Capítulo 25 — Dor que não é minha
Damien Knight
Corri até Emma assim que nossos olhos se encontraram.
— Me dá ela. — falei.
Savannah veio ao meu lado, e colocou o respirador na Ellie.
— A saturação deve ter caído, precisamos levá-la ao hospital agora! — ela disse enquanto eu me levantava com a menina.
Olhei para Ozzie.
— Carro. Agora! — Meu primo correu e eu fui pra trás.
— Ellie… por favor. Ellie… — Emma dizia em desespero.
Leah, Nina e Bree apareceram e eu gritei.
— CUIDEM DO LUCA.
Elas assentiram, Ozzie parou o carro ao nosso lado. Entrei com a menina no meu colo e Emma ao meu lado. Savannah foi ao lado de Ambrose e meu primo saiu cantando pneu.
— Onde? — Ele perguntou.
— Memorial. — respondi.
Emma chorava passando a mão no cabelo da irmã.
— Não dá tempo. — Savannah disse tirando o aparelho que ela havia colocado no dedo de Ellie. — A saturação dela caiu muito, e mesmo com o respirador continua caindo.
— Estadual — falei para o Ambrose que acelerou o carro.
— Ellie, por favor, meu amor, não me deixa. Eu não consigo viver sem você, eu não sobrevivo sem você — Emma falou, as palavras saindo entrecortadas por um soluço tão profundo que fez todo o seu corpo vibrar contra o meu. Ela inclinou o tronco, deixando a cabeça repousar sobre a perninha da irmã que ainda estava em meu colo, e o som que escapava de sua garganta era um lamento quebrado, quase inumano.
A dor da Emma começou a se tornar a minha e eu nem entendia porque. Olhei para a pequena em meus braços, sua respiração era praticamente imperceptível, seu rosto não tinha cor e seus lábios estavam ficando levemente arroxeados.
Emma não parou de chorar e implorar a irmã nem por um minuto. Levei minha mão livre até seus cabelos e acariciei por um minuto. Ela me sentia, eu sei que sim, mas não disse nada e eu nem esperava que dissesse.
Porque naquele momento o medo dela era o meu… Olhei mais uma vez para a pequena em meu colo.
“O medo que ela morresse em meus braços”.
Depois de quinze minutos que pareceram eternos, entramos no hospital estadual. Não gostava deste lugar, mas Savannah estava certa, Ellie não resistiria a demora.
— Precisamos de atendimento. AGORA! — Ambrose disse abrindo caminho para nós.
— O que houve? — Uma enfermeira se aproximou com uma maca e mesmo relutante coloquei a menina nela.
Eu não ouvi. Eu não podia ouvir nada além dos soluços da Emma.
Avancei. Em dois passos, eu estava sobre o enfermeiro. Minha mão disparou, agarrando o colarinho do seu uniforme com tanta força que ouvi o tecido esticar. Eu o suspendi, o forçando a ficar na ponta dos pés, o prensando contra a parede lateral do corredor.
— Escuta aqui, seu desgraçado — minha voz saiu baixa, perigosa, como o rosnado de um animal ferido. — Você vai tirar a mão dessa maca agora. Você vai abrir aquela porta e vai chamar a porra do médico.
— O senhor está me agredindo... segurança! — o homem tentou gritar, mas o aperto no seu pescoço o impediu.
— Eu vou fazer muito pior se o coração daquela menina parar — rosnei, aproximando meu rosto do dele. Senti o cheiro de medo vindo dele, mas minha empatia estava morta. — Ela vai passar. Agora.
— Dam, solta ele! Você vai ser preso! — Ambrose gritava ao meu lado, tentando me puxar, mas eu era uma rocha.
No chão, Emma continuava desabada, os dedos arranhando o piso enquanto Savannah e a outra enfermeira tentavam desesperadamente ajustar a máscara de oxigênio manual na pequena Ellie, que estava ficando cinza. O caos era total: bipes de monitores ao fundo, gritos de outros pacientes, a voz de Ozzie tentando conter os seguranças que se aproximavam e o choro dilacerante da mulher que estava começando a significar tudo para mim.
— Temos protocolos! — o enfermeiro arquejou, tentando se soltar. — Não há leitos!
— Crie um! — gritei, apertando ainda mais o colarinho dele, sentindo o sangue pulsar selvagem nas minhas têmporas.
Eu estava disposto a destruir aquele hospital inteiro para que Emma não tivesse que chorar mais um segundo. A dor dela estava me matando, e a única forma de parar isso era salvando a pequena naquela maca que agora parecia uma boneca de porcelana quebrada.
— LEVEM A MENINA PARA O BOX QUATRO! AGORA!
A voz cortou o tumulto como um trovão. Todos paralisamos. Soltei o homem no baque e respirei aliviado. Meu amigo Elijah Cross estava ali, e agora eu sabia que a pequena Ellie tinha uma chance.

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