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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 196

Capítulo 196 — O Ruído do Silêncio

Tristan Blackwood

Eu deveria ter subido aquela escadaria no mesmo instante em que vi os olhos dela.

A minha intuição gritava isso no fundo da alma desde o momento em que a Aubrey se levantou do degrau com aquele olhar perdido e sumiu pelo corredor do segundo andar. Mas eu cedi ao pedido da Emma.

Cedi porque achei, na minha própria ingenuidade, que uma conversa entre as duas, entre duas mulheres que sempre foram melhores amigas e porto seguro uma da outra, poderia trazer algum tipo de conforto que eu, no meio do meu próprio desespero e da minha limitação masculina, talvez não soubesse dar.

Foi o maior, o mais amargo e o mais imperdoável erro da minha vida.

No instante em que o choro dilacerante da Emma ecoou do andar de cima, atingindo a todos nós no pé da escadaria como um golpe físico no peito, percebi de imediato o tamanho da minha falha.

Quando cheguei ao corredor do segundo andar e vi o desespero cru estampado no rosto da Emma, com ela soluçando convulsivamente nos braços do Damien e dizendo em pânico que a Bree a odiava, eu não pensei em mais nada. O sangue fugiu do meu rosto. Corri em disparada na direção do nosso quarto, empurrei a folha de madeira maciça com força e, no segundo em que coloquei os meus pés para dentro daquele ambiente, o meu mundo ruiu por completo.

Aubrey estava jogada no chão, encolhida perto da cabeceira da cama, completamente desfeita em um choro convulsivo, rasgado e doloroso que parecia despedaçar o seu peito ao meio a cada respiração.

Me aproximei a passos lentos, sentindo o meu próprio coração bater na garganta, sufocado pelo nó de pânico que se formava no meu peito. Me ajoelhei ao lado dela no chão frio. Estendi os meus braços para puxá-la contra o meu peito, em puro silêncio, querendo apenas ser o seu abrigo no meio da tempestade.

Mas, no milésimo de segundo em que a minha pele tocou a dela, a Aubrey explodiu.

Ela começou a me bater. Seus punhos fechados atingiam o meu peito sem uma força física real, mas com uma raiva, uma dor e um desespero tão profundos que cada golpe doía infinitamente mais na minha alma do que qualquer facada.

Ela me empurrava, arranhava os meus braços e gritava do fundo do seu ser, a sua voz falhando e rasgando a sua própria garganta.

— POR QUÊ?! POR QUE EU, STAN?! POR QUE COMIGO?! — ela urrava, o rosto vermelho, banhado em uma mistura amarga de lágrimas e suor. — Eu odeio isso! Eu odeio esta casa, eu odeio essa dor, eu odeio todo mundo!! Eu odeio Deus por fazer uma atrocidade dessas comigo!! Eu odeio olhar no espelho e não conseguir me lembrar de quem eu sou, odeio me sentir um pedaço inútil de gente que só sabe chorar e estragar a vida dos outros!!

Ela desferiu mais dois murros desesperados contra o meu tórax, soluçando de uma forma tão grave e descontrolada que o ar começou a faltar brutalmente nos seus pulmões. A dor dela me dilacerava por dentro, queimando cada fibra da minha existência.

Ver a mulher que eu amo, a garota que sempre foi o sol da minha vida, destruída daquela forma, era um martírio que eu não desejava nem ao meu pior inimigo.

— Eu não quero mais ficar aqui! Eu não quero mais sentir esse vazio, Stan… Eu não quero mais estar viva se for para sentir essa tortura todos os dias!! — ela gritou em um ganido agudo e desesperado que fez o chão sumir sob os meus pés.

Tranquei o meu maxilar com força, engolindo o meu próprio choro de dor, e envolvi o corpo dela com firmeza. Imobilizei os seus braços com extremo cuidado contra o meu peito, recusando-me a soltá-la, não importava o quanto ela se debatesse ou tentasse me afastar.

​Capítulo 196 — O Ruído do Silêncio 1

​Capítulo 196 — O Ruído do Silêncio 2

​Capítulo 196 — O Ruído do Silêncio 3

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