Capítulo 35 — O que você quer?
Damien Knight
Depois da minha conversa com o Ambrose, minha cabeça não parou um minuto de pensar em Emma, e isso estava me deixando louco. Eu nunca, em toda a minha existência, me senti tão atraído assim por alguém. Nunca senti um ciúme incontrolável desse jeito; eu sempre fui o cara do controle e acho que, por sempre tê-lo, nada me abalava.
Mas, do dia em que Emma Anderson entrou em minha vida, tudo isso mudou. Ela me enfrenta, me desafia, me irrita e, mesmo assim, tudo o que eu quero é estar com ela. Pronto. Era isso que ela e Ambrose queriam que eu admitisse? Então, eu admito.
Esperei o dia inteiro para conseguir conversar com ela. E, assim que respondi às perguntas que ela havia feito mais cedo, ela me questionou mais uma vez:
— Agora você sabe?
— Sei — respondi, sem desviar meus olhos dos dela.
— Vai me contar? — ela perguntou, e notei o quanto ela já estava afetada com a minha aproximação.
Passei o braço pela cintura dela, encostando completamente nossos corpos.
— Não… — falei, e a confusão em seu rosto me fez sorrir. Passei a mão por seu rosto e fui descendo até encontrar sua nuca; a puxei totalmente para mim. E, dessa vez, respondi do jeito certo: — Não vou contar. Eu vou mostrar.
E então, eu a beijei.
Não foi um toque cauteloso ou uma pergunta silenciosa. Foi uma afirmação. Meus lábios encontraram os dela com uma urgência que eu vinha sufocando há semanas, e o choque térmico foi imediato. Emma soltou um suspiro entrecortado contra a minha boca, um som de surpresa que rapidamente se transformou em rendição.
Ela era doce. Tão absurdamente doce que, por um segundo, o instinto de posse que corre nas minhas veias rugiu, exigindo que eu a reivindicasse ali mesmo. Minha mão na nuca dela se fechou com um pouco mais de firmeza, a trazendo para o ângulo perfeito, enquanto a outra mão, espalmada em sua cintura, a puxava para cima, a forçando sentir o quanto ela me afetava.
Eu senti o tremor dela. Era sutil, vindo do fundo dos seus ossos, e isso me deu um tipo de poder que nenhuma transação de bilhões de dólares jamais me deu. Emma levou as mãos ao meu peito, os dedos agarrando minha camiseta como se estivesse tentando se segurar em meio a um furacão.
Mordi levemente seu lábio inferior, ouvindo seu fôlego falhar, e então aprofundei o beijo. Minha língua invadiu o território dela com a autoridade de quem conhece o caminho, mas o que encontrei me desarmou: uma inexperiência adorável misturada a uma paixão crua. Ela não sabia exatamente o que fazer, mas queria tudo o que eu tinha a oferecer.
O beijo se tornou ruidoso, úmido, carregado de uma eletricidade que parecia estalar no ar do quarto. Eu a queria mais perto. Sem romper o contato dos nossos lábios, comecei a caminhar, a forçando a recuar passo a passo. Eu sentia o calor da pele dela através da roupa, o perfume de baunilha que agora estava impregnado em meus sentidos. Quando a parte de trás dos seus joelhos encontrou a beirada da cama, eu não parei.
Inclinei meu corpo, a guiando para trás com cuidado, mas sem soltar sua boca. Emma caiu suavemente sobre o colchão e eu a segui, cobrindo seu corpo com o meu. O peso da minha estrutura sobre a dela arrancou um gemido baixo de sua garganta, que quase me fez perder o pouco controle que me restava. Eu era um predador, e ela era tudo o que eu precisava para me sentir vivo.
Parei o beijo por um segundo, apenas o suficiente para respirar o mesmo ar que ela. Me apoiei nos cotovelos, me mantendo sobre ela, e levei minhas mãos ao seu rosto, afastando os fios de cabelo que insistiam em cair sobre seus olhos brilhantes e dilatados.
Emma me encarava com uma mistura de choque e adoração. Suas bochechas estavam coradas, os lábios inchados e avermelhados pelo meu contato. Ela parecia um anjo caído na cama, e a percepção de que aquela mulher, com toda a sua coragem e seus mistérios, estava entregue a mim fez o meu coração bater com uma violência desconhecida.
— Você não tem ideia — sussurrei, minha voz saindo mais rouca do que eu pretendia enquanto meus dedos acariciavam suas têmporas. — Do quanto eu esperei por isso, Emma Anderson.
Eu a observei com uma intensidade que beirava o perigoso. Eu não ia apenas contar a ela o que sentia. Eu ia gravar cada sensação na memória dela, até que ela entendesse que, a partir daquele beijo, não existia mais volta para nenhum de nós dois.
— Acho que tenho, porque eu também esperei — ela disse, sorrindo e passando os dedos em meu rosto, me causando arrepios.
Desci os lábios até os dela novamente, em um beijo suave dessa vez, sem a urgência do primeiro. Quando nos separamos, ela me olhou por um segundo, até que algo brilhou em seus olhos.
— Merda! — ela xingou e a olhei confuso.
— O que foi? — perguntei, enquanto ela me empurrava de cima dela.
— Estou atrasada! — Emma disse, praticamente pulando da cama.
— Atrasada?

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