Capítulo 216 — O Peso do Passado
Ambrose Blair
Aquela maldita mensagem ainda ecoava na minha cabeça com a força de um martelo batendo em metal incandescente.
“Por que não me atendeu? Não esquece do nosso compromisso, mi hermosa.”
Cada letra daquela frase curta ardia nas minhas entranhas como ácido puro. Eu confiava na Fernanda com a minha própria vida; sabia o que tínhamos construído e a verdade irrefutável do nosso amor.
Mas a porra da minha mente de homem simplesmente não conseguia assimilar o porquê de ela esconder aquilo de mim. Por que não me contar no segundo em que aquele desgraçado do Mike entrou em contato? E pior: que motivo no mundo a levaria a marcar de encontrar aquele canalha pessoalmente depois de todo o inferno, da perseguição e das marcas psicológicas que ele deixou nela?
Apertei a garrafa de cerveja gelada na mão até o vidro estalar de leve, respirando fundo pelo nariz para não deixar a fúria transparecer na minha postura.
Eu estava encostado na bancada de granito ao lado da churrasqueira, cercado pelos caras. O sol da tarde brilhava com força, a água cristalina da piscina refletia o azul do céu e o som das risadas descontraídas dos meus irmãos preenchia o ambiente. Mas os meus olhos, involuntariamente, sempre encontravam o mesmo ponto magnético da piscina.
Fernanda estava simplesmente espetacular. O biquíni preto desenhava cada curva daquele corpo escultural que agora pertencia a mim por direito e escolha mútua. Ela estava sentada na borda de uma das espreguiçadeiras, rindo alto de alguma história sem noção da Taylor, perfeitamente à vontade, leve e radiante entre as garotas.
Um calor reconfortante amenizou a tensão no meu peito ao observar aquela cena. Eu era grato pra caralho por tudo o que aquelas mulheres representavam. Emma, Aubrey, Taylor, Juliet, Sammy, Jen, Esther, Penny e Mia…
Todas elas tinham acolhido a Fernanda na família com um carinho, um respeito e um amor tão genuínos que parecia que a minha noiva sempre tinha feito parte daquele grupo desde a infância. Ninguém a julgou, ninguém a olhou torto; deram a ela o colo e a irmandade que ela nunca teve antes.
A conversa entre nós estava fluindo solta, com o Declan contando piadas absurdas sobre a vida a dois e o Chris rebatendo com o seu deboche característico, até que o Damien se aproximou da bancada.
O Dom deu um gole na bebida e encarou o anfitrião:
— Tudo certo por lá, Dam?
Damien apoiou uma mão no balcão e soltou em um tom carregado de puro sarcasmo:
— Para mim agora está tudo ótimo… Mas para o Ambrose, tenho minhas dúvidas.
Franzi o cenho no mesmo segundo, sentindo o meu sangue esquentar com a provocação gratuita.
— O que você quer dizer com isso?
Damien nem precisou falar muito. Ele apenas inclinou o queixo em direção à lateral do jardim, próximo à entrada do anexo da piscina.
Virei o rosto naquela direção e o ar simplesmente travou na minha garganta.
— Isso responde à sua pergunta?
Katlyn estava parada ali, escoltada pelo Peter.
Ela vestia roupas simples, calça jeans e uma jaqueta escura, mas o seu semblante estava completamente desfigurado pela exaustão e pelo medo.
Senti o meu corpo inteiro estremecer de pura revolta. A bile subiu amarga na minha boca. Bati a garrafa de vidro sobre o granito com força desnecessária, me desvenciliei do grupo e marchei em passos duros e pesados pelo gramado, cortando a distância entre nós dois como um vendaval.
Parei a um metro dela, travando o maxilar com tanta força que os dentes rangeram.
— O que diabos você pensa que está fazendo aqui, Katlyn?! — perguntei, a voz saindo baixa, ríspida e perigosamente fria.
A mulher deu um sobressalto, os olhos arregalados e injetados de lágrimas enquanto me encarava.
— Ozzie… Por favor, me escuta… Eu precisei vir até aqui… Eu… Ele…
Dei mais um passo intimidador na direção dela, fechando o espaço e ignorando completamente o tom choroso.
— Não me enrola, Katlyn! Não começa com essa palhaçada! Eu fui muito claro quando conversei com você: te dei um teto seguro para ficar em Manhattan, paguei para você ter onde dormir até resolver essa sua merda de vida, mas deixei explícito que não te queria na minha rotina! Eu não quero você me procurando em hipótese alguma, e muito menos aparecendo na casa da minha família!
Ela deu um passo desesperado para a frente e ergueu a mão trêmula na tentativa de tocar o meu antebraço para pedir clemência.
— Ambrose, por favor…
Recuei o corpo com violência, apontando o dedo indicador no rosto dela.
— Nem pense em encostar um único dedo em mim!
Passos calmos e firmes soaram na grama atrás de mim. Por um milésimo de segundo de pânico absoluto, fechei os olhos e orei a Deus para que não fosse a Fernanda vindo ver o que estava acontecendo. Se a minha noiva visse aquela mulher ali no meio de tantas dúvidas não resolvidas, o estrago seria irreparável.



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