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Quarto errado, Mafioso certo! romance Capítulo 3

Cap.3

— Eu te vendi. — Ele deu de ombros, com aquele mesmo sorriso cínico que ela sempre odiara. — Virgens como você valem ouro. E o seu corpo lindo vai me render um bom negócio hoje.

Ela tentou se levantar, mas o corpo não respondeu. Cada músculo parecia morto. As lágrimas começaram a cair sozinhas, queimando-lhe a pele.

— Mathias… por quê…? — A voz saiu falha, trêmula de pânico.

Ele se inclinou, aproximando o rosto do ouvido dela, o hálito quente e agora repulsivo a fazendo estremecer.

— Porque o amor não paga dívidas. Até nunca mais, meu bem. — A voz dele foi a última coisa que ela ouviu antes que a porta se fechasse.

O som seco da madeira ecoou dentro dela como uma sentença.

Ainda lembrava do instante em que seus olhos pesavam, mas sua mente gritava para não dormir. As luzes se dissolviam, borradas, e o ar parecia grosso demais para respirar.

Ouviu vozes. Homens. Risos baixos. Do lado de fora, e alguns ruídos estranhos — como se coisas estivessem caindo. Ela não sabia o que acontecia lá fora; sua cabeça era uma confusão, tentando suportar o efeito da droga que ele lhe dera.

O corpo não obedecia, mas o pânico estava inteiro, pulsando, desesperado para arrancá-la dali.

— É esse o quarto? — perguntou uma voz masculina, fria.

— Sim. — A resposta veio curta.

Então a primeira voz soou novamente, baixa, grave, arrastada — e atravessou a pele dela como farpas.

— Linda... foi mesmo um bom negócio.

Sentiu passos se aproximando. O colchão afundou sob um peso. O coração dela batia fora de compasso. Queria gritar, mas só o silêncio escapava da garganta. Os olhos estavam pesados demais, e ainda assim ela lutava para ver quem era — mas tudo era um borrão quando o rosto dele se inclinou na direção do seu.

Tudo o que restava era a consciência — essa maldita consciência — sentindo o ar quente roçar-lhe a pele, a respiração dele descendo do rosto até entre os seios. Achou sentir os lábios dele tocarem ali, e o medo se tornou algo vivo, sufocante.

Aquilo ia mesmo acontecer? Seria abusada e nem sequer lembraria ou saberia por quem?

Uma lágrima solitária escorreu antes que a escuridão a devorasse de vez.

Quando voltou a si, a cabeça latejava. A luz fraca do quarto era um corte branco atravessando suas têmporas. Ainda estava no mesmo lugar.

Seu corpo inteiro tremia.

Instintivamente, agarrou a barra curta do vestido, puxando-o para baixo, tentando esconder o que ele insistia em mostrar. O tecido ainda estava inteiro. Nenhum rasgo. Nenhum sinal. Nenhuma marca. As peças, o sapato… tudo no lugar. Parecia que não havia sido tocada, mas, a cada análise que fazia de si mesma, o pavor não diminuía.

Sentou-se devagar. Foi então que o viu — ainda tonta, com a cabeça girando. Um homem.

Estava sentado em uma poltrona, os braços fortes cruzados, os músculos tensos sob o tecido da camisa de mangas dobradas. Aquela imagem a fez arregalar os olhos. Pulou para trás, o coração disparado.

A pistola repousava em sua mão como uma extensão natural do corpo. Ele não parecia relaxado — parecia à espreita, como um predador pronto para matar o primeiro que se movesse.

Os olhos dele encontraram os dela. Eram duros, sem humor, e uma sobrancelha arqueada lhe dava um ar de julgamento… ou de sentença.

Ela analisou a expressão dele por um momento, sem conseguir formar palavras. Havia manchas de sangue na camisa, o que só intensificava o sinal de perigo que sua mente gritava. Mesmo assim, ele era absurdamente bonito… e familiar. Mas ela nunca o vira antes.

— Ora essa... ela já acordou... — A voz arrastada soou carregada de tédio, enquanto ele balançava a arma como se quisesse intimidá-la. O timbre, porém, a fez congelar.

Aquela voz.

A mesma que dissera que ela fora um bom negócio. A mesma respiração quente que sentira sobre a pele.

Um arrepio percorreu-lhe a espinha.

A barba sombreava-lhe o rosto, o maxilar firme parecia esculpido em raiva, e havia um cansaço sombrio em seu olhar. Mesmo exausto, ele emanava uma força que a fez estremecer. Era óbvio que não era alguém com quem devesse discutir. Mas o que poderia fazer agora?

Engoliu em seco, tentando se recompor. Cruzou os braços sobre o peito, tentando esconder o decote indecente do vestido ridículo.

Não havia lençóis. Não havia coberta. Só ela — desprotegida — e ele, imóvel, como uma fera observando a presa.

— V-você... fez alguma coisa comigo? — A voz dela falhou miseravelmente.

Ele soltou um som breve, quase um riso abafado, e bufou, como se a pergunta fosse uma piada patética.

Cap. 3 1

Cap. 3 2

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