Fagundes observou a reação do empresário por um breve instante. A preocupação havia surgido antes que Eduardo pudesse disfarçá-la, embora logo fosse substituída pela expressão habitual de indiferença.
— Pelo que conseguimos apurar, foram exames de rotina.
Eduardo voltou os olhos para o relatório. Conferiu as datas das visitas, procurando alguma informação que tivesse passado despercebida.
As consultas eram recentes. Segundo as anotações, não havia nada fora do comum. Ainda assim, ele permaneceu alguns segundos encarando a página.
— Só isso? — perguntou, com uma incredulidade que não conseguiu esconder por completo.
Fagundes compreendeu a pergunta que estava por trás daquelas palavras.
— Sim, senhor. Não identificamos encontros suspeitos nem contatos frequentes com outros homens. Além das pessoas já mencionadas, não encontramos nada relevante.
Eduardo fechou parcialmente a pasta.
— E Danilo Ribeiro?
— Ao que tudo indica, deixou a cidade. A empresa estava falida, e ele acumulava dívidas consideráveis, inclusive com agiotas. Pelo que apuramos, conseguiu quitar os débitos antes de partir. Não encontramos registros de novos contatos entre ele e a senhora Monteiro durante sua ausência.
Eduardo recostou-se na cadeira.
Limpo demais.
Previsível demais.
Nenhum encontro escondido. Nenhuma saída inexplicável. Nenhuma prova de que Helena tivesse aproveitado sua ausência para encontrar Danilo.
O relatório não confirmava suas suspeitas. Na verdade, contrariava boa parte delas.
Mas havia uma informação que continuava martelando em sua cabeça: Helena ajudou Danilo a pagar suas dívidas.
Fagundes observou o empresário em silêncio. Ao longo da carreira, investigara inúmeros casos de suspeita de infidelidade entre pessoas influentes. Sabia reconhecer quando um cliente buscava fatos e quando, na verdade, procurava algo que justificasse uma decisão já tomada.
Naquele caso, tudo o que encontrara apontava para a inocência de Helena. Ainda assim, não lhe cabia interferir.
— Deseja que continuemos o acompanhamento, senhor?
Eduardo ficou imóvel por alguns instantes.
Durante os dois meses em que estivera fora, Helena tivera tempo de sobra para procurar Danilo. Não o fizera. Tampouco havia indícios de que mantivesse qualquer contato com ele.
Talvez tivesse decidido esperar pelo fim do contrato, talvez estivesse apenas sendo cautelosa.
Afinal, se realmente pretendia partir quando o casamento terminasse, não teria motivos para se expor antes da hora.
Havia, porém, outra questão que continuava a incomodá-lo: Bruno.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Proibida de Amar Meu Marido