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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 211

Capítulo 211 — O Rastro da Traição

Izabel Rios

Por mim, eu já estaria bem longe daquele país medíocre, desfrutando do conforto e da elegância da minha residência em Londres. Tudo o que eu mais queria, desde que pisei pela primeira vez no solo americano após o funeral, era colocar as mãos de uma vez por todas no patrimônio financeiro que sempre considerei meu por direito.

Mas eu jamais perderia a oportunidade de ouro de pisar na propriedade em Hoboken apenas para ser uma pedra no sapato de Damien Knight com a minha presença.

Verônica vinha insistindo desde o começo da semana para me acompanhar na visita ao meu neto. Obviamente, não recusei a oferta. Ter ao meu lado a ex do Damien parecia a companhia perfeita para desestabilizar aquele homem arrogante. Eu já sabia que nada seria simples; afinal, a minha intenção declarada sempre foi desafiar os limites do meu ex-genro.

Só que a situação fugiu completamente do controle.

Luca continuava me ignorando com aquele olhar insolente e arredio. Não que eu fizesse questão de afeto infantil ou da atenção de uma criança barulhenta, mas descobrir que o herdeiro biológico da minha linhagem agora chamava a babazinha arrivista de mamãe foi uma afronta difícil de engolir.

E, para piorar, as palavras atrevidas da tal Emma Anderson mexeram com feridas que eu mantinha trancadas a sete chaves. Ver aquela garota falar da Clara com tanta reverência, admiração e doçura me atingiu como um golpe seco no estômago.

Aquela reverência pertencia a mim; eu era a mãe, e no fundo me incomodava saber que uma estranha demonstrava mais respeito pela memória da minha filha do que eu conseguia demonstrar em público.

Mas absolutamente nada se comparou ao choque devastador provocado pelas palavras de Damien.

A confirmação implacável dele ecoava na minha cabeça.

“É exatamente isso o que você ouviu, Izabel. Você é uma maldita que se aliou à pessoa que a Clara mais odiava e temia neste mundo… E a pessoa que a investigação aponta como a única e verdadeira responsável pela morte da sua filha!”

Naquele segundo exato, o chão sob os meus pés pareceu se abrir em um abismo sem fim.

Eu passei anos lutando contra o casamento de Clara e Damien. No começo, porque sabia que a minha filha o amava de forma cega e incondicional, enquanto ele era um bloco de gelo incapaz de retribuir aquele amor na mesma intensidade.

Depois, por uma questão puramente prática e financeira: quando Clara assinou a certidão de casamento, a administração dos fundos da família passou integralmente para ela. Clara tornou-se a herdeira direta de tudo, deixando-me à margem.

Pelas cláusulas do testamento, se ela se divorciasse de Damien, perderia o direito de gerenciar aquela fortuna sozinha e o controle retornaria para as minhas mãos.

Após o acidente fatal, passei os dois últimos anos travando batalhas judiciais para reaver o que me pertencia, tentando impedir que um garoto de poucos anos e o pai dele ficassem com o meu sustento. Mas nada disso significava que eu desejava a morte de Clara.

Quando a notícia do acidente chegou até Londres, o meu mundo ruiu. Clara era a minha única filha. Eu queria o controle do dinheiro, sim; eu queria a herança da família, com certeza. Mas eu nunca, em nenhum momento da minha existência, desejei que tirassem a vida da minha menina.

— Izabel, querida… — a voz melodiosa, suave e arrastada da Verônica tentou me puxar de volta à realidade do hall.

Virei o rosto na direção dela, mas a minha visão estava turva. Eu olhava para Verônica e parecia enxergar apenas uma sombra disforme, incapaz de assimilar o rosto perfeitamente maquiado à minha frente.

Me abaixei devagar, peguei a bolsa de couro fino que havia caído no chão e ajeitei a alça no ombro. Encarei Damien com a pouca dignidade que me restava.

— Eu já estou de saída.

Os seguranças particulares da mansão deram dois passos à frente, abrindo a porta principal para me escoltar até a saída. Verônica apressou o passo para me acompanhar, tentando puxar assunto em sussurros nervosos.

— Izabel, você não pode dar ouvidos a…

Ergui a mão direita com autoridade, cortando a fala dela no mesmo instante com uma frieza cortante.

— Agora não, senhorita Ortega.

Verônica calou-se de imediato, engolindo em seco.

O trajeto de volta para a mansão dos Ortega, onde eu estava hospedada, foi marcado por um silêncio sufocante, denso e insuportável. Nenhuma palavra foi trocada dentro do veículo de luxo. A atmosfera pesava tanto que parecia sugar o oxigênio da cabine.

Assim que os portões da propriedade dos Ortega se abriram e entramos na residência, me virei para ela na entrada com a expressão completamente indecifrável.

— Agradeço pela sua companhia hoje e pela hospitalidade nestes últimos dias, Verônica. Vou subir até a suíte para arrumar as minhas malas; pretendo embarcar de volta para Londres ainda esta noite.

Sem esperar por qualquer protesto ou questionamento, dei meia-volta e subi as escadas em direção ao quarto de hóspedes.

Fechei a porta de madeira maciça, tranquei a fechadura e caminhei até a cama com passos trêmulos. Me sentei no colchão, sentindo o peito arder. As palavras de Damien continuavam ricocheteando nas paredes da minha mente como um trovão incessante.

Abri a bolsa com dedos trêmulos, tirei o celular e procurei na lista de contatos por um nome antigo: Frank, um alto oficial do departamento de polícia com quem mantive contato durante as investigações preliminares do patrimônio.

Capítulo 211 — O Rastro da Traição 1

Capítulo 211 — O Rastro da Traição 2

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