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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 242

Capítulo 242 — A Sombra do Carrasco

Katlyn Pratt

A última semana foi um borrão de ansiedade pura. A cada nascer do sol, um nó apertava a boca do meu estômago com a certeza de que a calmaria na mansão tinha prazo de validade.

E, no meio de todo esse turbilhão, Bruno Coletti não saía da minha cabeça nem por um segundo.

Enquanto praticamente todas as mulheres da casa pareciam nos empurrar um para o outro, rindo da atração óbvia que faiscava no ar toda vez que nossos olhares se cruzavam, o Ambrose mantinha aquela postura mais séria, quase desconfiada.

Eu entendia perfeitamente o lado dele. Não existia mais nenhum sentimento romântico entre nós, mas o Ozzie é protetor por natureza. Ele achava que, depois de todo o inferno que vivi nos últimos meses, eu precisava primeiro colocar a minha cabeça no lugar, lamber as minhas feridas e reconstruir a minha vida antes de cogitar me envolver com alguém.

No fundo, eu sabia que a lógica dele fazia sentido. O Estevan me quebrou por dentro, me encheu de marcas, medos e traumas que levariam tempo para cicatrizar. Mas a questão é que, quando eu olhava para o Bruno, todas essas dúvidas lógicas simplesmente desmoronavam.

Aquele homem sério, com ombros largos e um olhar escuro e penetrante, fazia o meu pavor recuar. Toda a insegurança dava lugar a uma vontade absurda de me jogar nos braços dele e me sentir segura.

O dia amanheceu cinzento e pesado. Era hoje. A melhor opção, a única forma de arrancar esse monstro da minha sombra de uma vez por todas.

Antes de entrarmos no carro, Bruno quebrou o protocolo, me puxou para um canto reservado da varanda e me envolveu em um abraço tão firme, tão protetor e quente, que se eu pudesse, teria guardado aquela sensação em uma caixinha para o resto da vida.

Ele segurou meus ombros, me fez prometer que não cometeria nenhuma imprudência e, antes de me soltar, abaixou o rosto e sussurrou bem rente ao meu ouvido que, assim que esse pesadelo acabasse, ele queria me levar para jantar se eu deixasse.

Meu “eu deixo” saiu sem um único milésimo de hesitação.

O caminho até o shopping foi leve e surpreendentemente divertido. Estar cercada por Taylor, Fernanda, Emma e Aubrey era uma experiência completamente nova. Não que eu não gostasse da Giovanna e da Tiffany, mas aquelas duas sempre carregaram uma energia tensa, cheia de aparências.

Já essas mulheres aqui… mesmo com as cicatrizes pesadas que a vida lhes deu, elas tinham uma luz própria, uma força que contagiava qualquer um. A cada risada solta dentro daquele carro, eu sentia um desejo imenso de pertencer àquilo. De ser família, como elas eram.

No shopping, elas me arrastaram para dentro de uma loja de lingeries. Entre a vergonha e os risos, quando a Tay revelou que o Bruno estava na escuta e tinha dito com todas as letras que adorava a cor vermelha, um arrepio subiu dos meus pés até a nuca.

O sangue ardeu nas minhas bochechas diante da constatação de que ele realmente estava prestando atenção em cada detalhe meu. Emma pagou pelo conjunto e me entregou a sacola como um presente de boas-vindas. Olhei para aquela embalagem delicada agradecendo a Deus em silêncio por ter colocado pessoas tão boas no meu caminho.

Mas o meu conto de fadas durou apenas os poucos passos que demos para fora da loja.

No meio do corredor de piso brilhante, o meu mundo simplesmente parou.

Ali estava ele.

Estevan Vance.

O corte de cabelo impecável, o terno sob medida cinza-chumbo, cercado por seis seguranças com postura militar e mãos enfiadas sob as lapelas dos paletós. O mesmo olhar frio, prepotente e doentio que protagonizou os meus piores pesadelos.

O ar sumiu dos meus pulmões. O pânico primitivo me atingiu como uma martelada, e dei um passo para trás por puro instinto, sentindo as pernas bambearem enquanto a memória da dor física me inundava a mente.

Fernanda foi mais rápida. Ela segurou a minha mão com tanta força que os nós dos nossos dedos ficaram brancos, me puxando para trás das suas costas. Taylor, Emma e Aubrey formaram uma barreira viva à minha frente.

Estevan abriu um sorriso asqueroso, desdenhoso, cravando os olhos fixos em mim.

— Ora, ora… Então os boatos eram verdadeiros. O meu passarinho finalmente resolveu sair da gaiola.

Ele deu dois passos largos na minha direção, mas Taylor se projetou à frente, o queixo erguido e a expressão de puro deboche.

— Parou aí, engomadinho! Dá meia-volta e rasteja de volta para o esgoto de onde você saiu.

Dois seguranças dele deram um passo coordenado, abrindo o leque para cercar as laterais do nosso grupo.

— Não me faça perder a paciência com você, garota — Estevan avisou, a voz mansa e asquerosa. — Eu vim buscar o que é meu por direito. Katlyn, saia do meio dessas vadias agora e venha para cá.

— Ela não vai a lugar nenhum com você, seu lixo — Fernanda cuspiu as palavras, mantendo o corpo firme na minha frente.

Taylor deu um meio sorriso provocativo, deslizando a mão por baixo do tecido leve da jaqueta.

— É bom você olhar muito bem ao redor, filhinho de papai. Estamos em um shopping lotado, em plena luz do dia. Dá mais um passo e pensa bem no que vai fazer.

Estevan soltou uma risada rasteira, balançando a cabeça.

— Você acha que eu tenho medo de um bando de mulheres e de testemunhas idiotas? Eu não temo nada e nem ninguém.

Taylor gargalhou alto, fazendo eco pelo corredor.

— Nem do seu papaizinho senador? O que será que a mídia e o velho Vance vão achar quando virem o filhinho mimado saindo daqui algemado e preso por agressão no meio de Manhattan?

A feição de Estevan escureceu na mesma hora, os lábios se estreitando em uma linha de puro ódio.

— Não existe a menor possibilidade disso acontecer, sua desbocada. Eu nunca vou ser preso. Homens como eu nunca são pegos.

— Tem certeza absoluta disso? — Taylor provocou, com aquele olhar afiado.

Um dos seguranças dele tocou no ponto eletrônico da orelha e deu um passo apressado, sussurrando perto do chefe.

— Senhor Vance, temos movimentação rápida no piso inferior. Estão fechando os acessos.

Estevan franziu o cenho, o ódio deformando os seus traços. Ele perdeu o resto da compostura e avançou com brutalidade em direção ao nosso espaço.

O nosso preço é apenas 1/4 do de outros fornecedores

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