A chegada de Eduardo à sede do Grupo Monteiro pareceu fazer a temperatura cair ainda mais no saguão da empresa.
Desde que atravessou as portas do edifício, ele não olhou para os lados nem cumprimentou ninguém. Caminhava com a habitual altivez, mas havia algo ainda mais intimidante em sua postura naquela manhã. Seu semblante fechado, sua arrogância mais aparente e o olhar impassível como um bloco de gelo, pareciam advertir qualquer um a não se aproximar.
Ao chegar ao andar da presidência, saiu do elevador a passos largos e seguiu diretamente para sua sala.
Márcia já o aguardava. Assim que ele passou por sua mesa, levantou-se.
— Bom dia, senhor Monteiro.
Eduardo sequer respondeu. Entrou no escritório, seguido pela secretária, que trazia o tablet com a agenda do dia.
Ele mal havia se acomodado atrás da mesa quando perguntou:
— Qual é a minha agenda?
Márcia conteve um suspiro. A viagem de negócios não havia melhorado em nada o humor do chefe. Pelo contrário, Eduardo parecia ter voltado ainda mais impaciente, com o cenho permanentemente franzido e uma irritação que transparecia em cada gesto.
Sem comentar nada, ela passou a agenda do dia e os compromissos, começou a anotar as reuniões e as demandas que precisavam ser encaminhadas aos respectivos setores numa velocidade que ela mal conseguia acompanhar.
— Mais alguma coisa, senhor? — perguntou ao terminar.
— Traga café e água. Depois, mande Murilo entrar.
— Sim, senhor.
Ela se dirigiu à porta e, ao abri-la, encontrou Murilo parado do lado de fora, pronto para entrar. Márcia passou por ele e revirou discretamente os olhos.
Murilo compreendeu o gesto de imediato. Não precisava perguntar. A expressão da secretária dizia tudo o que ele próprio vinha pensando desde que retornaram da viagem.
Aqueles dias haviam sido exaustivos.
Reuniões intermináveis, deslocamentos constantes e uma sequência de exigências que parecia não ter fim. Por onde passavam, Eduardo levava diretores, gestores e funcionários ao limite. Murilo chegara a saber que alguns haviam sofrido crises de ansiedade e precisando se afastar temporariamente do trabalho.
Eduardo, porém, parecia não sentir o próprio desgaste. Trabalhava até altas horas da madrugada, comia pouco, dormia menos ainda e, nos últimos dias, mal se preocupava em fazer a barba. Para completar, havia aumentado consideravelmente o consumo de cigarros.
Era como se estivesse tentando vencer alguma coisa à força, embora ninguém soubesse exatamente o quê.
Murilo entrou no escritório.
— Bom dia, senhor.
Eduardo ergueu os olhos dos documentos que já começara a examinar.
— Bom dia, por quê? — retrucou, ríspido. — Alguma coisa aconteceu para justificar tanto otimismo?
Murilo respirou discretamente pelo nariz, ignorando a provocação.
— Temos algumas pendências que precisam da sua aprovação.
Murilo começou a apresentar as demandas, enquanto Márcia retornava com uma bandeja contendo café e água.
— O senhor Fagundes chegou. — anunciou ela, colocando a bandeja sobre a mesa.
— Mande-o entrar imediatamente.
Márcia assentiu e saiu.
Pouco depois, um homem de aproximadamente quarenta anos entrou no escritório, carregando uma pasta.
Eduardo fez um gesto para Murilo.

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