— Nem pense em engravidar. Se houver qualquer possibilidade de você ficar grávida… — ele fez uma pausa breve, olhando-a com frieza absoluta — Se isso acontecer, eu mando tirar. Eu não quero um filho com você.
Por alguns segundos, ela não conseguiu compreender o que acabara de ouvir.
Helena congelou. O mundo pareceu parar, cada palavra era uma lâmina. Ela sentiu os olhos se encherem de lágrimas.
Aquelas palavras não atingiam apenas a mulher que havia se entregado a ele. Atingiam também todos os sonhos silenciosos que Helena, apesar de nunca ter ousado confessá-los, começara a alimentar.
— Não vou permitir que o erro desta noite complique ainda mais a nossa situação.
Helena apertou o lençol entre os dedos.
— Um erro… — repetiu, como se precisasse ouvir a própria voz para acreditar.
— Exatamente. Um erro. E não vai se repetir.
Dessa vez, as lágrimas escaparam.
Ela tentou contê-las, mas não conseguiu. Não chorava apenas pela rejeição, nem somente pela crueldade das palavras. Chorava porque, durante algumas horas, havia acreditado que finalmente conhecera uma parte de Eduardo que ele mantinha escondida do mundo.
Agora, ele negava até mesmo que aquela parte existisse.
E o pior era que Helena não sabia se a ternura da noite anterior havia sido verdadeira ou se ela havia atribuído significado demais a gestos que, para ele, não passavam de momentos sem importância.
Mas ele não se comoveu. Não houve sequer um vestígio de arrependimento em seu rosto, apenas frieza e rejeição.
— Agora, saia. — disse ele, virando-se de costas novamente.
Helena não se moveu.
As palavras pareciam chegar até ela de muito longe. Seu corpo estava ali, mas sua mente ainda tentava encontrar uma explicação para aquela mudança brutal.
— Eu disse para sair, Helena. — a voz dele veio mais baixa, entre dentes, ainda mais perigosa.
Ela estremeceu.
Sem forças para reagir, ela se levantou lentamente e se enrolou no lençol, cada movimento parecia pesar toneladas. Caminhou até a porta, a mão tremia quando tocou a maçaneta.
Antes de sair, lançou um último olhar para ele, mas Eduardo não se virou.
Então ela saiu.
E, quando a porta se fechou, Helena compreendeu que alguma coisa havia mudado dentro dela. Não que tivesse deixado de amá-lo, esse sentimento continuava ali, doloroso e indesejado.
O que se quebrou foi a esperança de que o amor, por si só, fosse suficiente para alcançar o homem por trás daquela frieza.
Naquela manhã, Helena deixou o quarto de Eduardo levando consigo uma dor que não sabia como suportar, nem conseguiu imaginar um futuro em que os dois fossem felizes.
E, naquele instante, algo dentro dela se quebrou de forma definitiva, não havia mais esperança para ela.
*****
Depois que Helena saiu do quarto, Eduardo permaneceu imóvel por alguns instantes.
O silêncio parecia ensurdecedor.
Ele terminou de se vestir, pegou o celular e fez uma ligação para o escritório. Informou que precisaria viajar a negócios e exigiu que os compromissos do dia fossem reorganizados. Não deu explicações, tampouco mencionou quando retornaria.
Pouco depois, deixou a mansão.
Helena não tornou a vê-lo naquele dia.
Só mais tarde, soube que Eduardo havia viajado sem aviso ou explicação.
Ele retornou quase dois meses depois. E, quando voltou, encontrou a casa silenciosa e uma esposa que já não era capaz de olhar para ele com a mesma esperança que tivera algum dia.
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