Richard não consegue dormir depois da conversa que teve com Alice. Sua mente está perturbada, e nenhuma de suas reflexões o leva a uma conclusão satisfatória. Já se passam das quatro da manhã e ele não sente nenhum sono. Ele sabe que precisa enfrentar a família Jones e decidir a respeito do que Madeline disse.
Pensando nela, resolve ligar naquele momento, pois sabia que não teriam outra oportunidade de conversarem pessoalmente. O celular toca por um tempo e ele imagina que Madeline esteja dormindo por conta do horário, mas mesmo assim insiste em ligar.
Deveria ter uma última conversa e expor para Madeline as consequências que os seus atos iriam causar caso ela não retrocedesse em suas falsas acusações.
— Alô — Madeline atende com a voz sonolenta.
— Precisamos conversar — diz ele, com seriedade.
— Richard, o que deu na sua cabeça para me ligar agora? Por acaso, não olhou no relógio antes? — ela questiona.
— E quando poderíamos conversar a sós, se daqui a pouco a verei na presença dos seus pais? Madeline, por que fez aquilo?
— A que se refere? — pergunta, fingindo ignorância.
— Não se faça de boba. Você sabe do que estou falando. Você mentiu ao dizer que abusei de você.
— Não foi uma mentira — contesta. — Você se aproveitou dos meus sentimentos e me usou. Sabe como me sinto quando me lembro que você tocou meu corpo pensando em outra pessoa? Tem noção do que sofro quando penso nisso? Eu me sinto humilhada, rebaixada, como se não tivesse valor algum como mulher.
— Acha que me acusando na frente dos seus pais você conseguirá ter valor para mim? O que está fazendo é tão vil que a única coisa que sinto por você é nojo.
— Me ligou a essa hora para me ofender? Se for isso, eu irei desligar agora mesmo — insinua.
— Não, a minha intenção não é te ofender e sim te conscientizar. Liguei para pedir que retroceda em suas palavras e diga que está mentindo — revela, ouvindo a risada de Madeline do outro lado da linha.
— O que está querendo, Richard? Quer mesmo se passar por inocente comigo? Por que acha que eu faria isso?
Mesmo percebendo que o tom de voz da moça é sarcástico, ele continua sério.
— O que acha que acontece depois do casamento, Madeline? Acha que se nos casarmos, as coisas serão como nos contos de fadas que leu por aí? Pare de fantasiar uma falsa vida.
— Sei que seremos felizes quando começarmos a conviver juntos.
— Não, não seremos, porque quer iniciar um relacionamento com uma mentira, mesmo sabendo que a mentira não leva a lugar algum.
— Eu não me importo com mais nada, Richard. Ainda não percebeu? Estou disposta a pagar para ver.
— Tudo bem, você quem sabe — diz, com um sorriso nervoso. — Acho que te liguei na esperança de encontrar um pouco de sua consciência, mas vejo não haver mais nada dentro do seu coração vazio. Só quero que fique ciente de uma coisa: se eu chegar a me casar com você, pode ter certeza de que será para transformar sua vida em um inferno, do mesmo modo que está querendo fazer com a minha. Eu juro, Madeline, que você irá implorar dia e noite para que eu lhe dê o divórcio. Se não desmentir todas as acusações que me fez, vou te ensinar como é infernizar a vida de uma pessoa de verdade.
— Está me ameaçando?
— Isso não é uma ameaça, é uma promessa — conclui, desligando o telefone.

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