Capítulo 205 — O Ritmo do Desejo
Damien Knight
Depois de todo o pesadelo e o terror que vivemos, finalmente conseguimos fazer as crianças pegarem no sono no quarto da Ellie. Deixamos os pequenos devidamente acomodados sob o ritmo suave do oxigênio e seguimos direto para a nossa suíte.
A Savannah já tinha assumido o seu posto de vigília no quarto ao lado, mas fiz questão absoluta de reforçar a ordem: qualquer oscilação na saturação, qualquer tosse ou mínimo desconforto da Ellie era para me acordar no mesmo segundo.
A Leah, com a sua eficiência impecável de sempre, já havia organizado os aposentos e acomodado todos os nossos amigos nas suítes de hóspedes do segundo andar. O nosso sábado tinha tudo para ser exatamente o que projetei desde o início: um dia leve, ensolarado, regado a boas risadas e vivido intensamente no calor da nossa grande família.
Assim que os pés da Emma tocaram o chão do nosso quarto, o cansaço acumulado a venceu de vez. Ela se jogou na cama e simplesmente apagou, sem nem trocar de roupa direito. Eu demorei um pouco mais para desligar a mente; o turbilhão de acontecimentos das últimas vinte e quatro horas ainda martelava na minha cabeça.
Mas, quando o sono finalmente me puxou, dormi pesado até o alarme do celular começar a vibrar na cabeceira, me lembrando do treino matinal.
Afastai o corpo quente da Emma de cima do meu peito com o maior cuidado do mundo. No mesmo instante, ela soltou um resmungo manhoso e inaudível contra o travesseiro, virando o corpo para o lado vazio da cama.
Ela sempre resmungava de forma adorável toda vez que eu saía do calor dos lençóis. Me inclinei, dei um beijo calmo em sua têmpora e me levantei. Fui ao banheiro, lavei o rosto, vesti uma bermuda esportiva e uma regata preta e segui para o corredor.
Assim que pisei no piso de madeira, me deparei com seis homens parados me encarando de braços cruzados.
Arqueei as sobrancelhas, surpreso com o comitê de recepção logo às seis da manhã.
— Senhores… — cumprimentei com a voz rouca de sono.
Ozzie deu aquele seu sorriso clássico de canto, estalando os nós dos dedos.
— Parece que você ganhou uma baita companhia para o seu treino solitário hoje, senhor Gelo!
Olhei ao redor, passando os olhos pelo grupo e notando duas ausências óbvias.
— E onde estão o Dom e o Chris? — Elijah soltou uma risada baixa.
— Tenho quase certeza de que aqueles dois já gastaram todas as calorias possíveis de outra forma durante a madrugada!
Gargalhamos juntos no corredor, quebrando o silêncio da casa.
— Pois eu e a minha pequena cansamos demais ontem à noite também, e mesmo assim cá estou eu, pronto para puxar ferro! — Declan declarou com o peito estufado de puro orgulho.
Atlas deu um tapa forte nas costas dele, rindo alto.
— Falou aí, o grande garanhão!
Nós rimos e descemos juntos a grande escadaria em direção à academia completa instalada no subsolo da mansão. O treino entre nós hoje teve exatamente o mesmo sabor da nossa época de faculdade.
Disputamos pesos no supino, nos revezamos nas barras, trocamos ofensas amigáveis e competimos como se os anos não tivessem passado e ainda fôssemos aqueles garotos cheios de energia descobrindo o mundo.
Quando encerramos a sessão de treino, estávamos todos encharcados de suor e com a respiração pesada. Cada um seguiu de volta para o seu respectivo quarto para tomar banho.
O combinado inicial era nos reunirmos na sala de jantar em meia hora para o café, mas o Noah levantou a mão e sugeriu estender o prazo para uma hora, segundo ele era para dar tempo suficiente de deixar a mulher dele bem acordada e disposta para o dia.
Todos nós concordamos de imediato, sem pestanejar, porque no fundo todo homem ali dentro tinha exatamente o mesmo plano em mente para as suas mulheres.
Subi os degraus e entrei no meu quarto a passos firmes. O lençol estava revirado, mas a cama estava vazia, o que era extremamente raro para aquele horário.
— Emma? — chamei em tom normal.
Nenhuma resposta veio. Olhei na direção da porta do closet e ela estava fechada. Apontei o olhar para o banheiro e notei que a luz permanecia apagada.
Um aperto gélido atingiu o centro do meu peito no mesmo segundo. O fantasma da floresta e da saúde da Ellie me fez virar imediatamente na direção da porta para correr até a suíte da menina, quando um som abafado, fraco e engasgado vindo do banheiro parou os meus passos no meio do carpete.
Caminhei rápido até lá, empurrei a porta e acendi a luz com o cotovelo.
O meu coração quase parou na garganta ao dar de cara com a cena: a minha mulher estava ajoelhada no piso frio de mármore, com o corpo curvado sobre o vaso sanitário, colocando para fora até o que não tinha no estômago.
O cabelo dela caía desgrenhado sobre o rosto pálido e ela tremia dos pés à cabeça por conta do esforço involuntário dos espasmos gástricos.
Assim que percebeu a minha presença e a claridade, Emma soltou um gemido sôfrego de puro desconforto e se sentou no chão, apoiando as costas contra o gabinete da pia e cobrindo o rosto inteiro com as duas mãos trêmulas, num gesto claro de vergonha.
— Damien… sai daqui, por favor… — a vozinha dela saiu abafada entre os dedos, rouca e embargada. — Não me olha assim… que nojo.
Me aproximei a passos rápidos e me ajoelhei no chão bem na frente dela, ignorando completamente qualquer resquício de nojo ou pudor. Puxei com extrema delicadeza os pulsos dela para longe do rosto e passei os dedos pelos seus cabelos suados, tirando as mechas da sua testa fria.
— Em, para de falar besteira! — murmurei com a maior doçura que existia no meu ser, encarando aquelas pupilas azuis marejadas. — Eu sou o seu homem, a sua família… e esses dois bebês que estão aí dentro bagunçando o seu estômago são metade meus. Não existe um único milímetro de você que me cause nojo, minha vida.

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