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O Viúvo e a Babá romance Capítulo 200

Epílogo – Anos depois

O tempo não apaga. Ele ajeita, desloca, empurra as dores para cantos diferentes, como quem arruma um quarto sem nunca jogar fora de verdade o que machuca. Oito anos haviam passado desde o casamento no jardim da mansão reconstruída. Oito anos cheios de gritos infantis, brigas, reconciliações, aniversários cheios de bolo mal cortado e alguns silêncios que só o convívio traz.

A mansão na estrada daquela ampla cidade agora parecia outra. As paredes, que carregavam as marcas da explosão, estavam cobertas por heras verdes, que cresciam sem pedir licença, como se a própria natureza tivesse decidido cuidar da família. O portão rangia ao abrir, e as crianças costumavam correr para fora antes mesmo do carro desligar.

Juan e Ayla tinham agora dois filhos além de Emma: o pequeno Matteo, de oito, e Clara, de cinco. Emma, adolescente, passava horas trancada no quarto ouvindo música no fone, mas ainda buscava o colo de Ayla quando alguma decepção adolescente apertava o peito. Juan trabalhava menos, aprendeu a largar relatórios para chegar a tempo de jantar com todos. Ainda tinha o velho hábito de passar a mão pelos cabelos quando preocupado, mas agora a preocupação era se Emma estaria pronta para o primeiro baile da escola ou se Matteo tinha estudado o suficiente para a prova de matemática.

Ayla, por sua vez, carregava rugas novas no rosto, mas também uma serenidade que antes parecia impossível. De vez em quando, acordava de madrugada assustada com memórias da mãe adotiva, com a lembrança do frio da infância, mas aprendia a se aquietar ao sentir o braço de Juan pesando sobre sua cintura. E quando via Emma chamar Juan de pai sem hesitar, percebia que o amor que aprendera a dar tinha vencido o medo de repetir ausências.

Amanda caminhava pela mesma estrada, mas em outra casa. Uma casinha térrea, clara, cheia de plantas nas janelas e cheiro de café recém-passado pela manhã. Miguel, o homem que um dia tinha sido apenas um companheiro tímido na aula de dança, agora era marido. Os dois não tiveram filhos, mas Amanda falava com carinho de ser tia dos filhos de Ayla e Juan. Ela nunca deixou de pensar em Ryan, nunca deixou de carregar aquele misto de saudade e raiva, mas aprendeu a não permitir que isso fosse a única história dela. A cada aniversário, Miguel fazia questão de dançar com ela na sala, e Amanda sorria, ainda com lágrimas, mas agora de gratidão.

Bianca também havia se casado, com Marcus, o advogado que a conheceu numa tarde qualquer em uma livraria. Não foi uma história romântica, dessas que se contam em filmes, mas uma parceria construída com paciência. Bianca nunca deixou de carregar a marca da obsessão por Juan, um arrependimento que de vez em quando se insinuava, mas Marcus era firme, lembrava-a de quem ela era hoje, não quem tinha sido. Eles não tiveram filhos, mas criavam juntos dois cachorros enormes que enchiam a casa de latidos e bagunça.

Epílogo 1

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