Capítulo 38 — O que fazemos agora?
Emma Anderson
O choque com os babacas inconvenientes não foi nada comparado ao de ver Damien aqui. Mas o choque se transformou em raiva quando percebi que, na verdade, ele veio até aqui para mais uma vez tentar estar no controle.
Bree me chamou para dançar e eu aceitei, porque foi para isso que eu vim até aqui: para me distrair. Me divertir. Para me lembrar que, mesmo depois de tudo o que passei, eu ainda sou uma garota de vinte e dois anos que merece algo assim.
Estávamos distraídas quando Tristan apareceu e puxou Bree para ele. E minha amiga, claro, aceitou de bom grado; quem não aceitaria? Mantive meu ritmo, fechei meus olhos e me entreguei àquele momento de “liberdade”.
Até que fui interrompida por um cara. Ele não era lindo como o Damien, mas era… ok. Ele parou na minha frente e, com um sorriso, me perguntou:
— Atrapalho? — Mantive meu ritmo e só neguei com a cabeça.
Ele, persistente, estendeu a mão e disse:
— Prazer, eu sou o Mike. — Antes que eu respondesse, uma voz veio de trás de mim:
— Vaza, Mike. — Me virei, confusa.
— Damien?! — Mike, ainda de um jeito tranquilo e educado, perguntou a ele:
— E você é?
Damien me puxou pela cintura e colou minhas costas em seu peito. E, contrariando toda a lógica, ele respondeu:
— Sou o namorado dela.
A resposta dele foi tão inusitada que virei o rosto para encará-lo, mas ele manteve os braços em mim, com os olhos cravados no rapaz à nossa frente.
— Ah… — Mike disse, sem graça. — Me desculpe, eu não sabia.
E, sem dizer mais nada, ele foi embora. Damien ainda estava agarrado a mim quando me virei em seus braços para olhá-lo.
— O que foi isso? — perguntei, já sabendo a resposta. Aquilo não era ele me assumindo, decidindo o que queria para nós. Aquilo era só Damien Knight mostrando, ou acreditando, que estava no controle.
— Estava afastando mais um babaca que claramente queria estragar a sua noite.
Cruzei os braços, abaixei a cabeça por um segundo e ri. Mas não havia humor nenhum. Levantei o olhar para encará-lo.
— Sabe quem está estragando minha noite, senhor Knight? — Descruzei os braços, estufei o peito e o enfrentei com coragem: — Você!
Saí da pista de dança e voltei para a área VIP.
— Emma!! — o ouvi me chamar, mas o ignorei.
Me aproximei da nossa mesa; Ozzie, assim que me viu, levantou o copo e me entregou. O virei de uma vez e me joguei ao seu lado.
— Um drink se degusta — ele disse em um tom divertido.
Olhei para ele com raiva e ele riu.
— Relaxa, linda. Com o tempo ele… — mas não o deixei terminar.
— Piora.
Damien se aproximou e ficou parado bem na minha frente.
— Emma…
— Senhor Knight, eu não sei se o senhor se recorda, mas hoje é minha folga. Se pudesse me deixar aproveitá-la, eu seria grata.
O mundo ao redor, a música alta, as luzes piscando, o movimento da boate, tudo isso simplesmente desapareceu. Só existia o gosto de uísque e hortelã da sua boca e a pressão das suas mãos grandes apertando minhas coxas, me mantendo presa a ele como se eu fosse sua única âncora.
Levei minhas mãos aos seus ombros, subindo até seu pescoço, sentindo a pulsação acelerada sob sua pele. Eu estava afundando, e o pior era que eu não queria ser salva. O beijo se tornou profundo, faminto, uma conversa sem palavras onde ele exigia tudo de mim e, por Deus, eu entregava de bom grado.
A forma como ele me segurava me fazia sentir pequena, mas ao mesmo tempo a pessoa mais importante daquele lugar. Era uma contradição irritante: ele me tirava a liberdade com aquele abraço, mas me dava uma sensação de segurança que eu nunca experimentei antes.
Quando o ar se tornou escasso e nossos pulmões imploraram por trégua, Damien afastou os lábios apenas alguns milímetros, mantendo nossas testas coladas. Sua respiração estava tão descompassada quanto a minha, e o calor que subia pelo meu pescoço denunciava o quanto eu estava afetada.
Abri os olhos devagar, encontrando o azul dos dele mais escuros que o normal, sob a meia-luz do camarote. Ele me encarava com uma intensidade predatória, mas havia algo mais ali... uma vulnerabilidade que eu nunca tinha visto. Ele me beijou novamente, mas lento dessa vez.
— Você me deixa louco, Emma Anderson — ele sussurrou contra meus lábios, a voz tão rouca que parecia arranhar o ar. — Você me desafia, me enfrenta... e tudo o que eu consigo pensar é que não suporto a ideia de outro homem sequer respirar o mesmo ar que você.
Eu queria dizer que ele era um babaca possessivo. Queria dizer que ele não tinha esse direito. Mas as palavras morreram na minha garganta quando ele deslizou a mão pela minha lateral, apertando minha cintura com uma possessividade que me fez estremecer.
— Isso não responde minha pergunta, Damien — consegui dizer, embora minha voz estivesse trêmula e sem a autoridade que eu pretendia.
— Eu sei — ele respondeu, roçando o nariz no meu, um gesto tão íntimo que me desarmou completamente. — Mas enquanto eu não encontro as palavras certas... eu vou continuar te mostrando que, para mim, você é muito mais do que a babá do meu filho.
Fechei os olhos, sentindo o peso daquela declaração silenciosa. Ele ainda não tinha dado o nome que eu queria, mas a forma como ele me segurava dizia que ele não estava pronto para me soltar.
Desci meus lábios até os dele e os deixei ali uns segundos a mais. Passei a mão por seu rosto, sentindo sua barba, e perguntei:
— O que fazemos agora? — Damien apertou os braços em minha cintura, me abraçando mais forte.
— O que você quiser. — Sorri para ele.
Me virei para olhar a Bree, que ainda se divertia com Tristan na pista de dança; ao canto estava Ozzie conversando com a morena. Voltei a olhar para o loiro lindo à minha frente.
— Quero ir para casa.

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