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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 43

Capítulo 43 — Eu aceito

Emma Anderson

Acordei, mas demorei para abrir os olhos. Fui deixando a minha mente trabalhar para me situar ao ambiente. Ouvi barulhos de bipes ao longe, sentia o lençol gelado, mas havia algo quente ali: uma mão com os dedos entrelaçados aos meus.

Pisquei algumas vezes até que, finalmente, abri meus olhos. Quando virei a cabeça, havia dois pares de olhos azuis me encarando. Ele deu um sorriso para mim, mas ele não chegou aos olhos. Damien desceu os lábios até os meus e me deu um beijo lento, suave, diferente dos que trocamos na boate e no seu carro. Quando nos separamos, ele acariciou os meus cabelos.

— Oi… — ele disse em um tom que era novidade para mim.

— Oi — respondi com a voz arranhada de sono. — O que aconteceu?

— Você não lembra? — Franzi o cenho, puxando na memória. Lembrava de nós. Depois eu dormindo. Um sonho… acho que é isso, teve um sonho, mas depois era só vazio.

— Lembro que estava dormindo — respondi — E acho… — parei por um instante, buscando novamente em minha mente — acho que sonhei.

Damien passou a mão no meu rosto, beijou minha testa e depois me explicou:

— Ouvi você gritando, fui até seu quarto, você estava sonhando. Dizia coisas desconexas, chamou pelo seu pai.

A menção do meu pai fez meu coração acelerar. O aparelho ligado a mim começou a apitar. Damien parou de falar no mesmo instante.

— Está tudo bem, querida? — ele perguntou, preocupado.

— Eu não lembro as coisas que eu disse. — Era verdade; eu não me lembrava, e era isso que estava me assustando. E se falei do acidente? E se ele já sabe? Mas ele não estaria me segurando se soubesse, né? Ele estaria me odiando. Senti minhas mãos tremerem. Damien as segurou com carinho e as beijou.

— Não vamos falar sobre isso, não agora. — Ele falou sério. Agradeci a Deus mentalmente. Ele ainda não sabia.

A porta se abriu e uma mulher bonita, com um sorriso acolhedor e, ao mesmo tempo, conhecido, entrou.

— Boa noite, Emma — ela disse, se aproximando. — Sou a doutora Esther Cross Rivera.

— Cross? Como o doutor Elijah? — ela assentiu.

— Somos irmãos — me respondeu com um sorriso que tentei retribuir.

— Esther — Damien chamou a atenção da médica. — Ela não se lembra do que aconteceu, isso é normal?

— É sim, querido — ela garantiu. — Nós chamamos isso de amnésia dissociativa. É quando a mente bloqueia lembranças dolorosas como forma de proteção. Você disse que a encontrou confusa ainda em meio ao sonho, certo?

— Sim.

— O que acontece agora é que o cérebro dela está mandando uma mensagem; ele está dizendo: “isso é demais… eu não vou deixar você acessar agora”. Mas, com o passar dos dias, às vezes em algumas horas, ele vai liberando aos poucos, no tempo em que ele entender que ela está pronta para lembrar.

Eu não me lembrava de hoje, mas imaginava o que sonhei.

— Posso levá-la para casa agora? — Damien perguntou.

— Sim, eu vim exatamente por isso. A alta está pronta e aqui está a receita com o remédio que te falei. É um ansiolítico para ajudá-la nos próximos dias, mas minha recomendação maior ainda é o acompanhamento psicológico.

— Acompanhamento psicológico? — perguntei em um sussurro.

— Esther falou comigo sobre isso. Conversamos quando você estiver melhor a respeito — Damien disse em um tom firme, deixando claro que agora não era o momento.

Assenti com um aceno e, em alguns minutos, seguimos para fora do hospital; eu em uma cadeira de rodas, que a enfermeira disse ser procedimento padrão, e Damien ao meu lado. Assim que chegamos à recepção, encontramos Tristan e Bree.

— Em! — minha amiga gritou, correu até mim e me abraçou. — Como está se sentindo?

— Meio grogue e com muito sono. — respondi sincera.

— É normal pela medicação — a enfermeira que estava empurrando a cadeira me disse. — Quando chegar em casa, recomendo um banho para relaxar e depois, cama — ela falou com um sorriso.

Agradeci à mulher. Damien insistiu em me pegar no colo, já que eu estava descalça. Chegamos ao carro e James nos aguardava.

— Em, como está se sentindo agora? — ele perguntou, abrindo a porta traseira.

— Estou bem, James, obrigada.

Damien me colocou no banco e sentou ao meu lado. James fechou a porta e deu a volta para se acomodar ao volante. Antes que eu processasse qualquer coisa, Damien me puxou para o seu colo.

— Damien! — chamei sua atenção, mas é claro que ele ignorou. — O James está aí.

Ele apertou o botão, subindo a janela que ficava entre os bancos, nos dando privacidade.

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