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O Viúvo e a Babá romance Capítulo 197

A casa não parecia mais a mesma desde que trouxeram o bebê. O silêncio confortável de antes havia sido substituído por um ciclo estranho de choros, passos apressados, portas se abrindo de madrugada e vozes sussurradas tentando não acordar Emma. Até o ar parecia outro, impregnado de leite morno, pomada para assaduras e aquele cheiro indefinível de recém-nascido, uma mistura de talco e suor doce que se entranhava nas roupas e nos cabelos.

Ayla estava exausta. O corpo ainda doía do parto, cada músculo parecia reclamar quando ela se levantava da cama. Os pontos queimavam, a cabeça latejava por noites mal dormidas, e a sensação constante de cansaço parecia pesar mais que o próprio bebê no colo. Mas quando olhava para o pequeno, deitado no berço novo que Juan montara no quarto deles, sentia uma estranha força correr pelo peito, algo que a obrigava a seguir, mesmo quando tudo parecia desabar.

Juan fazia o possível, mas não escondia o cansaço. Chegava no quarto de camiseta amarrotada, olhos vermelhos de tanto vigiar, e mesmo assim tentava sorrir para Ayla, como se quisesse transmitir que tudo ficaria bem. Ele insistia em se revezar com ela nas madrugadas, mas Ayla sabia que ele não tinha coragem de deixá-la sozinha com a dor e o medo. Havia um medo silencioso nos olhos dele, como se ainda não tivesse superado a lembrança daquela noite no hospital, quando tudo quase se perdeu.

Naquela madrugada, o bebê chorava sem parar. Ayla tentava amamentar, ajeitando-o no colo com cuidado, mas o menino não se acalmava. O choro era agudo, insistente, e parecia atravessar a casa inteira. Juan andava de um lado para o outro, esfregando o rosto com as mãos, tentando encontrar uma solução.

— Ele tá com cólica, só pode ser — disse, a voz baixa, quase um suspiro, como se dissesse aquilo para se convencer.

— Não sei mais… já troquei a fralda, já pus no peito, já balancei… — Ayla se sentia incapaz, a frustração lhe enchia os olhos de lágrimas. — Parece que nada funciona comigo.

Juan se aproximou devagar, tocou o braço dela com delicadeza.

— Não fala isso, Ayla. Você é a única que consegue. Ele só conhece você, é o seu cheiro que acalma.

Mas naquele instante o bebê continuava chorando, e Ayla acreditou mais no desespero do que nas palavras dele. Sentia-se perdida, como se tivesse falhado com aquele ser tão pequeno que dependia dela para tudo.

Foram quase duas horas até que, exausta, ela entregou o filho nos braços de Juan. Ele o segurou contra o peito, caminhou devagar pelo quarto, cantarolando uma canção desafinada, quase inventada na hora. O menino, finalmente, se aquietou, os olhos fechando lentamente.

Ayla o observava, meio aliviada, meio quebrada por dentro.

— Viu só… com você ele para — disse, num tom que misturava dor e rendição.

— Ele para porque você já fez tudo antes. Eu só cheguei no fim, Ayla. Você não enxerga o quanto já dá conta.

Ela não respondeu. Só respirou fundo, apoiando a cabeça contra o travesseiro, os olhos ardendo de choro contido.

Na manhã seguinte, Emma entrou no quarto. Carregava seu urso de pelúcia pela orelha, ainda de pijama de unicórnio, os cabelos loiros embaraçados.

— Ele ainda tá chorando? — perguntou, franzindo o nariz, a voz sonolenta.

— Agora não, meu amor — Ayla sorriu fraco, ajeitando o bebê no colo. — Ele cansou.

Emma se aproximou devagar, curiosa, mas sem chegar muito perto. Observava o irmãozinho com uma expressão difícil de decifrar, algo entre fascínio e incômodo.

— Ele é tão pequeno… parece que vai quebrar. — Ela segurou o urso contra o peito. — Ele vai crescer rápido, né?

— Vai sim — Ayla disse, tentando soar firme. — E vai ter sempre você pra cuidar dele.

Emma não respondeu de imediato. Ficou ali parada, olhando o bebê mexer os braços e abrir a boca num bocejo. Então perguntou, sem rodeios:

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