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O Viúvo e a Babá romance Capítulo 198

As semanas que se seguiram ao nascimento do bebê transformaram a casa num lugar onde o cansaço e a descoberta se misturavam em cada canto. Ayla mal conseguia distinguir manhã de noite; o relógio da sala, que antes marcava as horas com um som alto e constante, agora parecia zombar dela, marcando um tempo que não obedecia ao ritmo da maternidade. Aos poucos, porém, a poeira foi baixando. O bebê mamava melhor, Emma já não chorava escondida com medo de perder espaço, e Juan fazia o possível para manter a mansão viva e funcional enquanto a família se ajeitava.

Era um domingo de sol. O cheiro de terra molhada ainda vinha das chuvas da madrugada, misturado ao aroma forte do café que Juan havia passado mais cedo. Ayla saiu do quarto com o bebê no colo, os pés descalços tocando o piso frio de mármore. Ele dormia pesado, o corpo mole, o rosto enfiado contra o peito dela. Emma estava sentada no tapete da sala, pintando com lápis de cor, a língua para fora num gesto concentrado que lembrava Juan quando assinava documentos.

— Você vai querer torradas com geleia? — Juan perguntou, aparecendo com uma bandeja simples. Café preto, uma jarra de suco de laranja e um prato de pão caseiro que ele havia comprado na padaria da esquina.

Ayla riu baixo.

— Você não se cansa de tentar me mimar?

— Canso. Mas gosto. — Ele colocou a bandeja sobre a mesa e se aproximou para beijar a testa dela. — Hoje quero que você descanse.

— Descansar... — Ayla olhou para o bebê, depois para Emma, que acabara de derrubar um lápis debaixo do sofá. — É, claro. Descansar.

Eles riram juntos, cúmplices daquele caos.

O dia seguiu preguiçoso, e Ayla achou estranho quando Juan insistiu que todos se arrumassem depois do almoço.

— Vamos sair um pouco, tomar um ar — disse ele, mas a ansiedade nos olhos denunciava que havia algo mais.

Emma, curiosa, perguntou:

— Pai, onde a gente vai?

— Surpresa — respondeu Juan, com um sorriso que não conseguia esconder a emoção.

No caminho, a estrada florida da cidade, com ipês amarelos enchendo o caminho de cor, parecia um cenário perfeito para o que viria. O bebê estava preso na cadeirinha nova que Juan instalara com as próprias mãos, Emma cantarolava baixinho uma música da escola, e Ayla observava tudo em silêncio, desconfiada. Conhecia Juan o bastante para saber quando ele escondia algo.

Quando chegaram, Ayla reconheceu o lugar de imediato: a vinícola antiga onde tinham ido uma única vez, num dia em que tudo entre eles ainda parecia incerto. O mesmo portão de ferro trabalhado, a mesma casa de pedra clara no alto da colina.

— Juan... o que estamos fazendo aqui? — perguntou, a voz embargada.

Ele desligou o carro e abriu a porta sem responder. Apenas estendeu a mão para ela.

A entrada estava decorada de forma simples, mas bonita. Velas acesas em potes de vidro, flores colhidas do próprio jardim espalhadas pelo caminho. Emma correu na frente, encantada, e foi recebida por uma funcionária da vinícola que a levou para ver os parreirais. Juan pegou o bebê no colo e, com a outra mão, segurou firme a de Ayla.

— Preciso te mostrar uma coisa — disse ele, a voz baixa, quase trêmula.

Eles caminharam até um pequeno deque de madeira, de onde se via toda a paisagem do vale. O sol começava a cair, tingindo o céu de laranja e rosa. Ayla sentiu um aperto no peito, o coração acelerado.

Juan colocou o bebê no carrinho ao lado e, sem aviso, se ajoelhou diante dela.

O coração dela disparou.

— Ayla, eu já perdi demais na vida. Perdi meu irmão, perdi anos com a Emma, perdi até a fé em mim algumas vezes. Mas quando você entrou nela, tudo começou a voltar. Não foi fácil, você sabe. Nós brigamos, erramos, nos machucamos. — Ele respirou fundo, os olhos marejando. — Mas nunca tive tanta certeza de algo como tenho agora. Você é a mulher que me fez acreditar de novo.

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