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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 58

Capítulo 58 — A dor venceu

Damien Knight

Deixar Emma no pé da escada foi uma das coisas mais difíceis que já fiz. Mas eu precisava me afastar, digerir tudo o que tinha acontecido. Estava doendo, sim, muito. Só que tem coisas que são inevitáveis, e essa dor era uma delas.

Entrei no meu quarto, deitei, e o sono simplesmente não veio. A imagem dela chorando, tremendo, confessando o que ela chamava de culpa... Hoje eu consigo entender a dor dela: é a do sobrevivente. É a dor de ver pessoas que você ama partir e você ficar. É quando você se julga, se culpa pelo que não controla e se pergunta: “por que eu fiquei?”.

A noite passou em um piscar de olhos. Levantei antes mesmo do despertador, me troquei e desci para a academia; treinar sempre me ajudava a clarear a mente. Quando estava voltando para o meu quarto, encontrei Leah.

— Bom dia, senhor.

— Bom dia, Leah. — Passei a toalha no rosto antes de falar com ela. — Preciso falar com você um minuto.

— Pois não.

— A partir de hoje, Emma não é mais a babá do Luca. Irei contratar outra pessoa, mas somente quando eu retornar de São Francisco. Portanto, você fica responsável por ele até que isso aconteça.

— Tudo bem, senhor. — Ela me respondeu, e notei a confusão em seu rosto.

— Mais uma coisa — comecei. — Assim que a Bree iniciar o turno dela, peça que leve o café para a Emma e a ajude a arrumar suas coisas.

— Arrumar?

— Exato. A senhorita Anderson não é mais babá do Luca, portanto, não viverá mais na mansão. — Vi os olhos dela brilharem; era tristeza e, talvez, lágrimas.

— Tudo… — ela engoliu seco. — Tudo bem, senhor. Assim que a Bree descer, eu dou a ordem.

— Obrigado — falei e subi as escadas em direção ao meu quarto.

No corredor, parei em frente à porta do quarto da Emma. Coloquei a mão sobre a madeira e uma vontade incontrolável de girar a maçaneta e ver como ela estava me tomou… mas resisti. Fui para o meu quarto, tomei banho, me troquei, fiz umas duas ligações, peguei uma mala que sempre deixo pronta para viagens assim e saí.

Assim que fechei a porta, segui direto para o quarto do Luca. Entrei e ele já estava sendo acordado por Leah.

— Bom dia, campeão — falei, e ele já jogou os bracinhos para mim. Peguei meu menino no colo. — Papai vai viajar, mas amanhã já estou de volta. Leah vai cuidar de você; obedeça e siga os horários das terapias.

Luca me encarou por alguns segundos; ele abriu a boca e fechou. Ele tentou, mas o som não saiu, e eu sabia exatamente o que meu filho queria me perguntar.

— É a Leah quem cuida de você agora. — Dei um beijo em seu rosto, o coloquei de volta na cama e decidi sair do quarto antes que a conversa com ele precisasse se alongar; eu não estava preparado para isso.

Peguei a mala que havia colocado no chão do corredor e olhei para o quarto da Ellie. Meu peito apertou… essa menina tinha se tornado um sol na minha vida e na de Luca. Se Deus um dia me permitisse escolher ser pai de uma menina, ela seria como a Ellie. Como Ellie Anderson.

Soltei a mala novamente e entrei em seu quarto. Savannah a estava acordando; Ellie coçava os olhos e, por um instante, seu jeitinho lembrou o da irmã. O sorriso veio sem que eu pudesse controlar.

— Bom dia, tio Dam — ela disse assim que me viu. Me aproximei de sua cama e me sentei ao seu lado.

— Bom dia, minha princesa. — Dei um beijo em sua testa. Olhei para a Savannah. — Pode nos deixar a sós por um momento? — Ela assentiu.

— Vou descer para preparar o café dela. — Concordei com um aceno e ela logo saiu do quarto.

Ellie se virou para mim, passou os dedinhos pelo meu rosto.

Ellie abaixou o rostinho e lágrimas escorreram por ele. Eu quis me socar por causar essa dor na minha pequena, mas eu não podia voltar atrás, não agora. Ainda não estava pronto para isso. Segurei o rostinho dela e sequei suas lágrimas com cuidado.

— Posso receber aquele abraço agora? — Ela balançou a cabecinha em um “sim” e eu a abracei. — Eu quero que saiba que você é muito importante para mim; não esqueça disso, Ellie.

Minha pequena chorava agarrada a mim, e seus soluços eram como facas atravessando meu peito.

— Eu te amo, tio Dam. — Aquelas palavras rasgaram minha alma.

— Também te amo, minha princesa.

Quando levantei meus olhos, encontrei os azuis mais lindos me olhando. Emma estava ali, parada, nos observando. Ela estava tão destruída quanto eu. Me separei de Ellie, beijei sua testa, me despedi e saí do quarto. Passando por Emma sem olhar para ela, peguei minha mala e segui meu caminho. Mas, antes que eu chegasse à escada:

— Damien! — Emma me chamou, e eu parei. Ouvi seus passos atrás de mim e, quando me virei, ela estava a milímetros de distância. — Queria te agradecer… — a voz dela veio em um sussurro. — Por tudo. E me desculpar; eu sinto muito, de verdade.

Assenti com um aceno. Eu só tinha que me virar e ir embora, seguir meu caminho. Mas não foi isso que eu fiz. Soltei a mala mais uma vez. Fechei a distância entre nós e a encarei por segundos longos demais. Antes que minha mente processasse, levei uma mão ao seu rosto, e Emma a cobriu com a sua, fechando os olhos. Como se quisesse gravar aquele momento em sua memória.

Não sei se foi instinto ou necessidade, mas desci meus lábios até os dela em um selinho demorado. Encostei minha testa na dela e fechei meus olhos. Senti as lágrimas dela escorrerem e, por incrível que pareça, senti uma solitária escorrer pelo meu rosto.

Me afastei dela e olhei bem no fundo daqueles olhos azuis que haviam se tornado meu norte. E, mesmo eu tentando, não tinha como fugir… minha dor ainda estava ali. E não era só ela, a dúvida, o medo de tudo desmoronar de novo também.

— Eu não consigo… sinto muito. — Minhas palavras saíram em um tom que nem eu reconheci. Emma deu um passo para trás, abraçou a própria cintura e não disse nada.

Peguei minha mala, me virei e desci, carregando comigo o peso de tudo o que havia acontecido da noite de ontem até hoje. Ia ser difícil superar tudo isso; eu estava completamente apaixonado pela Emma.

Mas entre a dor e o amor… hoje, a dor venceu.

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