Capítulo 213 — A Última Sentença
Izabel Rios
— O nome da principal suspeita formal de ter planejado o atentado contra a Clara é… Verônica Ortega.
As palavras de Frank caíram nos meus ouvidos com o peso de uma laje de concreto. O meu corpo reagiu muito antes que o meu cérebro pudesse assimilar a extensão daquela tragédia. Senti um formigamento violento subir pelas minhas extremidades, o sangue rugindo nos meus tímpanos e o ar sumindo da minha garganta.
— Izabel? Izabel, você está me ouvindo?! Pelo amor de Deus, não faça nenhuma besteira! — a voz de Frank gritava no viva-voz do aparelho enquanto eu me colocava de pé na suíte, tomada por um transe cego de pura fúria.
Caminhei em direção à porta do quarto, os dedos cerrados com tanta força ao redor do celular que a tela quase estalou sob a pressão.
— Onde você está agora, Izabel?! Me diz a sua localização exata que eu mesmo vou mandar uma viatura te buscar! — o policial insistia, a respiração pesada do outro lado da linha.
— Eu estou em um dos quartos da mansão da família Ortega, em Hoboken — respondi com uma voz assustadoramente fria, gélida, cortante como uma navalha afiada. — E a maldita da Verônica está bem aqui, debaixo do mesmo teto que eu.
— Fique onde está, Izabel! Não saia desse quarto! Quer que eu entre em contato com o Damien Knight agora mesmo para mandar a segurança dele te tirar daí?!
— Não! — neguei no mesmo segundo, girando a maçaneta e pisando no corredor com passos firmes e impiedosos. — A única coisa que eu quero nesta vida… é acabar com essa cretina com as minhas próprias mãos.
Mantive a chamada ativa, o celular preso entre os dedos contra a lateral do meu corpo. Atravessei o corredor do piso superior como um espectro da morte. Conforme me aproximava do escritório particular da Verônica, o som de objetos de vidro e porcelana se estilhaçando contra o piso ecoava pelas paredes, acompanhado pelos gritos histéricos e descontrolados daquela mulher.
Parei rente à folha de madeira maciça da porta, que estava apenas encostada. A discussão acalorada entre ela e o assistente soava perfeitamente nítida. O medo, o pânico e o desespero de ser encurralada pela força-tarefa do Dominic Costello vazavam de cada frase dita lá dentro.
Mas o que restava do meu mundo desmoronou de vez quando a voz autoritária e assassina da Verônica rasgou o ar.
— Eles não podem de jeito nenhum descobrir que fui eu quem mandou matar aquele segurança inútil… e muito menos que fui eu quem mandou sabotar aquele carro e matar aquela sonsa e patética da Clara Knight!
O último fio de sanidade que me restava se rompeu.
Empurrei a folha pesada da porta com violência, fazendo a madeira bater contra o batente com um estrondo ensurdecedor. Dei dois passos largos para dentro do cômodo destruído. Meu corpo inteiro tremia de uma revolta tão visceral que o meu queixo sacudia sem controle.
Apontei o indicador trêmulo na direção daquela mulher.
— Então é verdade… — a minha voz saiu rouca, dilacerada por uma dor insuportável que queimava o fundo da minha alma. — Foi você… Foi você a maldita que matou a minha filha!!
Verônica arregalou os olhos, a boca abrindo e fechando no ar em puro choque ao me ver ali parada. Ela tentou esboçar uma desculpa esfarrapada, erguendo as mãos com cinismo.
— Izabel, espera… você entendeu tudo errado, foi apenas uma força de expressão…
Não deixei que ela concluísse aquela mentira asquerosa.
Avancei sobre ela como uma leoa ferida. O estalo seco da minha mão aberta acertando em cheio a bochecha da Verônica ecoou pelo escritório. O impacto foi tão violento que a cabeça dela virou de lado, os cabelos impecáveis caindo desgrenhados sobre o rosto enquanto ela cambaleava para trás, totalmente sem reação.
— SUA VAGABUNDA ASSASSINA! CRETINA MALDITA! — gritei, descarregando todo o ódio que existia no meu peito.
Verônica tentou avançar de volta com as unhas em riste, mas eu não recuei um único milímetro. Antes que ela pudesse me tocar, desferi mais um tapa com a mão esquerda, soltou o celular da minha mão e dei outro com a direita, e mais outro, atingindo a sua pele com toda a força do meu desespero até que Dylan interveio.
O assistente avançou por trás, passando os braços fortes ao redor do meu tórax e me imobilizando com brutalidade contra a parede.
— ME SOLTA, SEU DESGRAÇADO! ME SOLTA AGORA! — urrei, me debatendo, chutando o ar, tentando a todo custo me livrar daquele aperto para rasgar a garganta daquela assassina.
Verônica levou a mão ao rosto avermelhado, recuperando o fôlego e a postura aos poucos. Ela limpou o canto do lábio partido com as costas da mão e parou bem na minha frente, enquanto eu continuava rendida pelo seu capanga. O choque inicial no olhar dela deu lugar a uma máscara de pura perversidade, malícia e psicopatia.
Ela deu um sorriso sádico de canto, ajeitando a gola da blusa.
— Foi isso mesmo, sua velha patética… Fui eu sim!
Tentei cuspir na cara dela, mas Verônica apenas deu uma risada baixa, desdenhosa, saboreando a minha agonia.
— Eu passei anos infernizando a vida daquela sonsa da Clara! O Damien nunca me deu um pingo de atenção, ele sempre me tratou com frieza e desdém… mas a sua filha idiota? Ah, a Clara sempre caía em todas as minhas armadilhas! Ela me atendia chorando, desesperada, acreditando em cada palavra venenosa que eu plantava na cabeça oca dela!
Verônica se aproximou ainda mais, a respiração quente e fétida batendo no meu rosto.
— Eu fiz questão de contar para ela que o Damien só casou por causa daquela gravidez… que ele nunca a amou de verdade, que sentia nojo de tocar nela! Contei até os detalhes sórdidos sobre as peculiaridades que ele exigia na cama, coisas que aquela sonsa puritana nunca seria capaz de dar a um homem como ele! Eu humilhei, torturei psicologicamente e destruí a sua filha até o último minuto em que ela respirou!
A lembrança da minha última conversa com o Damien vieram a minha mente, a forma como eu respondi, como eu tratei a perseguição que minha filha sofria por parte da Verônica.
Lágrimas ardentes de pura revolta lavavam as minhas bochechas enquanto eu tentava me soltar dos braços do Dylan.
— Você é um monstro… Um monstro doente!



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