Capítulo 197 — Minha pequena
Damien Knight
A felicidade de descobrir a gravidez da Emma ainda parecia um sonho surreal que eu me recusava a acordar. E saber que seriam dois bebês… porra, eu nem conseguia processar direito. Eu não podia negar que, assim como a Emma, fiquei profundamente apreensivo ao ouvir aquele segundo batimento cardíaco soar um pouco mais fraco no ultrassom.
Mas eu confiava plenamente na capacidade profissional do Elijah e sabia, do fundo do peito, que se houvesse qualquer risco iminente para a vida do nosso filho, ele não teria hesitado em nos alertar ali mesmo.
Meus pensamentos voaram para os meus irmãos de alma. A fraternidade sólida que carregamos desde a juventude, o carinho e o cuidado que cada um deles demonstrou com a Emma e comigo naquela sala de emergência me provavam que eu nunca estive sozinho.
Mas, ao mesmo tempo em que a alegria me inundava, doeu na alma ver a minha mulher sofrendo na noite anterior pela reação da Aubrey. Doeu ver o peso da culpa desumana que a Emma ainda insiste em carregar por ter sobrevivido àquele maldito acidente que tirou os pais dela e a Clara.
O sol já brilhava alto lá fora quando me ajeitei na cama. Decidi que não iria para a empresa hoje; liguei bem cedo para o John e pedi para ele assumir o controle dos compromissos e reuniões. Hoje o dia seria inteiramente dedicado à minha mulher e às crianças, antes de recebermos a família toda na mansão amanhã para a nossa comemoração.
A imagem do Stan e da Bree veio à minha mente. Soltei o ar devagar pelos lábios, sabendo que precisaria conversar seriamente com o meu irmão para que ele preparasse a Aubrey para a movimentação e a barulheira que tomariam conta da casa no final de semana.
Fiquei admirando a Emma dormir tranquila, aninhada em meus braços. Ela tinha soluçado praticamente a noite inteira até a exaustão finalmente vencê-la.
Quando os primeiros raios de sol tocaram a janela, os olhos azuis da minha mulher se abriram devagar. Tivemos um momento calmo, repleto de beijos quentes e carinhos sussurrados de bom dia, até que decidimos nos levantar para encarar a rotina.
No corredor do segundo andar, Emma me olhou com um sorriso suave.
— Vou no quarto pegar o Luca.
— Perfeito, amor. Eu vou ver a Ellie. — respondi, deixando um selinho nos lábios dela antes de seguir para a porta da minha pequena.
Quando girei a maçaneta e entrei no quarto, Ellie já estava sentada no meio do colchão. Estava devidamente trocada, usando um vestido leve, e balançava as perninhas no ar com o olhar distante.
— Bom dia, tio Dam!! — ela exclamou assim que me viu, abrindo os bracinhos de imediato.
Me aproximei da cama, peguei o corpo leve dela no colo e a ergui com cuidado, deixando um beijo carinhoso na sua testa.
— Bom dia, minha princesinha. Como você passou a noite?
Ellie colocou a mãozinha pequena na minha bochecha, baixando o tom de voz.
— Tive um pouco de falta de ar de madrugada… Mas agora eu já estou bem melhor.
O meu peito apertou na mesma hora. Tranquei o maxilar e perguntei em um tom mais duro do que pretendia.
— Onde está a Savannah?! Por que ela não me chamou para falar disso?
Ellie arregalou os olhos, levando a mãozinha à boca como se quisesse esconder as próprias palavras.
— A tia Sa desceu para ajudar a tia Leah no café… E foi a Ellie quem pediu para não chamar o tio Dam…
— Ellie… — comecei mas ela me interrompeu.
— É que eu ouvi a Emma chorando muito no corredor ontem à noite. — ela explicou em um tom baixinho e maduro demais para a idade dela. — Aí eu pensei que a tia Sa podia cuidar da Ellie, enquanto o tio Dam cuidava da Emma.
Apertei a minha garotinha contra o meu peito, a emoção travando a minha garganta.
— Você é a pessoinha mais incrível e abençoada que eu conheço neste mundo, sabia? Mas eu consigo cuidar das duas, então me chame da próxima vez. — murmurei.
Ella envolveu os braços finos no meu pescoço e ficamos ali abraçados por alguns minutos, até que batidas leves na porta chamaram a nossa atenção.
Emma entrou no quarto trazendo o Luca no colo, ajeitando o meu menino na sua cintura. Fechei a cara no mesmo segundo ao ver a cena.
— Emma! Agora não dá mais para você ficar carregando o Luca no colo desse jeito!
O Luca se retraiu no colo dela pelo meu tom alterado, e a Emma me fulminou com um olhar severo e irritado.
— Senhor Knight, eu te amo do fundo da alma, mas odeio profundamente esse seu jeito ríspido de falar às vezes!
Passei a mão livre pelos meus cabelos, sentindo a culpa me atingir no mesmo instante.
— Desculpa, garoto… O papai não falou por mal, eu te juro. — me aproximei a passos rápidos e peguei o Luca no outro braço, acomodando os dois pequenos comigo. — Mas é que, a partir de hoje, a Emma não pode mais ficar pegando nenhum de vocês no colo, tudo bem? Aliás, vocês dois já estão bem grandinhos para ficarem pedindo colo o tempo todo.
Ellie deitou a cabeça no meu ombro com um suspiro calmo.
— Ah, tio Dam… Mas eu gosto tanto, mas tanto do seu colo! Estar no seu colo deve ser igual a estar no colo do papai, né, Emma? O colo do meu papai devia ser quentinho assim, né?
Eu travei no lugar no mesmo milésimo de segundo. O ar pareceu fugir dos meus pulmões. Emma segurou a respiração e seus olhos azuis se encheram de lágrimas no mesmo instante.
Ela deu um passo à frente, parou ao lado da irmã e passou a mão com infinita doçura na cabeça da pequena, que continuava descansando no meu ombro.
— É sim, meu amor… — Emma respondeu com a voz embargada pelo choro contido. — O colo do nosso papai era exatamente igual ao colo do tio Dam.
Ellie sorriu satisfeita com a resposta, ergueu a cabeça de uma vez e me encarou curiosa.
— Tio Dam, por que a Emma não pode mais pegar a gente no colo?
Troquei um olhar cúmplice e sorridente com a Emma, antes de encarar as duas crianças nos meus braços:
— A Emma e eu temos uma novidade linda para contar a vocês… Mas só vamos falar depois que todo mundo tomar o café da manhã.
Os dois assentiram empolgados e saímos os quatro do quarto. No corredor, encontramos a Leah carregando uma bandeja coberta.
— Bom dia, senhor Knight. — ela nos cumprimentou carinhosamente. — O senhor Blackwood pediu para levar o café da manhã da minha menina direto no quarto deles.
Pelo canto do olho, vi a Emma soltar um suspiro pesado; a dor pelos acontecimentos da noite anterior ainda estava viva nela.
— Sem problemas, Leah. E aproveitando que você está aqui: o pessoal de Nova York vai passar o final de semana inteiro conosco. Preciso que a equipe prepare os quartos de hóspedes para todo mundo.
— Pode deixar, senhor Knight! Cuidarei de tudo. — a governanta acenou com um sorriso acolhedor e seguiu caminho.
Agradeci e fomos para a sala de jantar. Como vinha acontecendo todas as manhãs, a nossa mesa estava fartamente servida e cheia de vida.
— Tem quarto para todo mundo nessa mansão mesmo? — Fer perguntou curiosa, servindo-se de suco.
Ozzie puxou a sua agora “noiva” pela cintura e deixou um beijo carinhoso na sua têmpora.
— Meu amor, aquele corredor do segundo andar parece não ter fim! O Damien tem doze suítes só no andar principal. Fora o anexo da piscina, que tem mais quatro quartos completos.
Fernanda arregalou os olhos, surpresa com o tamanho.
— Eu sempre falo que não gosto de andar por essa casa sozinha! — Taylor disparou com a sua costumeira animação. — Eu já me perdi duas vezes tentando achar o banheiro!
Dominic olhou para a esposa, dando um sorriso de canto.
— Pelo menos dá para brincar de esconde-esconde, amor. — Taylor soltou uma risada contagiante, apoiando as mãos na mesa.
— Nossa, Grandão! O que aconteceu com você hoje, hein?! Tá muito piadista para o meu gosto! — ela arqueou a sobrancelha debochada.
— Ah, não dá, né, Taylor?! — Dom resmungou de volta. — Se eu fico normal, você reclama que eu sou um ranzinza sem humor. Se eu mudo a postura, você reclama do mesmo jeito!

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