Capítulo 59 — Controlador
Emma Anderson
Fiquei parada no topo da escada, o vendo ir embora. O toque dos lábios dele nos meus ainda ardia, mas o que ardia mais era a lembrança de suas palavras: “Eu não consigo… sinto muito”.
Damien não conseguia esquecer. Não conseguia me perdoar.
— Em… — a voz da Bree surgiu atrás de mim. — Está tudo bem? — perguntou, parando ao meu lado. Eu apenas assenti com a cabeça.
— Vou ver a Ellie — avisei, e virei, seguindo para o quarto da minha irmã.
Assim que entrei, meu peito apertou. Ellie chorava de forma silenciosa na cama, agarrada ao seu travesseiro. Me aproximei dela e sentei bem ao seu lado; ela levantou a cabeça e se jogou em meu colo.
— Emma, eu não quero ir embora. Por que temos que ir? Nós não somos uma família? Família fica junto, não é?
Senti as lágrimas escorrerem pelo meu rosto, mas as sequei rapidamente. Agora não era hora de chorar… não mais.
— Sinto muito, Ellie, mas teremos que ir embora.
— Mas eu não quero!! — minha irmã disse, soluçando.
— Isso não depende de nós. O senhor Knight cancelou meu contrato; não trabalho mais para ele. — Respirei fundo antes de concluir: — Então não faz mais sentido morarmos aqui.
— E onde nós vamos morar agora? Eu vou poder visitar o Luquinha de vez em quando?
— Ainda não sei, e isso vale para as suas duas perguntas. — Abracei minha irmã, que se agarrou à minha camiseta.
— Emma… eu não quero ir. — Beijei o topo de sua cabecinha.
— Eu também não quero… — respondi, sincera.
A porta se abriu e Savannah e Aubrey entraram.
— Em, seu telefone estava tocando — Bree disse, me entregando o aparelho. — Parece que era o John.
— Obrigada, amiga.
— Não me conformo com isso — Savannah disse, descontente. — Estava tudo bem ontem. Vocês dois, as crianças... Domingo vocês… — ela parou de falar, os olhos já se enchendo de lágrimas.
— Está tudo bem, Sa. Eu vou ficar bem… — olhei para minha irmã por um instante antes de olhar para Savannah novamente. — Nós vamos.
Mesmo em meio à dor, era nisso que eu acreditava: que tudo ficaria bem. Tinha que ficar. Meu telefone tocou; era o John.
— Meninas, vocês podem organizar as coisas da Ellie, por favor? Vou atender o John.
Savannah pegou minha mão com carinho.
— Vai lá, querida. Nós cuidamos de tudo por aqui. — Assenti, atendi a ligação e pedi para que John aguardasse um minuto. Saí do quarto e, no corredor, voltei a falar com ele.
— John.
— Emma, como vai? — Respirei fundo, e isso foi mais do que resposta para ele. — O senhor Knight me mandou cuidar de sua rescisão. Mandarei alguém com o contrato, só preciso de sua assinatura.
— Ok.
— E sobre os valores — John começou — eu já enviei a compensação que o senhor Knight mandou. Ele também me pediu para arrumar um lugar para vocês. Então…
— Lugar? — perguntei, interrompendo-o.
Ozzie riu.
— Eu não sei qual de vocês é mais teimoso. Mas você podia ter aceitado a oferta. — Me afastei dele.
— Aceitado? Foi opção dele me mandar embora. E agora ele quer me arrumar um lugar para ficar para quê? Para mostrar que o controle ainda é dele? — perguntei, irritada.
— Entendo o seu lado, mas você já conhece Damien o suficiente para saber que é exatamente isso: meu primo é viciado em controle. Mas, querida, ele te mandou embora porque está magoado; dou dias para ele voltar atrás.
Não posso negar que uma fagulha de esperança surgiu em meu peito ao ouvir as palavras de Ozzie; ele conhecia Damien melhor que qualquer um. Só que Damien também me magoou. Sei que errei em esconder sobre aquela noite, e tem o fato de eu ser responsável pela morte da Clara. Mas eu também estou ferida. Também me magoei com sua atitude. E, por mais sentimentos que tenha por ele, não posso ceder assim.
— Não vou me apegar a isso. Preciso agora pensar em para onde vou.
— Se não quer aceitar a oferta dele, então aceite a minha. Vamos para meu apartamento em Manhattan.
Sorri para o melhor amigo que a vida me deu, mas neguei com a cabeça.
— Ozzie, não posso aceitar. E tenho certeza de que o Damien não aceitaria isso.
— Essa decisão é entre eu e você; nessa, o Dam não pode intervir.
Mas eu sabia que não era bem assim que funcionava. Damien, controlador do jeito que é, faria de tudo para Ozzie me mandar embora. O celular dele tocou, e a campainha também. Imaginei que fosse a pessoa com os documentos pra assinar e desci as escadas correndo. Assim que cheguei ao hall, James já havia conduzido a pessoa para dentro.
Só que não era o pessoal do Damien. Ele me viu e deu um passo em minha direção.
— Bom dia, Em — disse, com um sorriso no rosto.
— Bom dia, Simon.

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