Capítulo 75 — Oficial
Emma Anderson
Preciso confessar que eu já estava balançada sobre o Damien. Mas, ver como ele lidou com o Simon e, depois, com a Ellie... um arrependimento me bateu. Eu não devia ter aceitado o convite; devia ter conversado com o Damien antes, mesmo que não tivéssemos voltado ainda. Acabei agindo da mesma forma que ele… por impulso.
Entramos no carro e o Simon notou que havia algo errado; ele segurou minha mão com carinho.
— Querida, se quiser ir com ele… — mas não o deixei terminar.
— Está tudo bem — respondi. Ele assentiu, ligou o carro e seguimos viagem.
Ellie passou o caminho todo calada; ela estava brava comigo e eu não insisti. Savannah foi dizendo que nem acreditava que tinha sido convidada para um casamento chique como esse. Mas o Simon nos garantiu que tanto o Blake quanto o Elijah e os outros caras, por mais dinheiro que tivessem, eram pessoas simples e que iríamos gostar de todos eles.
Perguntei se ele também passaria o final de semana, e ele assentiu. Nos contou que seria só a “fraternidade” que ficaria hospedada. Savannah, curiosa como sempre, perguntou quem eram, e ele nos listou: Ele, Noah, Declan, Atlas, Elijah, Esther, Damien, Ambrose e Tristan. Eles criaram na faculdade uma fraternidade entre eles e, depois que se formaram, montaram os clubes Paradise e Donjon; nisso, entraram Dominic e Christopher.
— Eu nunca ouvi falar nesses clubes, e olha que sou bem curiosa — Savannah disse, e eu ri, pois ela se descreveu muito bem.
— São clubes privados e peculiares, Sa — Simon respondeu com um sorriso.
— Privados e peculiares... duas palavras que me atiçam — nós três rimos.
— Bom, se quiser, te levo para conhecer um dia. Mas já aviso: não é para todos.
Savannah deu de ombros.
— Sou uma mulher de cinquenta anos; são poucas as coisas que ainda me espantam.
— Combinado, então — ele disse rindo e olhou para mim. — Agora você, mocinha... duvido que seu namorado te leve até lá. — Revirei os olhos ao ouvi-lo mencionar o Damien como meu “namorado”. E ele riu.
Chegamos e logo encontramos o Stan e a Bree, que nos contaram sobre o “contratempo” do Damien e do Ozzie; senti meu peito apertar.
— Mas eles estão bem? — perguntei, preocupada.
— Sim, eu ofereci voltar e o Dam disse que não precisava. Eles já devem estar chegando — Stan me garantiu, e apenas assenti com um aceno.
— Vamos? — Simon me perguntou. Olhei para o estacionamento, para a porta, e não precisei dizer mais nada; ele entendeu. — Tudo bem, esperamos por eles aqui.
— Obrigada — sussurrei, apertando sua mão.
Savannah foi entrando com a Bree e o Stan, e ali fora ficamos eu, o Simon e a Ellie, que também se recusou a entrar sem o Luca e o Dam. Estávamos esperando quando vimos o carro deles passando pelo portão.
— Quer ir até lá? — Simon perguntou.
— Sim — respondi com um sorriso grato.
Ele me ofereceu o braço e caminhamos até o estacionamento; foi nesse momento que a Ellie os viu e gritou:
— TIO DAM!!
Mas ele não estava sozinho. Damien tinha uma mão na do Luca e os braços dados com a Verônica. Não pude evitar a irritação; ele fez com que eu me sentisse mal por ter vindo com o Simon e não com ele, mas, na primeira oportunidade, estava agarrado àquela mulher.
Rapidamente, ele tirou o braço do dela e caminhou em nossa direção, deixando a Verônica para trás.
— Pensei que já estivessem lá dentro — Damien disse.
— Seria mais conveniente se estivéssemos, não é? — perguntei, deixando clara minha irritação.
— O passado deles compete ao Dam te contar, não a mim. Mas garanto que ela não tem chance. Primeiro, porque conheço o Dam, e ele está louco por você. E, mesmo se você não existisse na vida dele, a Verônica não teria chance.
— E a outra parte, o que significa? — perguntei, apreensiva.
— Verônica é manipuladora, sempre foi. Não gosta de ouvir “não” e odeia perder. Acho que essas coisas são o suficiente para você evitar um confronto direto com ela; deixe que o Damien faça isso, ele sabe muito bem lidar com ela.
Assenti às suas palavras. Não porque tivesse entendido, e aceitado. Mas porque estou disposta, neste momento, a deixar isso de lado, por enquanto. Voltamos a caminhar e paramos no final do jardim, onde as cadeiras estavam postas.
Os meninos, Stan e Ozzie, já haviam deixado lugares reservados para nós. Na primeira fileira, estavam as crianças sentadas com a Savannah, a Bree e o Stan. Na segunda, o Ozzie estava sentado ao lado de um homem de cabelos compridos; os dois riam e conversavam junto de uma mulher e um bebê. E ao seu lado havia dois lugares vazios.
Já na de trás, Damien estava sozinho; provavelmente deixou os lugares ao lado de Ozzie para mim e para o Simon. Vi o momento em que a Verônica sentou em um dos seus lados, deixando o outro ainda vago. Simon, que acompanhava meu olhar, sussurrou em meu ouvido:
— Se está disposta a tentar de novo, por que esperar? — Olhei para ele, confusa. — Eu não queria entrar aqui sozinho, e você me fez companhia, estou mais do que satisfeito com isso. E fui sincero na minha casa, eu quero você. Mas não entro em batalhas já perdidas. — ele sorriu para mim, e eu sorri de volta.
Perfeito... Era isso que Simon era. Perfeito. Caminhamos até os bancos. Simon sentou ao lado do Ozzie e eu…
— Pode me dar licença? — pedi educadamente à Verônica, que tinha as pernas no caminho. — Quero sentar ao lado do meu namorado — concluí, e vi cabeças virarem para trás ao ouvir minhas palavras; e sorrisos também, principalmente os de Ozzie e Bree.
A mulher, sem graça, tirou as pernas. Sentei ao lado do Damien, que pegou minha mão assim que me acomodei. Ele levou os lábios até meu ouvido e sussurrou para que somente eu ouvisse:
— Marcando território, querida? — perguntou, dando um beijo no meu pescoço. Me virei para encará-lo e dei-lhe um selinho demorado antes de murmurar:
— Não é só você que pode, amor… — respondi, e ele sorriu. Damien deu um beijo na minha testa, enlaçou nossos dedos e ficamos ali esperando pela cerimônia.
Agora era oficial: Damien e eu tentaríamos mais uma vez. Agora sem mentiras, sem segredos, somente nós. Eu sentia os olhos da Verônica em mim, assim como ouvia as palavras de Simon em minha mente: “Ela é o tipo de pessoa que você evita ter como inimiga.”
Parece que vou descobrir em breve o que exatamente isso significa.

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