Capítulo 96 — Eu sou dela
Tristan Blackwood
As palavras da Giovanna não faziam sentido algum para mim: “Estou grávida, e o filho é seu!”. Isso era impossível; não estamos juntos há meses e ela tomava remédio. De jeito nenhum que esse filho é meu.
— Eu não acredito em você — rebati, quebrando o silêncio. — E vou te dizer uma única vez: não me ligue, não me procure, esqueça que eu existo. — Encerrei a ligação mesmo ouvindo seus protestos ao fundo.
Encarei Bree, que tinha um brilho diferente nos olhos agora. Saber que era com a minha ex que eu falava ao telefone havia mexido com ela. Passei meus braços por sua cintura e a puxei para mim.
— Tá tudo bem? — perguntei, dando um beijo em seu pescoço.
— O que ela queria? — perguntou de forma direta, e eu adorava isso nela.
— Nada que vale a pena você saber. — Bree se afastou para me encarar.
— Quem vai decidir se vale ou não serei eu, quando souber — me respondeu em um tom irritado na voz. Tirei meus braços dela e dei um passo para trás.
— Ela me ligou pois disse que está grávida e que, por acaso, o filho é meu. — ela quis saber então, mesmo contrariado, eu falei.
Aubrey deu dois passos para trás, como se minhas palavras a tivessem empurrado. Dei um passo à frente, esticando os braços até ela, mas ela não me permitiu tocá-la.
— Filho? Você ficou com ela depois do que ela fez?
— Não — respondi, sem hesitar. — Provavelmente é só uma invenção dela, uma forma de chamar minha atenção. — Fechei a distância entre nós e a puxei de volta para mim. — Será que podemos esquecer aquela cretina e voltarmos ao que estávamos fazendo antes?
Desci meus lábios até seu colo, beijando entre o decote de sua blusa. Bree permaneceu imóvel. Levantei os olhos para encará-la.
— O que foi? — perguntei, confuso.
— Você realmente está me perguntando isso? — Ela cruzou os braços, irritada. — Sua ex acabou de te ligar, a essa hora, para dizer que está grávida. E você simplesmente desliga o telefone, olha para mim e diz: “ok, agora vamos transar”.
— Aubrey, você está se importando com isso mais do que...
— Me importando mais? — ela me cortou. — Não. É sério isso, Tristan?
— Olha, eu não me importo e, para ser sincero, eu nem mesmo acredito em nada do que a Giovanna disse. — Segurei o rosto dela entre minhas mãos, a obrigando a me encarar. — Então, para mim, é: “Sim, está tudo ok, agora podemos transar”. — Dei um selinho demorado nela.
— Eu não consigo fazer isso, de verdade, Tristan. Eu não consigo levar as coisas dessa forma.
Soltei o rosto dela e dei um passo para trás.
— E de que forma você quer levar, Aubrey? Me diz? — perguntei, mas não esperei respostas. — Quer que eu acredite nela, retorne a ligação e diga: “tudo bem, Giovanna, me avisa quando é a consulta pré-natal”? Isso não vai rolar, porque a Giovanna me manipulou por anos e eu não vou deixar ela fazer isso comigo agora.
— Eu não estou dizendo isso, mas quero que pense a respeito. E se for verdade?
— Mas não é.
— Como sabe?
— PORQUE ELA ME TRAIU, PORRA! — gritei, sem conseguir controlar. — Porque ela me fez acreditar que me amava, me fez acreditar que o motivo de não ter se casado comigo era porque… — parei no meio da frase. Aubrey ainda não conhecia meu lado dominante, não sabia que eu era um “mestre” e que Giovanna seria minha “slave”. — Olha, Bree, eu descobri logo que nos separamos que ela estava saindo com outro. Se ela estiver grávida, não é meu. Fim de papo.
Caminhei para dentro do quarto, esperando que ela me seguisse, mas ela não o fez. Olhei para trás e ela tinha ido até o parapeito, debruçando-se nele. Respirei fundo, tentando me acalmar. Eu tinha conseguido, nos últimos meses, afastar a Giovanna não só da minha vida, como dos meus pensamentos. E agora que eu finalmente tinha me entregado de vez a outra pessoa, ela surgiu na minha vida como um fantasma para me assombrar.
Passei a mão pelo cabelo e fui atrás da minha mulher. A abracei por trás, colando suas costas em meu peito, e sussurrei em seu ouvido:
— Desculpa por ter gritado. — Dei um beijo em sua orelha. Bree não respondeu, só encostou a cabeça em meu ombro. — Não quero a Giovanna entre nós, nem em pensamento. Então só acredita em mim quando digo, não tem como ser meu. — apertei ela ainda mais em mim.
— Olha pra mim Bree. — ordenei, e ela obedeceu. Eu não desviei o olhar do dela nem por um segundo enquanto metia fundo nela. Mas quando percebi que ela estava quase lá, saí de dentro dela. Bree choramingou novamente, buscando por mim.
Eu a virei de quatro na cama, me encaixando perfeitamente por trás. A segurei firme pelos cabelos, apenas com a firmeza necessária para que ela sentisse o comando, e voltei a estocá-la com força.
— Agora geme gostoso, amor — ordenei, a liberando do silêncio.
Bree me obedeceu. Meus puxões no cabelo e as estocadas profundas foram o suficiente para que seus gritos tomassem conta do quarto. Ela se entregou por inteiro, e quando o orgasmo dela veio, eu me permiti ir junto, me derramando dentro dela em uma explosão que limpou qualquer rastro de raiva que a ligação da Giovanna tivesse deixado.
Desabamos na cama, exaustos e suados. Ficamos ali por alguns minutos, em um carinho silencioso, antes de irmos para o chuveiro. Tomamos um banho rápido, apenas para tirar o cansaço do corpo, e voltamos para os lençóis para finalmente nos entregarmos ao sono.
Bree já estava dormindo profundamente, com os braços em minha cintura, quando meu celular vibrou no criado-mudo. Uma mensagem de texto brilhou na tela:
“O filho é seu, e vou provar.”
Encarei a tela por alguns segundos. Senti uma repulsa ao ler aquilo. Sem hesitar, apaguei a mensagem e bloqueei o número da Giovanna permanentemente. Joguei o aparelho de volta no criado, como se ele estivesse sujo.
Olhei para a Aubrey. Ela parecia tão em paz. A puxei com cuidado para o meu peito. Mesmo sonolenta, ela murmurou:
— Te amo…
Sorri, sentindo o peso do mundo diminuir. Eu adorava ouvir aquilo dela.
— Também te amo, querida — respondi, beijando o topo de sua cabeça.
Fiquei olhando para o teto, ouvindo a respiração compassada dela contra o meu peito. A Giovanna podia provar o que quisesse, podia ter o DNA que fosse. Nada mudaria o fato de que meu passado não tinha mais lugar no meu presente.
— Mesmo que você me prove, Giovanna, isso não muda nada — murmurei para o silêncio do quarto. — Eu posso ser o pai do seu filho, mas o homem… — olhei para a Aubrey e completei em um sussurro: — Eu sou dela.

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