Capítulo 212 — A Máscara que Cai
Verônica Ortega
Eu sempre tive orgulho da minha capacidade de sair ilesa de qualquer tempestade.
Consegui me livrar das acusações que a Giovanna fez, consegui mostrar para o Dominic Costello que ele não tinha poder para me prender. E consegui mesmo sendo humilhada no Donjon por aquela babazinha insolente sair por cima. Porque essa sou. Um fenômeno da natureza impossível de se parar.
Quando a idiota da Izabel comentou sobre a visita autorizada para ver o neto, vi a oportunidade perfeita para me infiltrar na mansão, marcar território e lembrar a todos de quem eu era.
Porque: “Eu sempre consigo o que eu quero.”, foi o que pensei.
Mas ver a Emma Anderson no pé daquela escada, com aquele ar de superioridade e revelando que estava grávida de gêmeos do Damien… do meu Damien… fez a minha razão se esvair. Aquele homem pertencia a mim por direito! Aquela garota sem berço não passava de uma invasora que se aproveitou da fragilidade dele.
No entanto, o que realmente gelou a minha espinha e me deixou sem chão não foi a gravidez da golpista. Foi a voz do Damien. O tom dele não carregava uma acusação vazia de um ex-noivo amargurado; ele falou com a frieza absoluta de quem tinha provas incontestáveis em mãos quando me apontou como a responsável direta pela morte da Clara.
E aquilo, pela primeira vez me fez recuar.
O trajeto de volta para a mansão da minha família foi um inferno particular. Izabel permaneceu muda durante todo o percurso no banco de trás do carro, os olhos vidrados na janela, sem emitir um único suspiro. Eu não sabia se aquele silêncio da velha significava que ela estava em choque, se desconfiava de algo ou se simplesmente estava processando o término abrupto da visita.
Assim que pisamos no hall de entrada da minha casa, ela apenas murmurou que subiria para a suíte de hóspedes para arrumar as malas e partiria para Londres ainda hoje. Não me dei ao trabalho de contestar. Melhor que aquela mulher voltasse para a Europa e me deixasse resolver o que realmente importava.
Caminhei em passos duros e apressados até o meu escritório no piso superior. Bati a porta de madeira maciça, tranquei a tranca interna e disquei o número do meu assistente.
— Dylan, venha para a minha sala agora mesmo. É uma emergência! — ordenei, desligando sem esperar resposta.
Menos de três minutos depois, a porta foi destravada e Dylan entrou apressado, ajeitando a gravata com o semblante tenso.
— O que aconteceu, senhorita Ortega? A senhora parece perturbada.
— Perturbada é pouco, Dylan! — disparei, andando de um lado para o outro sobre o tapete. — O Damien Knight acabou de me acusar na frente de todo mundo de ter encomendado o acidente da Clara! E ele não estava blefando. O olhar daquele desgraçado era de quem sabe exatamente o que está dizendo.
Dylan arregalou os olhos, empalidecendo no mesmo segundo.
— Isso é impossível… Nós limpamos todos os rastros há dois anos. O laudo pericial fechou como colisão acidental.
— Pois parece que a realidade mudou! — esbravejei, apontando o dedo para o peito dele. — Pegue o seu telefone agora e ligue para o nosso homem infiltrado na divisão de inteligência do FBI. Eu quero saber cada detalhe do que o Damien e o grupo dele estão tramando contra mim!
Dylan assentiu de imediato, puxando o aparelho do bolso interno do paletó. Ele discou o número direto da fonte e colocou no viva-voz discreto enquanto eu o encarava com os dentes trincados de pura ansiedade.
— Na escuta. — a voz rouca e abafada do informante soou na linha após o terceiro toque.
— Preciso de uma varredura completa no sistema sobre a reabertura do inquérito da Clara Knight. — Dylan foi direto ao ponto. — O que vocês têm registrado nos servidores centrais?
Houve um silêncio angustiante do outro lado, cortado apenas pelo barulho rápido de teclas sendo acionadas. Meu coração batia na garganta.
— A situação vazou. — o informante soltou em tom grave. — O caso foi formalmente desarquivado pela força-tarefa especial. Anexaram imagens em alta definição recuperadas de uma câmera de segurança de um café onde a vítima esteve antes da colisão, um novo laudo metalúrgico comprovando que os cabos de freio foram cortados e o depoimento cruzado de dois mecânicos que prestaram serviços clandestinos na época.
Dylan engoliu em seco, olhando para mim com pavor.

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