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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 204

Capítulo 204 — O Refúgio dos Nossos

Emma Anderson

— Dam… do que ela está falando?

Ele apenas abriu o sorriso mais terno, orgulhoso e deslumbrante que já vi na minha vida. Inclinou-se, depositou um beijo demorado na minha testa e sussurrou com a boca rente ao meu ouvido:

— Isso também faz parte daquela longa história que eu prometi te contar…

Ele pegou a Ellie dos meus braços com a maior facilidade do mundo, aninhando-a com segurança no seu peito largo.

Caminhamos todos juntos para dentro da mansão. Toda a nossa imensa família de amigos nos acompanhou em um silêncio respeitoso. Cruzamos o corredor e, no segundo em que pisamos no piso de madeira da sala de estar principal, uma voz infantil ecoou:

— ELLIE!!

O Luca veio correndo da sala de jogos a toda velocidade, com os bracinhos abertos e as lágrimas já rolando pelo rostinho. Damien se abaixou com cuidado e colocou a Ellie em pé no chão. A minha irmã abriu os braços na mesma hora para acolher o pequeno.

— Luquinha!! A Ellie estava morrendo de tanta saudade de você!!

O Luca enterrou o rosto no pescoço dela e começou a chorar com vontade.

— Eu também tava com muita saudade, Ellie! Por que você não me esperou lá na mesa?! Se você tivesse me chamado, eu teria ido para a floresta junto com você!!

Ellie se afastou um pouquinho para olhar nos olhos dele, balançando a cabeça com a sua maturidade infantil.

— Não dava para te chamar, Luquinha… Você estava tão feliz com a sua novidade! — ela passou as mãozinhas pequenas limpando o rosto molhado do meu menino. — E a Ellie nunca, nunquinha ia querer deixar o Luquinha triste!

Ele a puxou de volta para um abraço apertado. Os dois ficaram ali no meio do tapete, colados um ao outro, envolvidos em uma bolha de pura inocência, companheirismo e amor genuíno.

Ao nosso redor, a sala foi preenchida por suspiros audíveis e emocionados das mulheres, Taylor e Fernanda enxugavam os cantos dos olhos disfarçadamente, enquanto os homens, todos eles sem exceção, soltavam tosses falsas e fungadas rápidas para disfarçar que estavam profundamente tocados pela cena.

Depois do reencontro, Damien e eu subimos com a Ellie para o segundo andar. Pedi para o meu namorado ir até o nosso quarto tomar um banho quente e trocar as roupas sujas de terra. Ele assentiu com um beijo rápido e nos deixou a sós na suíte da nossa pequena.

Com todo o cuidado e paciência do mundo, despi a minha irmã, limpei os arranhões superficiais e dei um banho morno e relaxante nela, lavando a poeira dos seus cabelos. Vesti o seu pijama favorito de algodão estampado e ajudei a pentear os fios úmidos.

Quando saímos do banheiro, o Damien já estava de volta, devidamente limpo e vestindo calça de moletom, sentado na beirada da cama ao lado do Luca, que se recusara a sair do quarto.

Leah e Nina entraram logo em seguida trazendo duas bandejas bem servidas com sopa leve de legumes, torradas integrais, frutas picadas e garrafinhas de água fresca e o soro de reidratação.

Comemos nós quatro reunidos na cama com calma, seguindo à risca todas as orientações da Esther para não sobrecarregar o estômago frágil da Ellie.

Assim que terminamos a refeição, Esther e Savannah entraram para conferir os parâmetros. A minha amiga médica posicionou o cateter nasal de silicone com delicadeza no narizinho da Ellie, regulou o fluxo suave do cilindro de oxigênio medicinal e checou a saturação no monitor, que logo começou a subir para níveis confortáveis.

— Ela está ótima agora. — Esther sorriu, guardando o estetoscópio. — Só precisa de repouso absoluto esta noite.

Agradecemos e as duas saíram, fechando a porta e nos dando total privacidade.

Nos acomodamos os quatro na cama espaçosa. Damien deitou-se em uma ponta e eu na outra; Ellie ficou aninhada ao lado dele, com a mangueirinha transparente do oxigênio passando pelo rosto, e o Luca deitou-se agarrado ao meu braço.

Ellie virou o rostinho de lado no travesseiro e olhou para o meu menino com um orgulho gigante.

— Luquinha… Sabia que agora o tio Dam não é mais só o tio Dam? Agora ele é o meu papai de verdade!

Luca piscou os olhinhos verdes, olhando para o pai com uma expressão curiosa e confusa.

Damien abriu um sorriso doce, passando a mão pelos cabelos do menino.

— É verdade, campeão. Agora essa princesinha é a minha filha no coração… Exatamente igual a você, que agora é o filho da Emma.

O rosto do Luca se iluminou em um sorriso tão radiante que parecia capaz de clarear o quarto inteiro.

— Que bom que você virou minha irmã agora, El! Porque eu já tava aqui pensando que eu sou só um, e como eu ia cuidar de dois bebês! Dois bebês é coisa demais, né?

A minha irmã balançou a cabeça com extrema seriedade.

— É mesmo, Luquinha… É muita coisa para uma pessoa só! — ela deu dois tapinhas encorajadores no bracinho dele. — Mas a Ellie vai te ajudar em tudo, tá bom? Não precisa se preocupar!

Damien e eu nos entreolhamos e caímos na gargalhada juntos, encantados com a dinâmica protetora daqueles dois. Conforme os minutos foram passando na penumbra do quarto, as vozinhas deles foram ficando arrastadas, os olhinhos foram pesando e, em menos de dez minutos, os dois pequenos adormeceram profundamente, embalados pelo som ritmado e suave do oxigênio.

Fiquei observando as feições serenas deles por um longo tempo. Depois, virei o rosto para o outro lado da cama e encarei os olhos azuis do homem da minha vida.

— Obrigada… — murmurei em um sussurro quase inaudível.

Damien franziu o cenho de leve, com um sorriso manso nos lábios.

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