Capítulo 190 — Sob o Domínio do Pavor
Damien Knight
Não vou mentir para mim mesmo: ver a minha mulher voar no pescoço da Verônica Ortega e arrastar a cara daquela cobra contra o balcão de mármore do Donjon foi uma das cenas mais lavadoras de alma e satisfatórias que testemunhei nos últimos anos.
A Verônica merecia aquilo e muito mais. Só que esse papel de colocar aquela cretina no devido lugar não cabia à Emma. Cabia a mim. Mas minha namorada nem mesmo me deu essa chance.
Mas a minha irritação não era por isso, não era pela surra merecida que ela deu a Verônica e sim por saber quem é a Verônica. As últimas descobertas levantadas pelo Vicent e pela equipe do Dominic no FBI só confirmavam o quanto a Verônica era perigosa, fria e desprovida de qualquer escrúpulo, e agora ela era investigada inclusive pelo homicídio da Clara.
Em alguns momentos sei bem que a melhor estratégia em um campo de batalha é agir com frieza. O ideal para nós nesse momento é bater o mínimo possível de frente com a cretina, evitando qualquer faísca que a fizesse agir no desespero.
E a atitude impulsiva da Emma, por mais compreensível que fosse diante do ciúme e das provocações, só iria instigar a raiva e a perversidade da Verônica ainda mais.
Na volta para casa, a tensão dentro do carro era quase palpável. Eu continuava profundamente irritado com a falta de cautela dela, e a Emma retribuía o silêncio com o mesmo orgulho e a mesma raiva de sempre.
No entanto, no meio daquela discussão velada na estrada, algo na expressão do rosto dela começou a me incomodar. Ela parecia distante, abatida, mantendo a testa colada ao vidro gelado da janela. Perguntei mais de uma vez o que ela estava sentindo, mas a resposta veio rápida e ríspida, me mandando apenas dirigir.
E foi exatamente o que fiz, acelerando pela rodovia rumo à nossa casa. Nossa… mesmo em pensamento essa frase “nossa casa” sempre me aquecia por dentro.
Mas quando estacionei o veículo na garagem e descemos para cruzar a entrada, o meu alarme interno disparou no mesmo segundo. Acompanhei os passos lentos da Emma até a escadaria da varanda. Ela subiu o primeiro degrau com hesitação. No segundo degrau, vi a mão dela subir devagar para pressionar a cabeça, o corpo oscilando de leve, sem qualquer estabilidade.
— Você está com tontura de novo, não é? Exatamente igual àquela tontura que você teve ontem à noite… — perguntei, encurtando a distância e segurando a sua cintura com cuidado por trás.
Ela nem sequer conseguiu formular uma frase inteira. Virou o rosto na minha direção, o olhar completamente nublado e sem foco, e sussurrou fraquinho.
— Amor… Acho que vou…
E a voz dela sumiu. As pernas da Emma dobraram de uma vez, o seu corpo perdeu toda a sustentação e ela desabou desmaiada nos meus braços antes mesmo de alcançar o último degrau da entrada.
— Emma!! — chamei em puro desespero mas não tive nenhuma resposta.
O pavor congelou o meu sangue instantaneamente. Dobrei o meu corpo sobre o dela, passei os braços com força por baixo das suas pernas e das suas costas e a ergui no colo num único movimento desesperado.
Subi os degraus restantes correndo, empurrei a porta de madeira com o ombro e entrei no hall como um furacão.
— Leah!! Pelo amor de Deus, Leah!! — esbravejei, a minha voz falhando pelo nó de pânico que se formou na minha garganta.
Corri para a sala de estar principal e depositei o corpo da Emma com o maior cuidado do mundo sobre o estofado macio do sofá de couro. Me sentei sobre os joelhos no chão, bem ao lado dela, e segurei o seu rosto pálido entre as minhas mãos trêmulas.
Leah surgiu no portal da sala a passos apressados, levando as mãos ao peito ao dar de cara com a cena.
— Meu Deus do céu, senhor Damien! O que foi que aconteceu com a Emma?!
— Ela desmaiou, Leah! Ela apagou totalmente nos meus braços lá na escada da entrada! — falei de forma descontrolada, deixando beijos desesperados na testa gelada da minha mulher. — Por favor, Leah! Liga agora mesmo para o celular do Elijah! Fala para ele vir para a mansão imediatamente! Por favor!!
— Estou ligando agora mesmo, senhor! Calma, por favor! Talvez não seja nada. — a governanta respondeu, puxando o aparelho do bolso e discando com as mãos trêmulas enquanto se afastava.
Me inclinei sobre a Emma, acariciando as suas bochechas que pareciam frias demais para o meu gosto.
— Amor… Por favor, fala comigo. Abre esses olhos, minha vida… — implorei, o meu peito queimando de aflição ao ver os cílios dela completamente imóveis.


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