Capítulo 36 — Três segundos
Emma Anderson
A lembrança do beijo do Damien ainda queimava em meus lábios. Mas havia outra coisa que me queimava: a raiva que estava sentindo dele. Depois de semanas com toda essa tensão entre nós, quando finalmente nos beijamos… ficamos por isso mesmo?
Ele não queria que eu saísse com Ozzie e Bree, mas também não queria admitir o que queria para nós. Ele queria ficar comigo só uma vez e pronto? Queria que isso se tornasse algo mais? Queria um compromisso comigo?
Bree me questionou sobre ele estar em meu quarto e o que havia acontecido, mas eu disse que depois contaria, pois estávamos atrasadas. Me arrumei. Bree me maquiou e saímos do quarto juntas e rindo. Encontramos Tristan parado no topo da escada, de braços cruzados e sua expressão de sempre.
— Boa noite, meninas — ele disse com um sorriso de lado e os olhos cravados na Bree.
Mas eu não o julgo; minha amiga estava linda. Ela usava um jeans escuro e um body de tule bordado que mostrava bem o que o uniforme do dia a dia escondia.
— Boa noite, senhor Blackwood — respondemos juntas e descemos as escadas correndo. Quando olhamos para trás, ele estava virado, nos olhando. Bree lançou uma piscadinha para ele e eu ri do jeito dela.
— Ousada… — falei.
Ela deu de ombros e me respondeu:
— Só hoje.
Saímos e o vento da noite nos atingiu. Ozzie já nos aguardava; ele estava lindo com uma camisa azul com os primeiros botões abertos e as mangas dobradas até os cotovelos, deixando à mostra as tatuagens que ele tinha.
— Boa noite, minhas lindas — ele disse com um sorriso. — Prontas para se divertirem?
— Eu nasci pronta, senhor Blair — Bree respondeu, se ajeitando.
— Ozzie, Bree, por favor. Nada de "senhor" — a forma como ele a corrigiu deixou minha amiga sem graça.
Ele abriu a porta de trás para ela entrar e a da frente para mim. A viagem até a tal boate foi divertida. Conversar com Ozzie era fácil demais; ele era o completo oposto de Damien. Ele não tinha medo de mostrar o que sentia, era divertido na maioria das vezes e atencioso até demais. Ozzie notava tudo ao nosso redor. Eu via que ele não era controlador como o Damien. Um dia fiz esse comentário e ele só respondeu: “Gosto de controle. Mas não desse jeito”. No dia, o questionei e ele só riu de mim.
Chegamos à boate e a fila era enorme.
— Estamos em uma boate ou em uma liquidação? — Bree disse, indignada.
Ozzie passou o braço pelo meu ombro, depois pelo da Bree.
— Acham mesmo que mulheres lindas como vocês pegam fila?
Nós duas olhamos para ele, confusas. Ele fez sinal com a cabeça e disse:
— Vamos, nossa entrada não é essa.
Ele manteve os braços sobre nós e caminhamos com ele. Chegamos a uma porta na lateral da entrada principal; ele cumprimentou um homem que deu um aceno e um sorriso e nos deixou passar. Seguimos para a área “Vip”. O lugar ficava bem em frente à pista de dança e ao lado do bar.
— Isso é que é privilégio — Bree disse, deslumbrada.
— Fiquem à vontade, vou pedir as bebidas e já volto — Ozzie nos disse.

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