Ao perceber o movimento brusco de Dora, o policial, que já estava estrategicamente próximo, a imobiliza com rapidez, arrancando a faca de sua mão. Outros policiais se aproximam rapidamente e notam que Alice está manchada de sangue. Toda a cena é aterrorizante e se desenrola em questão de segundos.
Lily começa a chorar, assustada pela queda ao chão, e Alice, mesmo ensanguentada, segura sua filha com toda a força e amor que possui.
— Está tudo bem agora, meu amor. A mamãe está aqui — sussurra com ternura no ouvido da criança, tentando acalmá-la.
— Chamem a ambulância agora mesmo! — ordena o chefe da operação, com urgência na voz. Laila e Abraham, que estavam afastados por orientação policial, se aproximam rapidamente. Abraham corre para pegar a neta nos braços de Alice e levá-la para a ambulância, onde poderá receber os primeiros cuidados. Enquanto isso, Laila se abaixa ao lado de Alice, observando com olhos alarmados o sangue que mancha sua amiga.
— Onde ela te feriu? — pergunta Laila, cuja voz é trêmula de preocupação.
— Na mão — responde Alice, respirando fundo. — Ela tentou esfaquear minha barriga, mas eu estava usando um colete. Quando tentei segurar a faca, acabei cortando a mão.
— Meu Deus… — murmura Laila, tremendo de horror diante da situação.
Dora, já imobilizada no chão, se debate violentamente, tentando em vão escapar. Mais policiais se aproximam, levantando-a com firmeza e algemando suas mãos.
— Isso não vai ficar assim, Alice! Eu não posso deixar você ser feliz enquanto meu filho, que merecia estar vivo, faleceu! — grita Dora, com um olhar sombrio e cheio de ódio.
Mesmo ferida, Alice se aproxima da senhora de meia-idade, encarando-a com uma mistura de compaixão e firmeza.
— Dora, a morte do Endrick não foi minha culpa. Tente entender isso e se cure dessa dor. Eu não te desejo mal, pelo contrário, espero que você consiga se recuperar e encontrar um caminho para seguir em frente.
— Não é justo! — Dora grita, com voz carregada de desespero. — Eu não tenho mais meu filho, enquanto você tem três!
— Sei que não é justo o que aconteceu com seu filho, mas você não pode culpar pessoas que não têm nada a ver com isso. Quando seu filho faleceu, eu não tinha mais nada com ele. Nem eu, nem o Richard, nem a Lily temos culpa de nada. Por favor, Dora, coloque isso na sua cabeça e tente seguir com sua vida — implora Alice, um pouco emotiva. — Procure ajuda médica, tenho certeza de que você pode se curar um dia.
Dora fica desnorteada, sem saber o que dizer. Em seu íntimo, ela sabe que Alice tem razão, mas o único modo que encontrou para seguir em frente foi culpar Alice pela morte de seu filho. Essa busca por vingança se tornou o único motivo que a manteve viva.
Os policiais levam Dora dali, enquanto os paramédicos chegam para tratar do ferimento na mão de Alice. Após alguns minutos, Alice e Lily são levadas para a ambulância, onde ficam juntas.
— Está tudo bem, meu amor, tudo já acabou — sussurra Alice, sentindo os pequenos bracinhos de Lily ao redor de seu pescoço. Embora Lily ainda seja um bebê, ela sabe que nos braços da mãe está segura; por isso, fecha os olhos e descansa.
No caminho de volta a Manchester, Abraham faz uma chamada de vídeo para Richard, que está aflito com tudo o que aconteceu.
— Não se preocupe, filho, daqui a pouco chegaremos. Sei que está louco para ver sua mulher e filha, mas Lily precisa passar por alguns exames antes de ser liberada. Foram dois dias difíceis, e ela está muito desidratada.
— Espero que Dora pegue prisão perpétua, porque se essa mulher não se recuperar, sempre tentará fazer mal a você, Alice — comenta Laila, sentada ao lado da amiga.
— Ouvi um médico dizer que é bem provável que ela esteja com problemas mentais, mas só os exames poderão confirmar isso — acrescenta Meredite, enquanto liga para seus advogados para defenderem os interesses da família.
— Não importa onde a coloquem, só espero que a prendam para sempre — declara Laila, sem medo de expressar sua opinião. — Dora tentou matar o pai, o marido e a filha de minha melhor amiga. Não posso ficar em paz sabendo que ela possa ficar solta por aí.
— Nisso, Laila tem razão — declara Silvia. — Não se preocupe, farei o possível para que Dora fique atrás das grades e pague por todo o sofrimento que causou — assegura, confiante em sua experiência como advogada criminalista.
— Também trarei nossos advogados para ajudar — acrescenta Meredite. — O que não faltarão são advogados de acusação contra ela e seu comparsa.
— E do jeito que ela gastou todo o dinheiro lutando contra Alice, só receberá uma assistência jurídica — conclui Silvia.
— Vamos parar de falar sobre isso um pouco? — pede Richard, suavizando o tom. — Quero aproveitar a presença da minha filha e da minha esposa, que estão aqui sãs e salvas.
— Richard tem razão — concorda Abraham, ajudando a colocar a cama de Alice mais próxima da de Richard. Os dois abraçam Lily, que agora está com uma expressão serena. De banho tomado e vestindo uma roupinha delicada de tecido leve, a bebê sabe que ali, nos braços dos pais, está em seu porto seguro.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Querido CEO, seu bebê quer te conhecer!