O ar naquela atmosfera pareceu denso demais, enquanto eu assistia a troca de olhares selvagens e ameaçadores entre Erlon e o meu chefe.
—Quem você pensa quem é?— Erlon pergunta exasperado, e tenta se afastar da figura potente e alta em sua frente.
Sr. Barichello apenas dá um passo em frente e só aquele simples ato parece ser ameaçador o suficiente.
—Essa será a segunda e última vez que sugiro que deixe a moça em paz.— Ouço a voz do meu chefe soar baixa o suficiente, estridentes.
—E eu vou perguntar pela segunda vez: quem diabos é você?— Erlon insiste, também se aproximando.
Sinto meu coração acelerar rapidamente. Eu não fazia ideia sobre tudo que poderia acontecer naquela situação, mas eu tinha a absoluta certeza que eu não gostaria do que quer que fosse.
Por isso, soube que precisava intervir. Mesmo que isso me forçasse a agir do modo mais estupido possível.
—Erlon, tudo que a Diana te contou é verdade.— Eu falei rapidamente, entrando no meio dos dois. —E esse é ele. É o cara que escolhi ao invés de você. Então apenas vá embora e me deixe viver a vida que sempre sonhei, que é longe de você.
Meu coração estava batendo tão forte que eu podia ouvir os seus batimentos fortemente em meus ouvidos. Tentando controlar a respiração e aproveitando o desconcerto que aquela revelação causou a Erlon, decidi sair dali o mais rápido possível.
Então, mais uma vez agindo impulsivamente, levei a minha mão até o do sr. Barichello e fiz uma prece mental que ele aceitasse o meu toque e entendesse o que eu estava planejando.
Felizmente funcionou.
A sua mão grande e áspera abraçou a minha com firmeza enquanto eu apenas o puxava para longe, tentando apenas fugir daquele lugar. Daquela situação humilhante. Durante todo o trajeto enquanto nos afastávamos, eu sentia uma eletricidade magnética pinicando em minha mão e tomando o meu corpo inteiro.
—Tudo bem, acho que já estou a salvo.— Digo, depois de alguns minutos em que saímos daquela avenida.
No mesmo instante, afasto minha mão da sua e os olhos dele seguem presos nos meus. Engulo em seco, talvez eu devesse realmente uma explicação.
—Me desculpe por isso. Não quis colocá-lo nessa situação. Eu só... Bem, você se meteu.— Mordi o lábio assim que aquelas palavras saem por minha boca. —Quer dizer, estava tudo sobre controle.
Meu coração continua batendo rapidamente e eu começo a suar sem parar. Sinto minha visão turva por um momento e preciso me segurar no parapeito da ponte daquela rua. O cintilar da água do lago abaixo me deixa enjoada.
—Você está bem?— ouço a voz do meu chefe, distante.
Consigo assentir, e tento voltar a me virar e o olhar. No entanto, aquele meu movimento parece ser brusco demais, porque sinto o chão sobre os meus pés sumir e em seguida, toda minha visão escurecer.
Tudo que lembro de sentir, pela última vez, é braços firmes me amparando.
***
Não sei quanto tempo passou, até que pudesse abrir os meus olhos novamente.
—Onde eu estou? — sussurro, enquanto tento me sentar e uma dor excruciante me rompe a cabeça.
Meus olhos doem enquanto tento me situar onde estou, mas tudo que vejo são pares de olhos intensos e escuros me olhando no lado oposto do quarto.
—Você...— resmungo, ainda desnorteada e finalmente consigo sentar.
—Você desmaiou mais cedo e eu a trouxe pra cá.— Sr. Barichello fala, os braços cruzados me analisando.
Desconfiada, olho ao redor e eu não faço ideia de onde estávamos.
—Você está em um hotel aos arredores da avenida sul.— Ele começa a explicar. —Sua pressão deve ter caído, o que imagino que deve ter sido influência de beber de estômago vazio.
Ouço a repreensão em sua voz e me pergunto como ele poderia saber que eu não havia comido.


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