De volta ao camarote, Liam parou ao lado de Alex e de mais dois amigos, mantendo Olívia perto dele como se ela fosse parte do espaço dele, e era.
— Essa é a minha esposa, Olívia. — anunciou com uma naturalidade que soava como antiga, mesmo sendo tudo tão recente. — A mulher mais doce e atrevida que já conheci… e que conseguiu me domar.
Alex estreitou os olhos com diversão contida, rindo por dentro. Os outros homens cumprimentaram-na com formalidade e respeito, elogiando a beleza dela, soltando comentários leves sobre “como o Liam tinha vencido na loteria”.
Olívia sorria, educada, mas os olhos dela trabalhavam observando, medindo, entendendo a atmosfera, como alguém que entrava num território novo.
A mulher que cochichava com Liam antes reapareceu sorrindo.
— Olívia, né? — disse, estendendo a mão com carinho. — Finalmente te conhecendo. Sou a Lara. Estudei com o Liam na faculdade. Estou muito feliz com a união de vocês.
Um homem alto aproximou-se logo atrás, barba rala, sorriso fácil.
— Prazer. Sou o Daniel, marido da Lara. E amigo desse Zé mané aqui. — bateu no ombro de Liam, provocando.
Olívia sentiu uma pontada de alívio. Um alívio idiota, mas impossível de ignorar. O sorriso dela saiu natural.
— Prazer. — respondeu. — Ele fala pouco da época da faculdade… — lançou um olhar torto para Liam. — E tenho certeza que é porque aprontou todas.
Lara riu alto.
— Ele sempre aprontou. — confirmou divertida. — Mas, olha… você está fazendo um ótimo trabalho em domar o impossível.
Liam apenas encarou as duas com aquele olhar firme, pesado, que dispensava respostas. Depois, tomou um gole longo, como se usasse a bebida para manter a calma.
A música na área VIP estava um pouco mais baixa, mas tinha presença grave, envolvente, suficiente para puxar o corpo a se mexer. Olívia ficou de costas para a grade, com ele atrás dela e então se deixou envolver pela batida.
Começou a dançar ali mesmo.
Lento.
Controlado.
Perigosamente provocante.
Os quadris dela marcavam o ritmo de forma calculada e natural. Os olhos de Olívia, por cima do ombro, encontraram os dele e aquilo acendeu algo perigoso nele.
Era uma guerra silenciosa.
E Liam entrou nela sem resistência.
As mãos dele deslizaram pela cintura dela, subindo devagar, como se mapeassem cada curva. O olhar dele estava fixo nela. Tenso, sombrio, carregado de um desejo que ele tentava conter atrás da máscara fria que era habitual dele.
Ele parecia memorizar cada movimento.
Ela parecia desafiar cada limite dele.
Era assim que eles funcionavam.
Alguns minutos depois, Laura surgiu saltitando, completamente eufórica, o batom ligeiramente borrado e o sorriso largo demais.
— Aêêêê! — comemorou, batendo palmas com a energia de quem tinha acabado de ganhar na loteria. — Meu Deus, quase transaram na pista. — apontou para o irmão, chocada e divertida ao mesmo tempo. — Estou passada com você, Liam.
Olívia abriu a boca para retrucar, mas uma voz masculina atrás de Laura cortou o momento.
— Liam? — chamou, com surpresa genuína. — Quanto tempo, cara.
Laura congelou.
Foi como se desligassem o botão da euforia. O corpo dela travou, os ombros subiram um pouco e ela virou o rosto devagar, como quem encara um fantasma que não esperava ver.
Liam soltou a cintura de Olívia e estendeu a mão para o homem que era quase do mesmo tamanho que ele, negro, bonito, olhar intenso e sorriso fácil.
— Edgar. — cumprimentou, apertando a mão dele num gesto firme, antes de puxá-lo para um abraço rápido. — Você sumiu.
— Estava morando fora. — Edgar disse, rindo. — A vida deu umas voltas… mas voltei.
— Se formou? — Liam perguntou, avaliando-o com aquele olhar clínico, frio, que parecia atravessar qualquer fachada.
— Com muito esforço. — Edgar respondeu, orgulhoso. — Hoje sou cardiologista.
Liam assentiu, quase imperceptivelmente.
— Felipe vai gostar de saber disso. — comentou. — Se tem uma coisa que não dá pra negar… é o quanto ele te apoiou nessa escolha. A raiva dele é que nem eu nem a Laura quisemos seguir o legado dele. — olhou de relance para a irmã. — Meu avô sempre fala de você.
Então puxou Olívia pela cintura, apresentando-a como quem apresenta algo absolutamente certo e definitivo.
— Essa é a minha esposa, Olívia.
E esse é Edgar, filho de um falecido funcionário do meu avô, que era alguém que ele respeitava muito.
Edgar sorriu com educação. Apertou a mão dela com firmeza respeitosa.

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