Capítulo 72 — Voltando para casa
Emma Anderson
Acordei com o Luca me chamando e não consigo nem descrever o que senti. Ouvi-lo falar… Deus, era maravilhoso. Mas não foi só meu menino que ganhou minha atenção; o pai dele também. Damien estava encostado na parede, de braços cruzados, nos encarando o tempo todo.
— Agora eu preciso me trocar… — avisei ao Luca. — Porque tudo o que eu não podia era ter dormido até as dez da manhã. O Henry chega às onze para ver a Ellie.
— O papai já pediu para a tia Sa arrumar as coisas.
— Arrumar as coisas? — perguntei confusa, desta vez me direcionando ao Damien.
— Sim, pedi que ela deixasse tudo organizado para irmos embora assim que a consulta acabar — ele disse com sua naturalidade de sempre.
Afastei o Luca com cuidado e me levantei da cama, indo em direção ao Damien.
— Contou à minha irmã que voltaríamos na minha frente? — perguntei, irritada.
— Não contei na sua frente. Eu cheguei e ela correu até mim. Só aconteceu.
— Claro, “só aconteceu”, né, Damien? — perguntei com deboche. — Eu te disse que iria voltar, mas te pedi para esperar eu resolver tudo.
— Você me pediu tempo para conversar com o Simon. E não para contar à Ellie — Damien rebateu.
— Me lembre de, na próxima vez, deixar tudo bem especificado, ou talvez seja melhor até desenhar para que você entenda e não aja por impulso… — fiz uma pausa antes de concluir: — como sempre!
Ele me olhou confuso.
— Está brava comigo por uma coisa tão boba dessas? — perguntou, desencostando da parede e fechando a distância entre nós. — Qual a diferença entre eu falar ou você, se no final tudo o que importa é que vamos embora? — Damien subiu um pouco o tom.
— Não é sobre eu ou você, senhor Knight. — A forma como o chamei o fez recuar um passo. — É sobre um combinado. Eu pedi para me esperar conversar, resolver. E você, como sempre, fazendo como bem entende!
Damien passou a mão pelo cabelo, tentando manter o controle. Eu podia estar exagerando; não havia um problema real em ele contar para a Ellie. Mas eu precisava que o Damien começasse a pensar um pouco antes de agir, que deixasse de ser tão impulsivo ou de pensar que tudo gira em torno dele.
— Me desculpa — ele disse, e eu o encarei. — Eu não fui impulsivo, nem quis passar na sua frente. Só aconteceu, não planejei isso. Falei com o Simon ao telefone, ele disse que vocês já tinham conversado, eu avisei que viria buscar vocês às dez e ele disse “ok”.
— Bem, eu não sabia que você viria às dez.
— Se não tivesse se desfeito do celular que te dei, talvez eu tivesse avisado a você, e não ao Simon. — Eu o fulminei com o olhar, e ele sorriu.
— Em, podemos ir agora? — a voz do Luca chamou minha atenção. Por um instante, eu havia me esquecido de que ele também estava ali.
Agachei para ficar à sua altura e passei a mão por seu rostinho.
— Eu vou me trocar e arrumar minhas coisas rapidinho. Depois o tio Henry vai ver a Ellie e aí podemos ir, combinado?
— Sim! — ele respondeu, me abraçando.
— Então vai lá ver se a Ellie já está pronta, que em dez minutos encontro vocês lá.
O Luca não precisou ouvir duas vezes; ele foi em direção à porta e correu pelo corredor. Damien ficou parado no mesmo lugar.
— Ainda precisa de alguma coisa, senhor Knight? — perguntei, cruzando os braços e arqueando uma sobrancelha para ele.
Ele fechou a distância entre nós e me envolveu pela cintura.
— Damien, o que acha que está fazendo? — perguntei, sentindo meu coração acelerar.
— Te mostrando o que eu preciso… — ele sussurrou antes de me beijar. Foi um beijo rápido, mas intenso como sempre. Quando nos separamos, eu me afastei um pouco para encará-lo.
— Ainda não te aceitei de volta — falei, com a voz falhando no final.
— Ainda não… — ele disse, me puxando de volta para seu peito. — Mas vai, em breve. — Damien deu um beijo no meu pescoço, me soltou e saiu.
Assim que a porta fechou, murmurei para mim mesma:
— Babaca, convencido, arrogante… — fiz uma pausa antes de continuar: — Lindo, delicioso, maravilhoso… como uma pessoa só pode ser tudo isso? — Bufei, indignada com ele por ser assim e comigo por cair no charme dele.
Me troquei e peguei minha mala, que eu nem tinha tido tempo de desfazer. Depois, segui ao encontro deles no quarto em que minha irmã estava hospedada. Entrei e a cena que vi me atingiu em cheio: Damien estava deitado na cama com o Luca e a Ellie em cima dele; as crianças tentavam fugir e ele as agarrava, fazendo cócegas.
— É lindo de ver, não é? — Savannah perguntou, parando ao meu lado.
— É, sim… — respondi, sem desviar os olhos deles.
— Então não deixe nada, nem ninguém, tirar isso de vocês, querida — ela disse. Desviei os olhos do Damien e das crianças e a encarei. — Não deixe o orgulho, nem o medo… — Savannah segurou minhas mãos. — Nós não temos a medida do nosso tempo; este pertence a Deus. Então, por que perder tempo perdendo coisas assim… — ela olhou rapidamente para o Damien antes de voltar para mim — Quando nem mesmo sabemos quanto tempo teremos?
Eu entendia bem o que ela queria dizer com aquelas palavras. Senti meus olhos encherem de lágrimas. Savannah entendia a dor da perda tanto quanto eu. Eu perdi meus pais, e ela… seu filho. Batidas na porta chamaram nossa atenção, e a do Damien também.
— Emma, o doutor Henry chegou — Julia, a governanta de Simon, me avisou, e eu assenti.


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