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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 47

Capítulo 47 — É memória

Emma Anderson

Eu precisei sair da cozinha, pois eu jamais conseguiria disfarçar o meu desconforto, ou ciúme, ao ver aquela mulher parada ali, com aquele ar prepotente e aquele sorriso ensaiado.

Peguei as crianças e fui para o jardim, mas o vento estava gelado e ainda precisamos evitar que Ellie pegue uma nova gripe e corra o risco de se tornar uma pneumonia. Minha irmã está bem, o tratamento é bem efetivo, mas tem coisas que é melhor evitar.

Decidi levá-los até a sala de TV, mas, assim que passamos pela sala principal, a cena que vi me atingiu. Não, ela não me atingiu; ela me irritou totalmente.

Verônica tinha os braços ao redor de Damien, que tinha as mãos em seus cotovelos. A cena era clara: a intimidade deles era gritante. Ellie acabou derrubando um retrato, pediu desculpas, também me desculpei, e ele teve a audácia de me chamar de “querida” na intenção de se justificar. Mas não dei chances; peguei na mão de Ellie e segui para a sala de TV.

— Em… — Bree me chamou, se aproximando. Entramos na sala e as crianças logo se distraíram. — O que foi? Você está tremendo — ela perguntou.

— Está tão óbvio assim? — Ela confirmou com a cabeça. — Acabei de ver o Damien na sala com a Verônica. Ela tinha os braços ao redor dele, Bree! Você acredita?

— Respira, amiga… — Bree disse na intenção de me acalmar.

A porta da sala abriu e ali estava ele.

— Bree, fique com as crianças, por favor — ele disse, me olhando. E posso garantir: se olhar matasse, neste exato momento Damien Knight estava morto. — Preciso falar com a Em — ele concluiu, mas logo rebati:

— Estou trabalhando agora, senhor Knight; podemos deixar essa conversa para depois.

Eu não perguntei se podíamos deixar; eu deixei claro que não iria falar com ele naquele momento.

— Não podemos — ele disse naquele tom que conheço bem, aquele de quem não aceita "não" como resposta. — Eu quero conversar agora. — Ele pegou minha mão e me puxou com tudo para o seu peito. — Então é agora que vamos conversar.

— Me solta, Damien! Eu estou trabalhando e não estou a fim de conversar com você agora.

Puxei minha mão, o obrigando a me soltar.

— Emma, não teime comigo. Nós vamos ao meu escritório agora conversar.

Ele pegou minha mão novamente e começou a me puxar para fora.

— Damien!! — Chamei sua atenção e ele, claro, ignorou. Assim que passamos pela porta e ele a fechou, consegui me soltar novamente.

— Você tem visita, senhor Knight. Não a deixe esperando por minha causa.

— Primeiro que Verônica não era uma visita; eu nem mesmo sabia que ela viria. — Cruzei os braços e virei o rosto para não encará-lo. — E segundo que eu já a mandei embora.

— Que conveniente — respondi, bufando.

— Olha, vamos ao escritório e lá conversamos, e eu te explico.

Me virei para ele:

— Explicar o quê? Como os braços dela foram parar acidentalmente no seu pescoço?

Damien passou a mão no cabelo, um gesto que eu já conhecia, era ele perdendo a paciência.

— Não foi acidental, foi intencional.

— Hum… — soltei, indignada. — E você ainda diz isso com tranquilidade?

— Foi intencional da parte dela, não da minha! — ele respondeu, irritado.

— Ah, por favor, Damien. Para cima de mim? É sério?

— Querida… — ele disse se aproximando e eu o fulminei, mas ele não se intimidou. — Não quero discutir, quero explicar. Você podia ser mais compreensiva.

— Compreensiva? — falei rindo, e minha risada não tinha humor nenhum. — Eu pego o meu namorado agarrado a outra mulher... — Notei um sorriso crescer em seus lábios, mas ignorei. — ...e eu tenho que achar normal? Ser compreensiva?

Damien fechou a distância entre nós e envolveu os braços pela minha cintura.

— Fala de novo — ele pediu com um sorriso malicioso.

— Falar o quê, seu babaca? — Damien nem mesmo se importou com meu xingamento, passou o nariz pelo meu pescoço e, mesmo sentindo meu corpo inteiro arrepiar, resisti e me mantive firme.

— O que eu sou seu… — ele disse em um tom quase meloso.

— Meu? Nada! — Damien levou a mão à minha nuca e, sem se importar onde estávamos, tomou a minha boca em um beijo faminto. E eu, idiota, cedi por alguns segundos. Mas só alguns.

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