Capítulo 243 — O Preço da Liberdade
Katlyn Pratt
O ar no subsolo parecia congelado.
As portas metálicas do elevador ainda vibravam atrás de nós, mas Estevan havia estancado no meio do primeiro passo. Os seis seguranças que o escoltavam congelaram no lugar, as mãos travando sobre as armas ao darem de cara com a muralha à nossa frente.
Juan Rivera mantinha sua postura, tragando o charuto com a calma de quem apenas assiste ao cair da tarde. Ao lado dele, Christopher Lawson cruzava os braços com um sorriso de escárnio estampado no rosto, enquanto três homens de preto mantinham fuzis apontados em ângulos para as cabeças dos seguranças do Estevan.
— Vai a algum lugar, senhor Vance? — Juan repetiu a pergunta, a voz mansa, rouca e gélida.
Estevan engoliu em seco. A arrogância que estampava o rosto dele no andar de cima se esfarelou em uma fração de segundo, dando lugar a uma palidez.
— Snake… Juan Rivera.
— Vejo que o seu pai teve a decência de te ensinar alguns nomes importantes antes de te dar mesada para brincar de predador — Snake soltou a fumaça cinzenta no ar úmido do estacionamento. — Manda os seus cachorros soltarem as armas no chão agora. Se um único dedo aí levantar mais do que o necessário, eu mando recolher vocês de balde.
Dois seguranças do Estevan nem esperaram a ordem do chefe; abriram os paletós devagar com as pontas dos dedos e jogaram as pistolas no piso de concreto com estrondos ocos.
Estevan tentou puxar o ar, a mandíbula tremendo de pavor.
— Isso… isso é um mal-entendido, senhor Rivera. Essa mulher é minha noiva. Nós estávamos apenas…
— Cala essa boca imunda antes que eu perca a paciência — a voz do Dominic cortou o espaço como um raio.
A porta corta-fogo das escadas de emergência foi aberta com um estrondo violento. Dominic, Ambrose, Tristan, Gael e dois agentes federais passaram em disparada com as armas em punho.
E, à frente de todos eles, vinha o Bruno.
O agente federal parecia uma força da natureza desgovernada. Os olhos dele eram poços de puro ódio quando varreram a cena e encontraram a marca vermelha do tapa no meu rosto e o filete de sangue no canto da minha boca.
— Solta ela agora, seu verme! — Bruno rosnou, o cano da pistola cravado na testa do Estevan a três passos de distância.
Estevan recuou as mãos de mim em um solavanco, como se a minha pele tivesse pegado fogo. O medo do Snake misturado à autoridade furiosa do FBI quebrou qualquer resquício de poder que ele achava que tinha.
Corri.
Minhas pernas bambearam, mas me joguei em direção ao Bruno. Braços fortes me envolveram no mesmo segundo, me puxando contra um peito sólido como aço. Bruno me envolveu com um dos braços de forma protetora enquanto mantinha a arma firme com a outra mão.
— Você está bem? — ele fixou os olhos no meu rosto — Ele te machucou em mais algum lugar? — a voz dele veio ríspida pela adrenalina, mas carregada de um desespero tão íntimo e protetor que fez o meu peito doer de alívio.
— Estou… estou inteira — sussurrei com a testa colada no peito dele, sentindo as lágrimas finalmente lavarem o terror da minha pele.
Dominic deu dois passos à frente, tirando as algemas de aço do cinto.
— Estevan Vance, você está preso por tentativa de sequestro, agressão física qualificada e ameaça armada.
Ambrose parou ao lado do Dominic, encarando o herdeiro com um desprezo palpável.
— Acabou, Vance. O seu império de papel acabou. Você nunca mais encosta nela!
Juan deu dois passos para a frente, jogando a cinza do charuto no chão.
— E para o seu governo, moleque… enquanto você brincava de seguir a Katlyn neste shopping, a procuradoria federal e os meus contatos em Albany receberam a cópia integral das contas secretas do seu pai nos portos de Nova Jersey. A carreira política do senador Álvaro Vance acaba de ser sepultada. Você não tem mais imunidade, não tem dinheiro e não tem para onde correr.
A expressão do Estevan se desfez em um terror absoluto. As pernas dele tremeram.
Eu respirei fundo pela primeira vez em meses. O pesadelo tinha chegado ao fim. Nós tínhamos vencido.
Foi exatamente nesse milésimo de segundo de alívio que o inferno resolveu cobrar o seu preço.
O som agudo de pneus cantando no concreto polido ecoou como um trovão pelas colunas da garagem.
Uma SUV preta, com vidros escuros e parachoque de impulsão reforçado, surgiu em alta velocidade da rampa lateral, acelerando direto contra o nosso grupo em uma manobra suicida.
— CUIDADO! — Chris berrou a plenos pulmões.
O caos se instalou em uma fração de segundo. Homens se jogaram para os lados, os homens do Juan abriram fogo contra o bloco do motor, e os estampidos secos dos disparos ensurdeceram o subsolo.
Bruno me empurrou para trás de uma coluna de concreto com o próprio corpo, usando as costas largas como escudo humano para bloquear qualquer estilhaço ou bala perdida. Ele disparou duas vezes na direção do para-brisa da van, que derrapou lateralmente a poucos metros de nós, levantando fumaça cinzenta de borracha queimada.

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