Olívia sustentou o olhar dele por alguns segundos.
Havia ternura ali, mas também um constrangimento, que contrastava com a intensidade de minutos antes. Ela respirou fundo antes de falar, como se estivesse escolhendo cada palavra.
— Não é isso… — disse com honestidade, a voz mais baixa. — É só que… tudo ficou muito intenso. Eu provoquei, pedi pra você ir mais fundo… e eu adorei. — Ela desviou o olhar por um instante, claramente sem graça. — Mas você é… grande demais.
As bochechas dela coraram no mesmo instante em que percebeu o que tinha acabado de dizer.
Liam a observou por um segundo.
Então gargalhou.
Uma gargalhada solta, inesperada, que quebrou completamente o constrangimento dela.
— Está com vergonha do seu marido agora? — perguntou, ainda sorrindo, os olhos cheios de diversão e carinho.
Ela estreitou os olhos indignada.
— Qual é a graça, Liam? — perguntou, empurrando-o de leve.
O sorriso dele diminuiu, ficando mais sério, mais intenso. Ele se aproximou, a voz baixando naturalmente.
— Nenhuma. — respondeu. — Na intimidade, você é ousada… intensa. — O olhar dele escureceu por um breve segundo. — E logo depois fica tímida, quase sem saber onde colocar as mãos, o que dizer. — Um meio sorriso surgiu. — Essa mistura é exatamente o que me prende em você.
Olívia respirou fundo, sentindo o coração aquecer.
— Como você mesmo disse… — ela sorriu de leve. — Eu te enfeiticei.
Ele segurou a cintura dela.
— Enfeitiçou. — disse, a voz rouca, antes de depositar um beijo lento no ombro dela.
Ela riu e apoiou a mão no peito dele, sentindo a respiração já mais calma.
— Mozão… o que vamos fazer agora?
Liam passou o polegar no rosto dela.
— Vamos voltar pra ilha, descansar um pouco… — respondeu. — E à noite eu te levo pra jantar.
Olívia o olhou manhosa.
— Amor… podemos deixar o jantar pra amanhã? — pediu. — Hoje eu só queria assistir um filme com você.
Liam a olhou por um segundo a mais do que o normal. Não havia pressa no olhar.
Só decisão.
— Você quem manda, minha rainha.
Em Nova York, Edgar estacionou o carro em frente à mansão. O portão imponente à sua frente parecia menor do que o nó apertado em seu peito. Ele respirou fundo antes de pegar o celular e ligar.
O toque chamou duas vezes.
— Alô? — a voz dela soou fria, distante. — Quem está falando?
Edgar fechou os olhos por um segundo.
— Sou eu. — respondeu. — Estou te aguardando aqui em frente à mansão. Precisamos conversar. Desce.
Houve um breve silêncio do outro lado da linha. Então a risada de Laura veio curta, carregada de ironia.
— Oi pra você também, Edgar. — disse, venenosa. — Tudo bem com você? Teve algum problema em casa, doutor? — ela fez uma pausa calculada. — Agora que já realizou seu sonho, pode descartar a otária riquinha que está com você, né?
O maxilar dele se contraiu.
— Laura, por favor… — disse, tentando manter o controle. — Não é hora para seus deboches. Vamos conversar, loirinha. Temos muitas coisas para esclarecer.
Ela soltou uma risada sem humor.
— Não temos mais nada pra conversar. — respondeu, firme. — Segue seu caminho e some da minha vida sem se importar comigo… igual fez no passado. — A voz dela endureceu. — Você não me engana mais.
A ligação caiu.
Edgar encarou o celular por alguns segundos, incrédulo, e tentou ligar novamente.
Chamada recusada.
Ele contraiu o maxilar, olhando para a tela.
— Ela me bloqueou? — murmurou para si mesmo, sentindo que aquela conversa estava longe de terminar.

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