Entrar Via

O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 195

Capítulo 195 — O Peso da Cura e da Dor

Emma Anderson

— Se não se importa Emma, eu prefiro que não.

Parei na porta no mesmo segundo, completamente sem reação. Aquele tom de voz distante foi como um tapa seco na minha cara. Tentei dar um passo à frente, abrindo a boca para falar:

— Bree, eu só queria.

Antes que eu pudesse terminar a frase, Aubrey levantou-se da cama num salto. As mãos dela tremiam e o rosto dela transparecia uma dor tão crua que parecia física.

— Eu quero ficar sozinha, Emma! Por favor! — ela falou, a voz falhando pelo choro preso na garganta. — Eu não consigo… Eu simplesmente não tenho forças dentro de mim para comemorar nada com você agora, sendo que eu acabei de me lembrar que perdi o meu filho! Tudo o que passa pela minha cabeça neste exato momento é como a vida é terrivelmente injusta com as pessoas.

A minha garganta travou de vez. Eu via a tempestade nos olhos da minha melhor amiga, mas não conseguia emitir um único som para confortá-la.

— Então, para que eu não seja grossa com você… — ela continuou, dando um passo para trás, encarando-me com uma dor desesperada. — …Para que eu não te magoe dizendo mais coisas do que já disse, é muito melhor você sair daqui agora. Porque, além de não me lembrar de praticamente nada sobre a nossa história, eu estou prestes a desenvolver um sentimento por você que eu realmente não gostaria de ter.

Aquelas palavras entraram no meu peito como lâminas afiadas, cortando o meu coração ao meio. Recuei devagar, puxando a porta e fechando-a em silêncio.

Assim que a madeira se ajustou ao batente e eu me vi sozinha no corredor escuro, as minhas pernas simplesmente perderam toda a sustentação. Dei dois passos em falso e desabei no chão de madeira.

Puxei os meus joelhos contra o peito, encolhendo-me inteira, e o choro explodiu da minha garganta de forma visceral, violenta e descontrolada.

Era um choro alto, rasgado, tão dolorido que o meu próprio corpo se contorcia. Eu levei as mãos até a minha barriga, sentindo o calor do meu ventre, e um sentimento avassalador de culpa me sufocou.

Tudo o que eu mais queria no mundo era poder dividir a minha maior alegria com uma das pessoas mais importantes da minha vida. Mas eu entendia o lado dela. Não a culpava de forma alguma por reagir assim; a culpa era inteiramente minha por ter sido tão insensível.

Eu chorei sem conseguir conter um único soluço, a cabeça enterrada entre os joelhos, o peito queimando em agonia.

Ouvi o som de passos apressados subindo a escadaria e se aproximando pelo corredor, mas nem sequer tive forças para erguer a cabeça. Só me dei conta de quem era quando senti dois braços fortes e conhecidos me envolverem com uma firmeza desesperada, içando o meu corpo do chão.

Damien me pegou no colo num único movimento, trazendo o meu rosto para a curva do seu pescoço.

— Amor… Pelo amor de Deus, o que aconteceu?! — ele perguntou, a voz embargada por um pavor gigante.

Stan, que subiu os degraus ao lado dele, parou ao nosso lado e me encarou com o olhar aflito.

— A Bree, Emma? O que aconteceu entre vocês?!

Eu não conseguia soltar as palavras direito de tanto soluçar. Encostei o meu rosto no ombro do Damien e murmurei com a voz totalmente destruída.

— Ela me odeia, Stan… A minha amiga me odeia de verdade…

Stan arregalou os olhos, a culpa estampando o seu rosto no mesmo segundo, e correu imediatamente na direção do quarto para encontrar a mulher.

Damien me apertou com mais força contra o seu peito, dando dois passos na direção do nosso quarto enquanto deixava beijos desesperados na minha bochecha molhada de lágrimas.

— Amor, fica tranquila, por favor! Tenta se acalmar, pensa nos nossos bebês! Você acabou de sair de um leito de hospital!

Ele tentava desesperadamente me trazer de volta para a realidade, mas a única realidade que existia dentro da minha mente naquele momento era o peso insuportável da culpa que eu estava carregando.

— A Bree está coberta de razão, Dam… — sussurrei entre os soluços que cortavam a minha respiração. — O mundo é uma desgraça de injusto… E eu sinto que estou colaborando diretamente com essa injustiça!

Damien travou os passos no meio do corredor, apertando o meu corpo ainda mais contra o seu peito, o rosto tenso.

— Emma, do que diabos você está falando?!

Eu me agarrei ao colarinho da camisa dele, o choro rasgando o meu peito sem trégua.

— Os meus pais se foram naquele acidente horrível… A Clara se foi também e eu fiquei! Eu passei dois anos inteiros carregando o peso esmagador de ter sobrevivido quando eles morreram! E agora… Agora o bebê da Bree se foi de uma forma cruel, e eu… Eu vou ter que carregar o peso de saber que os meus dois bebês estão vivos aqui dentro! Não é justo com eles eu ter saído viva naquele dia e não ter conseguido salvar a nenhum deles … E não é nada justo com a Bree eu ser feliz agora! Eu não mereço nada disso, Damien… Eu não mereço essa felicidade!

No mesmo milésimo de segundo em que essas palavras saíram da minha boca, ouvi um rosnado baixo, grave e gutural sair do fundo da garganta do Damien.

Ele caminhou a passos largos e decididos até a porta do nosso quarto, empurrou a madeira com o pé, entrou no ambiente e fechou a folha com um baque seco atrás de nós.

​Capítulo 195 — O Peso da Cura e da Dor 1

​Capítulo 195 — O Peso da Cura e da Dor 2

Verify captcha to read the content.VERIFYCAPTCHA_LABEL

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar