A volta para casa foi silenciosa. Ísis permanecia com o olhar perdido pela janela, os braços cruzados e o corpo rígido. A cidade passava borrada do lado de fora, mas por dentro tudo parecia ainda mais confuso.
Alex quebrou o silêncio ao reduzir a velocidade e encostar o carro em frente a uma farmácia.
— Não vou demorar. — disse, já abrindo a porta.
Ele saiu rápido. Alguns minutos depois, voltou com uma sacola pequena. Entrou no carro, colocou a garrafa de água e a caixa do remédio no colo dela.
— Toma agora, amor. — falou, em tom firme, mas tentando soar calmo.
Ísis pegou a água e a caixa sem responder. Alex deu partida e voltou a dirigir, mantendo os olhos na rua.
Ela abriu a embalagem devagar, tirou a cartela. Alex lançou um olhar rápido para o movimento dela e voltou a atenção para o trânsito.
Ísis respirou fundo. Então ergueu a cartela na altura do rosto.
— As decisões têm que estar de comum acordo entre as duas partes. — disse, com a voz controlada. — Foi isso que você disse, não foi?
Alex apertou levemente o volante. Com a outra mão, Ísis abaixou um pouco o vidro do carro. Sem hesitar, jogou a cartela para fora.
— Eu não estou de acordo.
Ísis manteve a mão ainda suspensa por um segundo, como se quisesse ter certeza de que ele tinha visto o que acabara de fazer. Depois, virou o rosto lentamente na direção de Alex, sustentando o olhar dele com firmeza. Os olhos não pediam permissão, apenas deixavam claro que aquela era uma decisão consciente.
O silêncio que se seguiu foi pesado.
— Por que você fez isso, amor? — perguntou Alex, sem tirar os olhos da pista, mas com a mandíbula tensa.
— Porque eu não vou tomar essa bomba de hormônios e correr o risco de ter outra hemorragia. — ela respondeu, a voz agora mais firme. — Em nenhum momento você está pensando em mim. Me leva pra minha casa, Alex.
O rosto dele se fechou completamente. Ele não respondeu. Apenas continuou dirigindo, mais rígido, o clima no carro ficando ainda mais denso.
Minutos depois, ele parou em frente à quitinete dela. Antes mesmo que Alex dissesse qualquer coisa, Ísis abriu a porta do carro e saiu. Bateu a porta com força. E começou a andar em direção à escada sem olhar para ele.
Alex ficou alguns segundos dentro do carro, as mãos firmes no volante, os nós dos dedos ficando brancos de tanta força. Ele respirou fundo, abriu a porta e saiu.
— Ísis! — chamou, em voz alta.
— Não temos nada pra conversar. — disse, sem virar o rosto. — Eu quero ficar sozinha.
Ela já estava quase no topo da escada. Alex subiu rápido, os passos pesados, e a alcançou no último degrau. No impulso, segurou o braço dela com firmeza, os dedos se fechando mais forte do que pretendia.
— É por falta de verdades que a gente chegou nesse ponto. — ele disse entre os dentes, o maxilar travado. — E agora você quer fugir?
Ísis baixou o olhar lentamente para a mão dele apertando seu braço. A respiração ficou curta. Com um movimento contido, ela tentou se soltar, sem sucesso. Então ergueu o rosto, os olhos brilhando de indignação e mágoa ao mesmo tempo, encarando-o de frente.
— A recíproca é verdadeira. — disse com a voz firme, embora levemente trêmula. — Me solta.
Alex imediatamente afrouxou o aperto.
— Me perdoa. — disse, passando a mão pelo rosto. — Não quis te segurar assim.
Ela não respondeu. Apenas virou-se e caminhou até a porta da quitinete. Parou abruptamente.
A porta estava entreaberta.
— Espera… — murmurou. — Eu deixei essa porta fechada.
Alex se aproximou em dois passos rápidos e ergueu a mão, pedindo para ela não entrar.
— Fica aqui.
Ele abriu a porta com cuidado e entrou. De repente, ficou imóvel. Alguns segundos se passaram. Ísis, inquieta, entrou também.
— Por que essa resistência com a polícia? — perguntou, depois de alguns segundos em silêncio, a voz mais baixa, controlada.
Ísis cruzou os braços, numa tentativa clara de se proteger. Sustentou o olhar dele, firme, apesar do tremor nos dedos.
— Nenhuma. — respondeu. — Você sabe muito bem que uma coisa é você chamar a polícia da sua cobertura, sendo um advogado rico e influente.
Ela deu um meio sorriso triste, sem alegria alguma.
— Outra coisa sou eu, uma secretária negra, num bairro pobre, onde tudo acontece.
Alex ficou em silêncio por alguns segundos, observando o ambiente mais uma vez, como se estivesse registrando cada detalhe. A mandíbula se contraiu. Ele respirou fundo, passou a mão pelo rosto e então falou, com decisão.
— Faz uma mala com suas coisas mais importantes. — disse, apontando de leve para o quarto, num gesto automático de quem já estava organizando tudo na cabeça. — Vou chamar duas funcionárias agora pra vir aqui arrumar o restante pra você. — sacou o celular do bolso e já começou a discar, a expressão dura, concentrada. — Não vou te deixar passar mais um minuto nessa quitinete.
Ele abaixou o celular por um instante, a outra mão apoiada na cintura, o corpo inteiro tenso, ocupando espaço.
— Você sai daqui hoje.
Ísis balançou a cabeça lentamente, os olhos marejados, mas o queixo erguido em resistência.
— Eu não quero sua ajuda. — disse, dando um passo para trás, como se quisesse criar distância. — Pode me deixar sozinha, por favor? — levou a mão ao peito por um segundo, a respiração irregular, deixando claro que estava no limite.
Alex virou-se completamente para ela. O corpo inteiro se alinhou na direção dela. O tom mudou. Mais firme. Mais autoritário. O olhar não deixava espaço para discussão.
— Isso não foi um pedido, amor. É uma ordem. — Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço dela de propósito. — Eu sei que essa noite não está sendo boa pra nós, mas eu não sou moleque pra te deixar aqui, sozinha, depois de tudo isso.
Ele sustentou o olhar dela, sem piscar, a voz baixa, firme, carregada de decisão.
— Você vai morar comigo. — fez uma breve pausa, proposital. — E eu não aceito objeção. Está claro?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia)
Postem os novos capítulos, já faz duas semanas que não postam nada , ou será que o livro vai ficar incompleto...
por favor postem os outros capítulos, já tem alguns dias e não postam nada...
Volta a liberar 3 por dia...
Nao postam mais como antes 3 por dia ai comprar nao da....
E vai postar o restante quando, não tem capítulo diário, não tem semanal, será agora mensal. Afff viu...
514 libera mais.........
Podia liberar td livro....
Eu fiquei 15 dias pensei noss vai ter um mont2 de páginas pea mim devorar tinha somente 5 páginas. Desumano com quem tem ansiedade kkkkk...
Ansiosa pelo capítulo 530 , será que vai ser postado hoje , pq semana passada foi postado no domingo...
Super ansiosa estou no capitulo 512. So ue estão demorando muito pra soltar novos...