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O Viúvo e a Babá romance Capítulo 199

O sábado começou abafado, como se o próprio céu estivesse inquieto, prestes a desabar em tempestade. Na cozinha da mansão, o barulho era constante: talheres batendo, panelas arrastadas, gente indo e vindo com caixas de flores, toalhas, garrafas de vinho. O ar cheirava a pão de queijo recém-saído do forno, misturado ao perfume doce das rosas que uma vizinha trouxera de presente. O som das vozes se misturava ao riso das crianças correndo pelos corredores, enquanto o bebê, embalado por Andrea, dormia tranquilo no carrinho.

Ayla estava no quarto, diante do espelho, sentada numa cadeira baixa. O vestido pendurado na porta balançava levemente com a brisa que entrava da janela aberta. Não era um vestido de noiva tradicional, daqueles cheios de rendas e caudas enormes. Era simples, de tecido leve, quase bege, com bordados discretos na cintura. Ela havia escolhido assim porque não queria parecer outra pessoa, não queria se esconder atrás de nada. O bebê dormia no berço ao lado, a respiração curta, um chiadinho que só ela sabia identificar quando era sono tranquilo ou quando vinha febre.

Emma invadiu o quarto sem bater, como sempre. Usava um vestido amarelo, o cabelo preso num coque desmanchado, as bochechas vermelhas de tanto correr pela casa.

— Tá todo mundo gritando lá embaixo. O tio Miguel chegou com a Amanda, e a vovó Andrea trouxe bolo. Ah, e a tia Diana veio também, mas ficou meio quieta.

Ayla riu, nervosa.

— Claro que tá todo mundo gritando. Hoje vai ser um dia daqueles.

Emma se aproximou do berço, olhou para o irmão e depois voltou para a madrasta.

— Você tá bonita mesmo sem o vestido. Mas vai casar assim?

— Ainda não, mocinha. — Ayla puxou a menina para o colo, fazendo-a sentar-se em sua perna. — Mas obrigada pelo elogio. Você tá linda também.

Emma deu de ombros, mas sorria. Era aquele sorriso tímido, como se ainda tivesse medo de se permitir ser feliz de verdade.

Lá embaixo, Juan tentava manter a ordem, mas não dava conta. Miguel estava encostado na parede, abrindo uma garrafa antes da hora, e Amanda brigava com ele para não derrubar vinho no tapete novo. Andrea caminhava de um lado para o outro com um pratinho de brigadeiros, distribuindo doces como se fosse solução para todo tipo de tensão. Diana estava de pé na varanda, fumando escondido, olhando fixo para o jardim reconstruído depois da explosão. Não conseguia entender ainda porque havia sido convidada. Mas estava ali.

Juan respirou fundo, afrouxou a gravata e deixou escapar:

— Eu devia ter contratado alguém pra organizar essa bagunça.

— Mas aí não teria graça — Amanda respondeu, rindo. — Você gosta de se sentir no controle. Hoje não vai conseguir.

Ele apenas passou a mão pelos cabelos e pegou o filho no colo, como se aquele peso pequeno fosse a única âncora que precisava. O bebê bocejou, os olhinhos semicerrados. Juan encostou a testa na testa dele.

— Pelo menos você tá tranquilo.

A cerimônia não era num salão, nem numa igreja. Foi no jardim da própria mansão, que ainda guardava cicatrizes da explosão meses antes. As pedras do muro tinham tonalidades diferentes, parte nova, parte antiga, e as flores plantadas recentemente ainda não tinham crescido o suficiente para esconder os buracos de terra. Ayla quis que fosse ali, justamente porque queria que as marcas ficassem. Não era sobre perfeição, era sobre reconstrução.

As cadeiras estavam dispostas em duas fileiras. As flores, simples, vinham de quintais próximos. Havia cheiro de lavanda e hortelã no ar.

Quando Ayla surgiu pela porta, de vestido leve e cabelo solto, Juan sentiu o estômago revirar como se fosse a primeira vez que a via. Emma correu na frente, espalhando pétalas de papel que ela mesma cortara, e tropeçou no meio do caminho, arrancando risadas da plateia. Ela levantou rápido, orgulhosa, fingindo que nada tinha acontecido.

Andrea segurava o bebê no colo, mostrando-o para todos como se fosse um troféu. O menino acordou no instante em que a mãe apareceu, e resmungou baixinho, um som que parecia querer chamar a atenção de Ayla. Ela olhou para ele, emocionada, e as lágrimas vieram antes que pudesse controlar.

O juiz de paz pigarreou, tentando manter certa formalidade, mas logo se rendeu ao clima íntimo e desajeitado da ocasião. Falou pouco, o suficiente para lembrar que casamento era escolha diária, não um evento.

Quando pediu que Ayla e Juan dissessem algumas palavras, houve silêncio. Juan segurou as mãos dela com força, respirou fundo e falou baixo, mas claro o suficiente para que todos ouvissem.

Capítulo 199 1

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