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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 237

Capítulo 237 — Entre o Cuidado e a Guerra

Damien Knight

Dois dias haviam se passado desde a fuga da Verônica e do Dylan, e a sensação de estar caçando fantasmas começava a pesar no ar. Nenhuma pista concreta, nenhum sinal em aeroportos e nenhuma movimentação suspeita nas contas que Dominic monitorava.

Pela manhã, liguei para um dos primos distantes da Clara em Londres para confirmar os trâmites do translado da Izabel. Fui informado de que a liberação dos legistas britânicos tinha ocorrido sem atrasos e que a cerimônia de sepultamento aconteceria no dia seguinte, em um jazigo da família.

Era o ponto final de um ciclo que durante anos assombrou a minha história, mas a minha mente não tinha tempo para respirar o luto. Mais cedo, Emma havia me ligado para relatar a tempestade com a mãe da Fernanda, e logo depois Ambrose me mandou uma mensagem rápida garantindo que o tal Mike já tinha sido devidamente neutralizado.

O recado final do meu primo veio direto: uma reunião na minha casa hoje à noite para colocar na mesa o plano do Snake contra o playboy dos Vance.

Na empresa, o retorno de Stan foi exatamente o caos que prevíamos. Pilhas de contratos represados, prazos e aprovações que exigiram nossa atenção sem trégua. Quando o relógio finalmente marcou o fim do expediente, tudo o que eu mais queria neste mundo era cruzar a ponte, entrar na minha casa e me perder no abraço da minha mulher e dos meus filhos.

Antes de sair da minha sala, recebi uma mensagem do Dominic avisando que não seriam só a mãe e Diva que iriam para minha casa, mas que Coletti também o acompanharia. Minutos depois, Juan avisou que havia convocado Gayer para um alinhamento sobre o plano, e Esther mandou um recado avisando que sairia do plantão do hospital direto para a mansão, trazendo Violet com ela.

A minha casa viraria mais uma vez um quartel-general.

Eu e Stan descemos até a garagem e entramos no banco traseiro do carro que nos esperava. Com a Verônica solta, Dom achou melhor mantermos motorista e segurança. No caminho pelas vias rápidas que cortavam o túnel em direção a New Jersey, o silêncio durou pouco.

Stan virou o rosto para mim, ajeitando a gola da camisa com o semblante sério.

— Dam… o que você está achando de verdade dessa história da Katlyn na sua casa?

Pousei o celular sobre o joelho e encarei o meu amigo.

— Por que a pergunta, Stan?

Ele soltou o ar ruidosamente, encarando a janela.

— Depois de tudo o que eu passei com a Giovanna… eu confesso que tenho dificuldade em engolir essa história. Fico apreensivo de a Katlyn estar usando essa situação de vítima para se aproximar do Ambrose de novo, exatamente como a Gi fez.

Balancei a cabeça devagar, negando com convicção.

— Não é a mesma situação, Stan. Eu vi o pavor nos olhos daquela mulher no sábado e a postura da Fer ao acolhê-la foi impecável. Se houvesse qualquer ponta solta ou jogo duplo, a Fernanda teria percebido no mesmo minuto. Eu realmente acredito na dor e no medo da garota.

Stan assentiu de leve, resignado.

— Espero que você esteja certo, Dam. Pelo bem do Ozzie e da Fer.

— Eu estou — garanti.

Quando o carro finalmente manobrou pela alameda e parou na entrada principal, desci sentindo o alívio imediato.

Assim que empurrei as portas duplas de mogno, o som de risos infantis ecoou pelo mármore do hall. Dois pequenos furacões dispararam pelo corredor em disparada na minha direção.

— PAPAI!!

— PAPAI DAM!!

Me abaixei no mesmo segundo e ergui os dois de uma vez só, um em cada braço. Luca passou as mãozinhas pelo meu pescoço e Ellie colou a bochecha macia na minha barba.

— Oi, meus amores! — enchi o rosto dos dois de beijos estalados, sentindo o peito se aquecer por completo. — Como foi o dia de vocês?

Luca começou a gesticular animado.

— Papai, a gente montou um castelo gigante de blocos na sala e depois fomos ver os peixinhos do lago!

— E a Ari deu três passinhos sozinha sem cair, papai Dam! A tia Tay quase chorou gritando! — Ellie completou com os olhos arregalados de entusiasmo.

— É mesmo, minha princesa? Que orgulho da nossa pequena Ari!

Abracei os dois com força, mas o meu olhar varreu a sala de estar ampla e a escadaria principal. A ausência da mulher que comandava a minha vida foi sentida no mesmo milésimo de segundo.

— Onde está a Emma? — perguntei, olhando para os dois no meu colo.

Aubrey, que estava encostada no arco da sala abraçada à cintura de Stan, respondeu:

— Ela não estava se sentindo muito bem agora no fim da tarde, Dam. Teve um pouco de enjoo e cansaço, então subiu para o quarto para descansar até a hora do jantar.

O sinal de alerta disparou no meu peito. Pousei as duas crianças no chão, acariciando os cabelos de ambos.

— Vão lá com o tio Stan e a tia Bree lavar as mãozinhas que o papai já desce. — as crianças assentiram, olhei para a Aubrey que já segura na mãozinha de ambos. — Obrigado, Bree.

Subi a escadaria principal de dois em dois degraus, com o coração acelerado.

Girei a maçaneta da nossa suíte com o maior cuidado do mundo para não fazer barulho. O quarto estava na penumbra absoluta, com as cortinas pesadas bloqueando qualquer resquício de luz do entardecer e o ar-condicionado mantendo uma temperatura fresca e agradável.

Emma estava deitada de lado no meio da cama, encolhida sob o edredom os cabelos espalhados pelo travesseiro.

Tirei o paletó e joguei sobre a poltrona, afrouxei a gravata com um puxão rápido e tirei os sapatos. Caminhei descalço pelo carpete e me deitei atrás dela. Fiquei em silêncio por alguns instantes apenas observando a respiração compassada da minha mulher, admirando a delicadeza de cada traço do seu rosto sereno.

Inclinei o tronco devagar e desci os lábios pela linha macia do pescoço dela, depositando um beijo úmido e demorado contra a sua pele quente.

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