Escrever esta história foi, para mim, muito mais do que simplesmente criar personagens e enredos. Foi uma verdadeira travessia, uma jornada profunda que me levou a lugares dentro de mim que eu nem sempre sabia que existiam. Cada página nasceu de um encontro íntimo com minhas próprias dores, ausências que ainda ecoam no silêncio dos meus dias, e amores que, de um jeito ou de outro, me sustentaram nos momentos em que a escrita parecia impossível, quando as palavras teimavam em fugir e o coração parecia pesado demais para continuar. Foi um processo de autoconhecimento, de enfrentamento e, acima de tudo, de entrega.
Quando comecei a escrever, não tinha a menor ideia de onde essa história me levaria. Não sabia quais caminhos ela abriria, nem quais portas se fechariam ao longo do percurso. Tudo o que eu sabia era que precisava dar voz a mulheres que, tantas vezes, são silenciadas pela vida, pela sociedade, por suas próprias inseguranças. Mulheres como Ayla, Amanda, Alison, Andrea, Emma... Cada uma delas carrega cicatrizes diferentes, histórias únicas, mas todas nascem do mesmo ponto fundamental: o desejo profundo de ser amada, de pertencer a algum lugar, de encontrar um sentido que justifique a existência. E talvez seja isso o que todos nós buscamos, em algum momento da vida, um lugar onde possamos ser vistos, ouvidos e aceitos, com todas as nossas imperfeições e fragilidades.
Enquanto escrevia, percebia que não estava apenas contando uma história fictícia. Estava, na verdade, costurando com palavras as perguntas que carrego comigo há muito tempo: sobre família, perdão, sobrevivência, recomeço. Perguntas que não têm respostas fáceis, que muitas vezes ficam suspensas no ar, esperando que alguém as acolha com paciência e empatia. A escrita se tornou, para mim, uma forma de diálogo, não só com as personagens, mas comigo mesma, com o passado, com as feridas que ainda não cicatrizaram completamente. Cada capítulo era uma conversa silenciosa entre o que vivi, o que observei e o que imaginei, um espaço onde a realidade e a ficção se entrelaçavam para dar forma a algo maior do que eu mesma.
Quero aproveitar este momento para agradecer a cada pessoa que leu até aqui, com paciência e coração aberto. A escrita só se completa quando encontra um olhar do outro lado, quando as palavras que saem do papel ou da tela encontram um lugar para habitar na alma de alguém. E eu me sinto profundamente grata por cada leitor que me acompanhou nessa jornada, que se permitiu mergulhar nesse universo de emoções, dúvidas e descobertas. Se alguma frase tocou você, se algum personagem lembrou alguém que você conhece, se em algum momento você chorou, sorriu ou sentiu raiva, então tudo já valeu a pena. Porque a literatura, no seu melhor, é isso: um espelho onde nos reconhecemos, um abraço invisível que nos conforta e nos desafia ao mesmo tempo.
Escrevi muitas dessas cenas de madrugada, em silêncio, com uma xícara de café frio ao lado e a sensação de que estava conversando com alguém invisível, que me escutava sem pressa, sem julgamentos. Outras vezes, escrevi entre lágrimas, porque certas dores das minhas personagens são também as minhas, e talvez por isso eu nunca consiga me despedir delas de verdade. Elas permanecem comigo, como sombras que me acompanham, lembrando que a vida é feita de encontros e despedidas, de alegrias e tristezas entrelaçadas. A escrita foi, para mim, um refúgio e uma forma de resistência, uma maneira de dar sentido ao caos, de transformar a dor em algo que pudesse tocar outras pessoas.
Essa história é, acima de tudo, um lembrete de que a vida não se fecha em linhas retas, não segue um caminho previsível ou linear. Há perdas que nunca se reparam, feridas que nunca cicatrizam completamente, escolhas que deixam marcas permanentes na alma. Mas também há encontros que salvam, gestos pequenos que resgatam, instantes que nos devolvem à vida quando já pensávamos estar perdidos. É nesse espaço entre a dor e a esperança que a história se desenrola, mostrando que, mesmo nas noites mais escuras, há sempre uma luz que pode nos guiar de volta para casa. E é essa luz que eu quis capturar, com toda a delicadeza e complexidade que ela merece.
Ao longo do processo de escrita, aprendi a olhar para minhas próprias feridas com mais compaixão. Percebi que a vulnerabilidade não é sinal de fraqueza, mas sim de coragem, coragem de enfrentar o que dói, de aceitar o que não pode ser mudado, de seguir em frente apesar das incertezas. E foi essa coragem que tentei transmitir para as minhas personagens, para que elas pudessem ser, de alguma forma, companheiras de quem lê, oferecendo conforto e inspiração. Cada uma delas representa uma faceta diferente da experiência humana, e juntas formam um mosaico que reflete a complexidade da vida real.
Também quero agradecer a todas as pessoas que, direta ou indiretamente, fizeram parte dessa caminhada. Aos amigos que ouviram minhas dúvidas e medos, aos familiares que me apoiaram mesmo quando eu me sentia perdida, aos leitores que enviaram mensagens carinhosas e compartilharam suas próprias histórias. Vocês foram a rede invisível que me sustentou, o combustível que manteve acesa a chama da escrita. Sem esse apoio, talvez eu não tivesse conseguido atravessar os momentos mais difíceis, quando a dúvida e o medo ameaçavam me paralisar.
Em especial, quero dedicar um agradecimento muito especial ao meu marido, Alex Luz. Sua paciência infinita, seu amor silencioso e seu apoio incondicional foram fundamentais para que eu pudesse seguir em frente. Nos dias em que a insegurança me dominava, você foi a voz que me lembrava do meu valor. Nos momentos em que a exaustão parecia vencer, você foi o abraço que me reconfortava. Obrigada por acreditar em mim, mesmo quando eu mesma duvidava. Por dividir comigo as alegrias e os desafios dessa jornada, por ser meu porto seguro. Meu Juan.
À minha mãe, que me ensinou o valor da resiliência e da empatia, deixo minha gratidão eterna. Sua força diante das adversidades e seu amor inabalável foram exemplos que carreguei comigo enquanto escrevia. Muitas das histórias que contei têm um pouco de você, da sua coragem silenciosa e da sua capacidade de amar sem medidas. Obrigada por ser minha inspiração constante, por me mostrar que, mesmo nas tempestades, é possível encontrar beleza e esperança.
Não posso deixar de agradecer também à minha editora Filipa e a toda a equipe que acreditou neste projeto desde o início. Vocês foram mais do que profissionais; foram parceiros de criação, oferecendo orientação, cuidado e entusiasmo em cada etapa. A revisão minuciosa, as sugestões construtivas, o carinho com que trataram cada palavra, tudo isso fez com que esta história ganhasse vida de uma forma que eu jamais poderia imaginar. Obrigada por acreditarem no meu trabalho e por me ajudarem a transformá-lo em algo verdadeiro, que agora pode chegar até vocês, leitores.
Por fim, escrever é um ato de amor, amor pelas palavras, pelas histórias, pelas pessoas que habitam o mundo da imaginação e da realidade. É um ato de resistência contra o silêncio, contra o esquecimento, contra a solidão. E é também um ato de esperança, porque cada história que nasce é uma semente plantada no terreno fértil da alma humana, pronta para florescer e transformar. Acredito profundamente no poder da literatura para conectar pessoas, para abrir janelas para outras realidades, para nos fazer sentir menos sozinhos.
Sei que esta história não é perfeita, que ainda há muito a ser dito, muito a ser explorado. Mas ela é sincera, feita com o coração aberto e a alma exposta. E isso, para mim, já é um grande passo. Espero que, ao lê-la, você possa ter encontrado um pouco de si mesmo, um pouco de luz para os seus próprios caminhos. Que as palavras aqui escritas possam servir como um convite para olhar para dentro, para acolher as próprias dores e celebrar as próprias forças.


Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: O Viúvo e a Babá