz se exaltar levemente, mas continuei:

— Eu tive que, aos vinte anos, cuidar da minha irmã de quatro. Tive que ver nossas coisas serem levadas. Minha casa ser tomada. Eu tive que trabalhar dia e noite em lugares que… Deus, eu não passaria nem perto. — Eu me levantei e comecei a andar de um lado para o outro. — Tive que ficar um dia inteiro sem comer para que minha irmã comesse. Tive que pedir para minha irmã de cinco anos dormir para que a fome passasse. Contar moedas e, mesmo assim, não conseguir comprar o remédio de que ela precisava.

Eu estava irritada, furiosa. Era como se eu tivesse guardado cada palavra dentro de mim e agora estivesse conseguindo colocá-las para fora.

— E ninguém me perguntou como eu me sentia. Nunca ninguém me ofereceu ajuda. Ninguém nem sequer nunca me deu a droga de um ABRAÇO! — eu gritei e, depois disso, desabei.

E, pela segunda vez no dia de hoje… foi ele. Foi Damien Knight quem me consolou.

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