Capítulo 21 — CEO de Gelo
Damien Knight
Eu saí de casa ainda com aquela coisa estranha no peito. A forma como vi Emma hoje realmente tinha mexido comigo de maneiras inéditas. Mas tentei deixar isso para lá por um momento.
Peguei o carro e segui para a casa do Ambrose, que fica em Manhattan, a minutos da minha. Cheguei e Tristan estava furioso.
— Eu vou atrás dela. Ela não pode fazer isso comigo, cara — ele dizia ao Ambrose.
— Irmão, não adianta. Dê um tempo para ela.
— TEMPO?! — ele gritou. — Ela teve todo o tempo do mundo para me avisar que não queria essa merda de noivado.
— Já pensou que talvez ela não quisesse a cerimônia? — Minha voz cortou o ar e chamou a atenção deles. Entrei, fui até o aparador e me servi de uma bebida.
— O que quer dizer com isso? — Tristan me perguntou, irritado.
Me virei para ele e disse calmamente e, claro, com toda sinceridade:
— Giovanna nunca foi do seu mundo, Stan… — Eu comecei, mas Ambrose me impediu de continuar.
— Dam, agora não.
— Não. Eu quero saber — Tristan disse. Dei um gole na minha bebida, peguei uma para ele, entreguei em suas mãos, caminhei até a poltrona e sentei, mantendo os olhos nos dele.
— Stan, a Gi nunca gostou de nada disso. Essa coisa de Slave, cerimônia… você tentou moldá-la e ela foi por um tempo. Mas você sabe bem que essa coisa de perder o controle total da sua própria vida… demanda uma confiança que poucos têm.
Ele me olhou confuso, depois se virou para Ambrose.
— Você também pensa assim?
— Cara, sinto muito, mas todos nós víamos o jeito da Gi, as dificuldades dela.
— E COMO MEUS MELHORES AMIGOS, NUNCA PENSARAM EM ME CONTAR?! — ele gritou, jogando o copo que estava em sua mão direto na parede.
Ambrose me olhou furioso; eu só retribuí com um sorriso.
— Está satisfeito? — ele me perguntou.
Dei um gole na minha bebida e respondi:
— Muito.
Tristan gritou, esperneou, ameaçou a Giovanna, Deus, o diabo e até o mundo. Quando a exaustão o atingiu, mas não a exaustão fisíca, a mental. Ele se jogou no sofá.
— O que eu faço agora? Tudo organizado...
— Eu cuido disso — Ambrose disse. — Ninguém no Donjon vai se importar pela festa cancelada; a vida continua, irmão. — Ele apertou o ombro do nosso amigo.
Eu não estava preparado para ouvir uma declaração dessas.
— Isso me soou como uma mulher apaixonada — Bree disse a ela.
Não aguentei ficar mais na porta; uma necessidade absurda de vê-la, mesmo de longe, surgiu dentro de mim.
— Claro que não — ela respondeu, aquilo me atingiu, acho que no fundo eu queria ouvir que "sim". Mas isso não me segurou, eu ainda queria olhar para ela.
E, como se tivesse ouvido meus pensamentos, Emma virou em minha direção e nossos olhos se encontraram. Por alguns segundos, que não faço ideia de quantos, nossos olhares se prenderam como se houvesse algo magnético naquilo.
Bree a chamou e eu aproveitei o momento para entrar. Já tinha visto, ouvido e feito coisas demais por um dia só. Sentei na beirada da minha cama, depois me joguei nela e fiquei encarando o teto.
— Que desgraça é essa, Damien? Você não é assim.
Virei o suficiente apenas para olhar a foto de Clara na cabeceira da minha cama. Eu nunca fui de expressar sentimentos; tive essa dificuldade até mesmo com a Clara em todos os anos do nosso relacionamento. E depois que ela morreu… eu me fechei. Minha forma de me relacionar piorou. Me tornei mais frio. O apelido pelos corredores da empresa perpetuou: “CEO de Gelo”. Eu nunca me importei; acho que no fundo até gosto do apelido.
Eu sou gelo… e depois do Luca, que é o único que ainda sente um pouco do meu calor. Emma Anderson foi a primeira depois de anos que eu não quis congelar… só aquecer.
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Arrasou Damien: "Não quis congelar... só aquecer"
Será que Em, já conquistou o coração do nosso CEO de Gelo? Ou por enquanto só os pensamentos?

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