Capítulo 236 — Fim das Férias
Dominic Costello
Quando Damien planejou o final de semana, a minha intenção era simples: desligar a mente da rotina pesada do FBI, aproveitar a minha mulher, a minha filha e descansar antes de reassumir oficialmente o comando da divisão em Manhattan.
Mas a realidade do nosso círculo nunca segue roteiros tranquilos.
Em questão de quarenta e oito horas, a Izabel foi assassinada a sangue-frio, a psicopata da Verônica escapou do cerco inicial e virou uma foragida de alta periculosidade, e a Katlyn apareceu na mansão fugindo de um playboy violento com conexões políticas.
Resumindo, foi um pacote completo de caos. Bela forma de encerrar minhas férias, se é que posso chamá-la assim com tudo que aconteceu nas últimas semanas.
Pela manhã, antes de sair de casa, Taylor fez aquele bico manhoso e insistiu para ficarmos mais uma semana em New Jersey ao invés de voltarmos para o nosso apartamento. Impus a condição de mandar buscar a minha mãe e a Diva, mas, no fundo, achei a melhor decisão.
A minha pinscher estava apegada à rotina com a Emma, a Fer e a Aubrey; Arianna se divertia com o Luca e a Ellie; e para a minha mãe, o ar livre de um casarão com jardim e um parque vizinho era infinitamente melhor do que ficar confinada em quatro paredes de concreto em Manhattan.
Agora, eu estava enterrado até o pescoço em pilhas de relatórios e despachos que se acumularam durante os dias da minha licença.
A porta da minha sala se abriu sem cerimônia. Coletti entrou com o seu habitual porte impecável, terno escuro alinhado e uma pasta de couro debaixo do braço.
— Bom dia, chefe — ele disse, puxando a cadeira e sentando-se à minha frente. — Bem-vindo de volta ao inferno.
— Nem me fale, Coletti — soltei o ar, massageando a minha têmpora. — Como está a caçada à Ortega?
— Bloqueamos as contas bancárias primárias da família e estamos monitorando os hangares executivos de New Jersey e de Nova York — Bruno começou a repassar os pontos com a precisão cirúrgica de sempre. — O assistente dela, Dylan, desligou todos os aparelhos conhecidos. A inteligência acredita que eles ainda estão na área metropolitana usando apoio logístico antigo.
Assinei dois termos de busca e apreensão que ele colocou sobre a minha mesa e dei algumas instruções diretas:
— Coloca duas equipes veladas nos imóveis secundários dos Ortega e aperta a vigilância nos portos. Não quero essa mulher cruzando nenhuma fronteira estadual.
Antes que Bruno pudesse abrir a pasta seguinte, o meu celular começou a tocar alto sobre a mesa.
O visor indicava uma chamada da Taylor. Sorri de canto e apertei o botão do viva-voz:
— Fala, amor.
— Dom! — a voz da Taylor veio em um turbilhão acelerado de indignação. — Você não sabe o circo dos horrores que acabou de acontecer aqui na sala!
Encostei as costas na cadeira de couro.
— O que aconteceu, Tay?
— A mãe da Fernanda, aquela demônia da Angelina, bateu no portão da mansão fazendo escândalo! A mulher entrou aqui bufando, humilhou a Fer, exigiu que ela largasse o Ozzie para voltar para o cretino do Mike e ainda levantou o braço para meter a mão na cara da própria filha!
Franzi o cenho no mesmo instante.
— Ela agrediu a Fernanda dentro da casa do Damien?!
— Não conseguiu acertar a Fer porque a loira do banheiro foi mais rápida! A Katlyn se jogou na frente e levou um tapa estalado na bochecha no lugar dela!
No exato segundo em que o nome da Katlyn saiu da boca da minha esposa, notei a reação imediata do homem sentado à minha frente. As mãos de Bruno se fecharam em punhos tão rígidos em cima da mesa que os nós dos dedos ficaram brancos. O maxilar dele travou como aço e os olhos escuros se fixaram no aparelho com uma frieza cortante.
Ignorei a reação dele por um segundo e pedi para a Taylor continuar.
— E depois disso, Tay? O que vocês fizeram?
— Eu quase quebrei o braço da velha e mandei o Peter jogar ela na calçada! Mas a palhaçada não parou por aí não grandão… Cinco minutos depois, o Mike ligou para a Fer de um número desconhecido. Eu atendi no viva-voz, dei uma surra verbal no verme, mas você não vai acreditar Sharkzão, o infeliz teve a audácia de dizer que não tem medo do FBI, que você não manda nele e garantiu que vem até Hoboken buscar a Fer por bem ou por mal!
A fúria subiu quente pela minha garganta.
— Esse moleque perdeu o resto de juízo que tinha…
— Juízo grandão? Ele perdeu foi a porra do cerebro! Mas o que é dele está guardado. Pode apostar, amor. Pode apostar. — Taylor concluiu, com aquele tom marrento. — Só liguei para te avisar do nível de audácia do sujeito.
— E como as meninas estão? A Fer, a Katy?
— A Ferferzinha está bem, ela já contou pro Ambrose. E a loira me surpreendeu, ela ainda não é minha amiga, mas… estamos no caminho.
Soltei um riso pelas palavras da minha mulher, “no caminho” pra ela queria dizer que ela já tinha conseguido mas Taylor Costello é marrenta demais para admitir.
— Eu vou falar com o Ozzie depois, o importante é que agora está tudo bem. E nossa pequena?
— Está bem, a sua santa se sente em casa aqui. Grandão, eu acho que ela vai estranhar muito ir embora. — minha mulher garantiu.
— Ela ou você? — Tay ficou em silêncio por alguns segundos.

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