Capítulo 191 — O Peso de uma Suspeita
Damien Knight
A entrada de emergência do hospital central de Manhattan parecia um turbilhão de luzes brancas e passos apressados. Mas nada ao meu redor importava além da mulher que eu carregava nos braços.
Cruzei as portas automáticas com passos largos, sentindo o peito descer e subir num ritmo descontrolado, a respiração curta pelo desespero acumulado desde o momento em que a Emma apagou nos degraus da mansão.
— Eu sou Damien Knight! — anunciei com firmeza para a atendente na recepção, a voz grave ecoando pelo hall gélido. — Estou trazendo a Emma Anderson. O doutor Elijah e a doutora Esther Cross nos aguardam.
Antes mesmo que a recepcionista pudesse responder, uma enfermeira de jaleco azul marinho se adiantou de uma das salas internas, acenando para a equipe de apoio.
— Senhor Knight! A doutora Esther já nos avisou da sua chegada. Tragam a maca agora! — a enfermeira ordenou.
Acomodei a Emma com o maior cuidado do mundo sobre o colchão estofado da maca assim que os socorristas a posicionaram ao meu lado. Não soltei a mão dela nem por um segundo. Acompanhei a equipe a passos rápidos pelo corredor de acesso privativo até um dos boxes de atendimento individualizados da emergência.
A enfermeira da triagem começou o protocolo de imediato. Prendeu a braçadeira do esfigmomanômetro no braço fino da Emma, colocou o oxímetro no seu indicador e fixou os eletrodos de monitoramento contínuo no seu peito.
O bipe cadenciado do aparelho começou a ressoar no espaço, marcando uma frequência cardíaca acelerada e uma pressão arterial visivelmente abaixo dos níveis normais.
Segundos depois, a cortina do box foi afastada e uma mulher de jaleco branco e postura impecável entrou no ambiente.
— Boa noite. Eu sou a doutora Violet Roy — ela se apresentou com um sorriso acolhedor, estendendo a mão para mim. — Vim examinar a senhorita Anderson a pedido direto dos irmãos Cross. O Elijah e a Esther estão finalizando um procedimento cirúrgico de urgência no centro cirúrgico e me pediram para dar todo o suporte inicial até que eles possam descer.
— Obrigado, doutora Roy — agradeci, apertando a mão dela enquanto o ar de alívio finalmente começava a circular pelos meus pulmões. — Ela desmaiou repentinamente na entrada de casa.
A doutora Roy se aproximou do leito. A Emma tinha acabado de abrir os olhos devagar. O olhar dela ainda transparecia fraqueza e uma desorientação nítida por conta da hipotensão drástica, mas ela já estava consciente.
A médica usou a lanterna clínica para checar a reação das suas pupilas, escutou o seu tórax com o estetoscópio e começou a fazer uma série de perguntas objetivas: se sentia dores locais, se havia batido a cabeça na queda ou se lembrava do momento em que perdeu os sentidos. Emma respondeu a cada uma das questões com a voz fraca e pausada.
A doutora Roy anotou os dados na prancha e, mantendo o semblante calmo e profissional, olhou diretamente para a minha mulher com um sorriso sutil no rosto.
— Senhorita Anderson, me diga uma coisa: qual foi a data exata da sua última menstruação?
Emma piscou algumas vezes seguidas, visivelmente confusa com a pergunta. Ela virou a cabeça devagar no travesseiro, olhou para mim em busca de algum socorro imaginário e soltou com a sua costumeira espontaneidade.
— Misericórdia, doutora… Eu nem me lembro!
A doutora Roy soltou uma risada baixa e terna diante da reação sincera da minha mulher, enquanto eu sentia o meu próprio coração dar um salto violento dentro do peito, batendo descontrolado na minha garganta com essa informação.
— Não tem problema algum, senhorita Anderson. — a médica explicou, apontando para a tela do monitor onde os gráficos da pressão arterial continuavam registrando índices extremamente baixos. — Não temos como determinar a causa exata desse desmaio repentino e dessa pressão tão baixa sem realizarmos uma bateria completa de exames laboratoriais. Vou solicitá-los agora mesmo com caráter de urgência. Uma enfermeira virá em breve para fazer a coleta de sangue e, assim que os resultados ficarem prontos, eu ou um dos irmãos Cross viremos conversar com vocês.
Emma assentiu com um movimento leve de cabeça.


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