Capítulo 8 — A Jaula de Ouro
Emma Anderson
O poder de Damien Knight não se manifestava apenas em sua conta bancária; ele estava na forma como o mundo parecia se curvar para atender às suas vontades. Em questão de horas, ele conseguiu o que eu levaria meses para sequer sonhar: uma autorização médica para transferir Ellie.
A doutora foi clara: Ellie poderia terminar o tratamento em casa, desde que tivesse o acompanhamento constante de uma enfermeira qualificada. No primeiro momento, meu coração disparou. Eu tinha certeza de que Damien recuaria. Um homem que preza tanto pelo controle e pela privacidade certamente não aceitaria outra estranha circulando em seus corredores. Mas, para minha total surpresa, ele apenas assentiu com uma frieza pragmática.
— Se é o que a menina precisa para não ocupar um leito desnecessário e ter uma recuperação mais rápida, providencie — ele disse, sem sequer me olhar. — Quero recomendações de alguém de confiança. E que esteja disposta ao serviço integral, e pelo tempo que a menina precisar.
A médica recomendou Savannah, uma senhora de cerca de cinquenta anos, com um sorriso que transmitia uma paz imediata. Ela era o oposto de Damien; era calorosa, simpática e parecia genuinamente preocupada com o bem-estar da minha irmã.
A logística foi implacável. Damien não me permitiu voltar ao meu apartamento para organizar nada. Ele simplesmente estendeu a mão e exigiu as chaves.
— Entregue-as ao meu motorista. Ele buscará o que for essencial. Qualquer outra coisa que vocês precisarem, eu providenciarei — ele sentenciou.
Eu quis protestar. Quis dizer que havia coisas ali que o dinheiro dele não podia substituir, pequenos fragmentos da minha vida com meus pais que eu não queria que mãos estranhas tocassem. Mas o olhar que ele me lançou foi o suficiente para me calar. Eu era uma funcionária agora. Uma dívida ambulante.
Quando chegamos à mansão, a noite já havia reivindicado o céu, pintando-o de um azul escuro e profundo. O lugar era uma fortaleza de pedra e jardins impecáveis, iluminada de forma estratégica para intimidar quem chegasse. Assim que cruzamos o hall de entrada, uma senhora de aparência impecável e sorriso acolhedor nos recebeu.
— Esta é Leah, a governanta — Damien nos apresentou de forma breve antes de desaparecer para o seu escritório, deixando o rastro de seu perfume caro para trás.
— Seja bem-vinda, querida — Leah disse, segurando minha mão por um segundo. — Sinto muito pelas circunstâncias, mas cuidaremos bem de vocês. Venham, vou conduzir vocês aos quartos.
— Muito obrigado senhora Leah. — falei com um sorriso cansado.
— Ah por favor, me chame de Leah, tá bem? — ela balançou a mão pra mim, um gesto simples mas carregado de significado — Vamos deixar as formalidades para o senhor Knight que as adora. — Nós duas rimos.
Depois dessa recepção calorosa, Leah nos conduziu para os quartos. Eu esperava ser levada para os fundos da casa, talvez para uma dependência de empregados escondida perto da cozinha. Mas o choque me atingiu quando Leah nos guiou para o andar de cima. Ela parou diante de portas imensas de madeira maciça, localizadas no mesmo corredor dos quartos principais.
— O quarto da Ellie e da Savannah é este — Leah explicou, abrindo a porta para uma suíte que parecia saída de uma revista de decoração. — Fica exatamente ao lado do quarto do Luca. O senhor Knight achou que seria melhor assim.
Entramos e Savannah começou a organizar Ellie com uma eficiência invejável. O quarto já estava equipado com tudo o que a médica havia solicitado: suportes para soro, monitor de sinais vitais de última geração e uma cama que parecia flutuar.
— Está tudo aqui, Emma — Leah garantiu, apontando para as caixas entregues a mando de Damien. — O senhor Knight certificou-se de que nada faltasse.

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