Capítulo 46 — Vamos conversar
Damien Knight
Desci para o café e todos ainda estavam à mesa. Ellie, como sempre uma tagarela, encheu Emma de perguntas, e eu acabei entrando na onda. Não entendi o motivo dela não contar que estávamos juntos, mas deixei as coisas rolarem; falaria com ela depois a respeito disso.
Ellie, então, fez a pergunta que eu queria: “Quando vou conhecê-lo?”. Emma tentou disfarçar e eu estava prestes a responder que ela já o conhecia, quando James apareceu.
— Senhor Knight, a portaria informou que chegou visita. — Olhei para ele, confuso, e perguntei:
— Visita? Não estou esperando ninguém. Quem é?
Mas ele não precisou me responder porque, em segundos, ela já estava ao lado dele.
— Sou eu.
— Verônica. — Meu tom saiu mais ríspido do que eu pretendia. — Quem autorizou sua entrada? — Ela me olhou confusa, como se não esperasse que essa fosse a minha reação.
— Tristan estava chegando, me viu no portão e autorizou.
E, como se tivesse sido invocado, meu amigo apareceu.
— Bom dia — ele disse, despreocupado.
Verônica me conhecia bem demais e sabia que sua presença sem ser convidada havia me incomodado. Ela me olhou e disse com um sorriso:
— Desculpe aparecer assim. Mas passei a noite na casa do meu tio e, como vocês são vizinhos, pensei em passar para dar um "oi".
Luca se mexeu na cadeira; Emma, que estava atenta à minha interação com Verônica, se levantou e o pegou no colo.
— Bem, se nos derem licença, vamos nos retirar — ela disse com meu filho no colo e segurando a mão da Ellie.
— Em… — chamei, mas o olhar que ela me deu dizia tudo; então, recuei.
Todos se retiraram, inclusive Tristan que saiu sem perceber da bomba ambulante que deixou entrar em minha casa. Na cozinha ficamos somente Verônica e eu.
— Espero não estar atrapalhando… — ela disse, se aproximando. — Mas estive tanto tempo fora; agora que voltei, queria aproveitar o tempo… — ela fechou a distância entre nós, colocou a mão no meu peito — com você.
Segurei o pulso dela firmemente para tirar sua mão de mim, e foi nesse instante que ouvi um barulho e, quando olhei, era Bree. Pela expressão em seu rosto, ela tinha entendido tudo errado.
— Bree… — falei, tirando a mão da Verônica de cima de mim.
— Desculpe, senhor. Eu vim para recolher a mesa do café.
Assenti e ela começou a fazer seu trabalho.
— Vamos para a sala — falei para Verônica, apontando para a porta, e ela me seguiu. Assim que chegamos, fiz sinal para que se sentasse no sofá e fui até a poltrona.
— Tudo está exatamente como eu me lembrava — ela disse.
— Clara nunca quis fazer mudanças, quis deixar como era na época dos meus pais.
— Sinto muito por ela, de verdade.
— Você já me disse isso naquele dia — rebati.
— Eu sei, só estou reforçando.
Levei meu corpo para frente alguns milímetros e encarei seus olhos castanhos.
— Me diz, Verônica, com sinceridade: o que faz aqui?
A pergunta a pegou de surpresa. Verônica e eu não terminamos da melhor maneira; passamos todo o período da faculdade juntos, eu cheguei até a pedi-la em casamento na época. Mas, num belo dia, ela simplesmente terminou comigo para ir embora para a Europa com o francês com quem ela me traiu. Foi nessa época que conheci Clara, no pior momento da minha vida, quando eu estava quebrado demais para acreditar em qualquer coisa.
Mas ela foi paciente e me mostrou que eu podia ser feliz mesmo depois do que a Verônica fez comigo. Nosso casamento não foi planejado; ela engravidou do Luca e decidimos nos casar. E essa foi a melhor decisão da minha vida naquela época, pois, mesmo eu não sendo tão aberto e com facilidade em demonstrar sentimentos, Clara me amou como eu era, aceitou o amor que eu tinha para dar e me deu Luca, que é a minha luz de todos os dias.
Verônica ainda digeria a minha pergunta; sabia que ela estava buscando as palavras certas, pois, sem elas, ela não me convenceria fácil.
— Dam, eu só queria te ver. Depois de todos esses anos e de todas as minhas tentativas frustradas de falar com você…

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