Capítulo 73 — Descobri uma coisa
Emma Anderson
— Como é que é? — as palavras do Damien vieram rasgando.
— Dá para correr? — perguntei, para que só a Bree ouvisse.
— De jeito nenhum… ele é uma muralha na porta — ela respondeu, assustada.
— Eu posso ouvi-las — ele disse.
Me virei para encará-lo. Bree sussurrou em meu ouvido um “boa sorte”, aproveitou a brecha e correu para fora do quarto. Damien manteve os olhos nos meus; ele deu dois passos e parou na minha frente.
— Quer me explicar que história é essa de ir ao casamento com o Simon?
— Não tenho nada para explicar. Agora, se me der licença… — dei um passo, somente um, antes de ele me agarrar pela cintura e me levantar como se eu não pesasse nada.
— DAMIEN!! — gritei, mas ele não me soltou. Em um único movimento, nem mesmo sei como foi possível, ele me jogou sobre os ombros. — DAMIEN KNIGHT, ME COLOQUE NO CHÃO AGORA!!
Mas ele me ignorou e foi caminhando comigo até o quarto dele. Damien entrou, fechou a porta com o pé, caminhou até a cama e me jogou nela.
— Você enlouqueceu? — perguntei, irritada.
— Ainda não, mas garanto, Emma, que estou a um passo de enlouquecer — ele disse, passando a mão pelo cabelo, e começou a caminhar de um lado para o outro. Tentei me levantar, mas ele avisou: — Não se atreva.
— Qual o seu problema, Damien?
— O meu problema é ouvir a minha mulher…
— Ex! — rebati. — Ex-namorada. Você terminou comigo.
— MAS EU JÁ PEDI PARA VOLTAR!
— E EU NÃO ACEITEI!! — gritei de volta.
Damien ficou me encarando; era possível ver as pupilas dele dilatadas de raiva.
— Então é isso? — ele perguntou, mas eu não respondi. Ele caminhou até a cama e colocou uma mão de cada lado, me encurralando entre seus braços. — Não vai voltar para mim e ainda vai ao casamento com ele?
— Eu só preciso de um tempo, Damien. Já te disse isso.
— E eu disse que te dou, que espero. Mas por que ir com ele? Se é para me fazer ciúme, te garanto que bem menos já me deixa enciumado.
— Para com isso, Damien. — Empurrei seu peito, fazendo-o se afastar. — Acha que eu aceitaria ir com um amigo para o casamento só para te fazer ciúme? Não seja ridículo.
— Então por que ir com ele, e não comigo?
— Porque você terminou comigo, e ele me convidou. Simples assim!
— Isso não vai dar certo, Emma. Eu não vou aguentar te ver com outro assim — ele disse, e pude ver o desespero em seus olhos.
— Dam, o Simon é um amigo que vai me acompanhar em um casamento. Não é um encontro, ou nós dois assumindo um relacionamento.
Damien voltou para a cama; eu recuei e ele se colocou sobre mim.
— Então liga para ele e diz que você vai comigo. Explica que não faz sentido ele vir aqui te buscar se o Luca e eu vamos para o mesmo lugar.
— Damien… — tentei chamar sua atenção, mas foi inútil.
— Emma, é sério. Você não entende o que eu sinto. Me irrita só pensar em ver vocês sentados juntos naquele casamento. — O desespero dele era tão real que chegou a ser engraçado. E eu ri. — Emma — ele me repreendeu.
— Desculpa, mas isso é engraçado demais e, ao mesmo tempo, ridículo.
— Ridículo? — perguntou, irritado.
— Sim — respondi, sem hesitar. — Um homem desse porte ser inseguro assim.
— Não é insegurança.
— Não? — perguntei, arqueando uma sobrancelha.
— Não… — ele passou o nariz pelo meu pescoço — negociando.
— Senhor Knight, você está se tornando cada dia mais babaca. E infantil também.
Ele riu.
— Talvez, querida. Mas ainda estamos no meio de uma negociação. Então, o que vai ser?
O empurrei e me levantei.
— Eu aguento esperar até depois do casamento — dei de ombros e comecei a caminhar para fora do quarto. Mas ele me puxou pela cintura, colando minhas costas em seu peito.
— Tem certeza, amor? — ele sussurrou em meu ouvido. Ele estava me provocando, eu sabia, mas também sentia as nuances em sua voz. O que ele queria me contar era sério e, no fundo, nem ele queria contar. Como eu sabia disso? Porque já estive desse lado.
Me virei para ele e envolvi seu pescoço com meus braços.
— É Emma, senhor Knight. Repita comigo: Emma. — Ele sorriu e quis me beijar, mas eu virei o rosto. — E nada de beijos. Eu sou a babá e você, o patrão. Isso não fica bem. — Me afastei dele e concluí: — E, já que não temos mais nada para conversar, eu vou me retirar.
— Emma… — ele disse em um tom de repreensão.
— Viu como é fácil dizer meu nome? — falei, provocando-o. — Agora é sério: vou ver as crianças e falar com a Bree sobre o shopping.
— Tudo bem, mas os arrume para irem juntos. O Luca e a Ellie gostam de lá.
— Ok — respondi e saí do seu quarto para organizar nossa ida ao shopping.
Decidi passar no meu quarto antes; me joguei na minha cama, encarei o teto tentando organizar meus pensamentos.
— Resistir a você é quase impossível, Dam. Porque eu sou louca por você — murmurei para o nada. E então as palavras dele invadiram a minha mente:
“Eu descobri uma coisa hoje…”
— O que você descobriu, amor? — voltei a murmurar. — E por que está com receio de me contar?

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