Capítulo 210 — O Reflexo do Veneno
Emma Anderson
Subi a escadaria da mansão com o peito ainda queimando de pura irritação. O Damien conseguia ser o homem mais apaixonante do mundo quando queria, mas, quando ativava aquele modo de CEO autoritário e controlador, dava vontade de jogar um vaso de cristal na cabeça dele.
Uma nova babá? Sério mesmo?! Eu passei os últimos anos cuidando da minha irmã, e os últimos meses cuidando muito bem do Luca, sabia exatamente como administrar uma rotina e, além de tudo, nós já tínhamos o apoio profissional da Savannah e o carinho incondicional da Leah.
Para que diabos ele queria enfiar mais uma pessoa estranha dentro de casa? Eu estava grávida de gêmeos, sim, mas não tinha perdido a minha capacidade de viver e cuidar de quem eu amava.
Assim que empurrei a porta da suíte onde a Taylor e o Dominic estavam hospedados, ao lado da Juliet, toda aquela frustração com o meu homem evaporou quase no mesmo instante.
O quarto parecia os bastidores de um desfile de moda caótico. As meninas estavam todas reunidas ali, em meio a risadas altas, jogando peças de roupas para cima, fazendo um verdadeiro troca-troca de biquínis, saídas de praia, óculos escuros e chapéus.
Ver aquela animação genuína, a leveza da Sammy e da Mia, a cumplicidade da Jen e da Esther, fez o meu coração esquentar. Até a irritação com a teimosia do Damien foi se dissipando, engolida por aquela atmosfera deliciosa de sábado em família.
De repente, a porta do quarto foi aberta suavemente. Leah entrou trazendo uma bandeja com um copo de água e uma das medicações prescritas para a Aubrey. Mas o que realmente chamou a minha atenção foi o semblante da governanta: ela estava visivelmente tensa, os lábios cerrados e as mãos trêmulas ao ajeitar o copo na bandeja.
Me aproximei dela no mesmo segundo, desconfiada.
— Leah? O que aconteceu? Está tudo bem?
A mulher hesitou por um segundo, olhou ao redor para as outras garotas e soltou um suspiro pesado, baixando o tom de voz para que apenas eu ouvisse.
— Emma… a senhora Izabel acabou de chegar lá embaixo para a visitar o Luca. Só que… ela não veio sozinha. Ela trouxe a senhorita Verônica Ortega junto com ela para dentro da mansão.
No mesmo milésimo de segundo em que o nome daquela cobra saiu da boca da Leah, senti o meu sangue ferver de uma forma incontrolável. Uma onda de calor e pura fúria subiu direto para a minha cabeça, apagando qualquer resquício de paciência.
Sem pensar duas vezes, sem esperar por ninguém e sem dar explicações, dei meia-volta e saí da suíte a passos duros e decididos pelo corredor do segundo andar.
— Emma!! Espera aí, garota!! — Taylor gritou atrás de mim, largando o maiô na cama e disparando pelo corredor para me acompanhar.
Avançamos lado a lado até o topo da grande escadaria de madeira. Conforme descíamos os degraus, as vozes alteradas vindas do hall de entrada começaram a ecoar perfeitamente até nós.
Paramos no último degrau da escada no exato instante em que a histeria descontrolada da Verônica cortou o ar.
— Como é que é?! Aquela cretina miserável está grávida?! Ela está esperando um filho seu, Damien?!
Um sorriso cínico e carregado de puro deboche brotou nos meus lábios. Não esperei o Damien responder. Apoiei a mão no corrimão de madeira e lancei a minha resposta como um chicote afiado pelo hall:
— Um filho não, Veve… São dois.
Verônica e Izabel viraram a cabeça na nossa direção no mesmo instante. Se olhares pudessem matar, eu teria sido incinerada ali mesmo pelo ódio puro que faíscava nas pupilas daquelas mulheres.
Taylor e eu terminamos de descer os degraus com postura impecável e nos aproximamos do grupo. Assim que os olhos verdes do Luca pousaram em mim, o meu menino soltou um grito de alívio, desvencilhou-se do pai e se jogou com tudo nos meus braços.
O peguei no colo com facilidade, colando o corpinho dele ao meu:
— Mamãe!! — ele murmurou, escondendo o rostinho no meu pescoço.
— Cuidado, Emma! Por favor, devagar com esse peso… — Damien interveio na hora, a voz transbordando aquela preocupação exagerada de sempre, já estendendo as mãos para o meu lado.
Olhei para o meu namorado e sorri com doçura do excesso de zelo dele.
— Calma, amor… O meu menino não pesa nada.
Me virei discretamente para o Noah, que estava parado logo atrás do Damien observando a movimentação.
— Noah, por favor… você se importaria de levar o Luquinha lá para a sala de TV com as outras crianças?
— Com o maior prazer do mundo, Em. — Noah respondeu na mesma hora com um sorriso compreensivo.
Ele deu dois passos à frente, tocou o bracinho do Luca com carinho e o ergueu do meu colo, acomodando o garotinho montado nos seus ombros largos como um cavalinho. O Luca soltou uma gargalhada gostosa, esquecendo na hora o veneno da avó, e foi com o Noah sem questionar nada, antes que Noah saísse Damien falou algo para que só ele ouvisse, o amigo assentiu e partiu.
Com o meu filho devidamente protegido e seguro, voltei toda a minha atenção para as duas intrusas no meio do hall.
Cruzei os braços sobre o peito, dei um passo à frente e encarei a Verônica com um sorriso sutil e provocante nos lábios.
— O que foi, Verônica? Por acaso você sentiu tanta saudade da surra que levou no clube que resolveu vir até a minha casa buscar o segundo round?
Verônica deu um passo na minha direção, os dentes trincados de ódio.
— Sua babazinha insolente e golpista de uma figa! Você não passa de uma oportunista que se aproveitou do luto de uma família para aplicar o golpe da barriga no Damien!!
Antes que eu pudesse retrucar, Izabel deu um passo à frente, intrometendo-se na conversa com a sua habitual arrogância asquerosa.
— Ela tem toda a razão! Você é uma desclassificada, uma mulherzinha sem berço que nunca vai chegar aos pés da minha filha! Você acha que dois bastardos na barriga vão te transformar em uma dama da sociedade?! Você nunca vai ser dona de nada aqui dentro!
Damien deu um passo furioso na direção da ex-sogra, a mandíbula travada e os olhos azuis faiscando perigosamente.
— CALA A BOCA, IZABEL! VOCÊ NUNCA MAIS NA SUA VIDA OUSE ABRIR ESSA BOCA SUJA PARA FALAR DA MINHA MULHER.



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