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O CEO de Gelo e a Mulher Que Ele Jurou Odiar romance Capítulo 7

Capítulo 7 — Território Inimigo

Emma Anderson

Minha hesitação em assinar não era pelo Luca, pelo contrário, eu carregava um sentimento por aquele menino que nem mesmo entendia. Eu nutria por ele um afeto que transcendia o tempo e o trauma; eu o amava sem nem o conhecer, simplesmente porque nossas vidas haviam sido costuradas pelo mesmo destino trágico.

Meu problema estava no homem à minha frente. No homem bruto e arrogante que não fazia ideia de que eu era a pessoa que estava dirigindo naquele dia. No dia em que sua esposa morreu.

Ele não imaginava que eu era a pessoa que tirou o filho dela daquele carro antes de tudo virar cinzas. Viver sob o teto dele, ser a babá do filho dele, carregando esse segredo… era como caminhar sobre um lago de gelo fino que podia rachar sob o peso da verdade a qualquer momento.

O silêncio do quarto parecia vibrar contra as minhas têmporas, um zumbido constante que competia com o bipe rítmico do monitor cardíaco ao lado da cama da Ellie. Eu olhava para os papéis. O peso da escolha era uma âncora me puxando para o fundo de um oceano de incertezas.

Mas, ao desviar o olhar para o lado e ver Ellie, tão pequena, pálida e frágil sob o efeito dos remédios de alto custo, a realidade me atingiu com a força de um soco no estômago. Eu não tinha o luxo de ter escrúpulos. Ele era a minha melhor chance. Mesmo sendo esse homem torto, egoísta, controlador e um tanto quanto arrogante, ele era o único que podia impedir que eu perdesse a única pessoa que ainda me mantinha ancorada a este mundo. O destino estava me cobrando um preço alto pela vida da minha irmã: a minha liberdade e o risco constante de ser desmascarada por aquele olhar azul gélido.

— O senhor é inacreditável — murmurei, finalmente quebrando o transe que parecia ter congelado o tempo naquele quarto.

Minha mão tremeu visivelmente quando alcancei a caneta. O metal estava frio, contrastando com o calor da indignação que subia pelo meu pescoço.

— Eu sou um homem de negócios, Emma. E eu sempre os venço. Agora… — Ele deu um passo à frente, invadindo meu espaço pessoal, mantendo seus olhos azuis cravados nos meus. Havia uma intensidade ali que parecia querer perfurar minha mente e extrair cada segredo guardado antes de ele concluir com autoridade máxima: — Assine.

Bufei, sentindo o peso daquela rendição absoluta, e assinei meu nome no rodapé da última página. O som do papel sendo rabiscado pareceu um trovão no silêncio do hospital. Entreguei os papéis a ele, que os recolheu com a eficiência de quem acaba de fechar um contrato multibilionário, sem demonstrar um pingo de emoção.

— Vou mandar meu assistente conversar com a equipe médica e preparar tudo adequadamente para receber sua irmã em casa — ele disse, fechando a pasta de couro e já se preparando para a próxima manobra de sua logística implacável.

— O senhor quer tirá-la daqui? — Perguntei, sentindo um novo sobressalto de preocupação. Eu mal tinha processado o diagnóstico de Ellie e ele já estava movendo as peças como se fôssemos parte de seu patrimônio pessoal.

Damien assentiu, sem o menor sinal de dúvida.

— Se a médica disser que é seguro para o transporte, sim. Manteremos o tratamento dela em home care. Na minha mansão ela terá tudo o que esse hospital oferece, mas com a privacidade e o isolamento que ela precisa para se recuperar sem interferências. Além disso, facilitará a sua rotina com o Luca.

Naquele momento, eu não tinha forças para discutir diretrizes médicas ou protocolos de segurança. Eu estava exausta demais, drenada por um dia que começou com uma busca por emprego e terminou com uma internação de emergência e um contrato de servidão. Apenas concordei com um aceno curto, pois era tudo o que eu conseguia fazer para não desabar.

Damien avisou que acertaria os detalhes finais com John no corredor, mas antes que ele pudesse se afastar, eu precisei recuperar um pedaço da minha antiga vida. Eu precisava saber que nem tudo havia sido apagado pela assinatura naquele papel.

— Eu preciso buscar minhas coisas no meu apartamento — avisei, tentando manter a voz firme apesar do cansaço.

— Sugiro que entregue o imóvel o quanto antes — ele respondeu, num tom tão casual e prático que me irritou profundamente. Como se descartar um lar fosse tão simples quanto jogar fora um rascunho de papel.

Capítulo 7 — Território Inimigo 1

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