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Segredos De Uma Noite Meu Marido Por Contrato (Olivia) romance Capítulo 247

A volta para casa foi silenciosa. Ísis permanecia com o olhar perdido pela janela, os braços cruzados e o corpo rígido. A cidade passava borrada do lado de fora, mas por dentro tudo parecia ainda mais confuso.

Alex quebrou o silêncio ao reduzir a velocidade e encostar o carro em frente a uma farmácia.

— Não vou demorar. — disse, já abrindo a porta.

Ele saiu rápido. Alguns minutos depois, voltou com uma sacola pequena. Entrou no carro, colocou a garrafa de água e a caixa do remédio no colo dela.

— Toma agora, amor. — falou, em tom firme, mas tentando soar calmo.

Ísis pegou a água e a caixa sem responder. Alex deu partida e voltou a dirigir, mantendo os olhos na rua.

Ela abriu a embalagem devagar, tirou a cartela. Alex lançou um olhar rápido para o movimento dela e voltou a atenção para o trânsito.

Ísis respirou fundo. Então ergueu a cartela na altura do rosto.

— As decisões têm que estar de comum acordo entre as duas partes. — disse, com a voz controlada. — Foi isso que você disse, não foi?

Alex apertou levemente o volante. Com a outra mão, Ísis abaixou um pouco o vidro do carro. Sem hesitar, jogou a cartela para fora.

— Eu não estou de acordo.

Ísis manteve a mão ainda suspensa por um segundo, como se quisesse ter certeza de que ele tinha visto o que acabara de fazer. Depois, virou o rosto lentamente na direção de Alex, sustentando o olhar dele com firmeza. Os olhos não pediam permissão, apenas deixavam claro que aquela era uma decisão consciente.

O silêncio que se seguiu foi pesado.

— Por que você fez isso, amor? — perguntou Alex, sem tirar os olhos da pista, mas com a mandíbula tensa.

— Porque eu não vou tomar essa bomba de hormônios e correr o risco de ter outra hemorragia. — ela respondeu, a voz agora mais firme. — Em nenhum momento você está pensando em mim. Me leva pra minha casa, Alex.

O rosto dele se fechou completamente. Ele não respondeu. Apenas continuou dirigindo, mais rígido, o clima no carro ficando ainda mais denso.

Minutos depois, ele parou em frente à quitinete dela. Antes mesmo que Alex dissesse qualquer coisa, Ísis abriu a porta do carro e saiu. Bateu a porta com força. E começou a andar em direção à escada sem olhar para ele.

Alex ficou alguns segundos dentro do carro, as mãos firmes no volante, os nós dos dedos ficando brancos de tanta força. Ele respirou fundo, abriu a porta e saiu.

— Ísis! — chamou, em voz alta.

— Não temos nada pra conversar. — disse, sem virar o rosto. — Eu quero ficar sozinha.

Ela já estava quase no topo da escada. Alex subiu rápido, os passos pesados, e a alcançou no último degrau. No impulso, segurou o braço dela com firmeza, os dedos se fechando mais forte do que pretendia.

— É por falta de verdades que a gente chegou nesse ponto. — ele disse entre os dentes, o maxilar travado. — E agora você quer fugir?

Ísis baixou o olhar lentamente para a mão dele apertando seu braço. A respiração ficou curta. Com um movimento contido, ela tentou se soltar, sem sucesso. Então ergueu o rosto, os olhos brilhando de indignação e mágoa ao mesmo tempo, encarando-o de frente.

— A recíproca é verdadeira. — disse com a voz firme, embora levemente trêmula. — Me solta.

Alex imediatamente afrouxou o aperto.

— Me perdoa. — disse, passando a mão pelo rosto. — Não quis te segurar assim.

Ela não respondeu. Apenas virou-se e caminhou até a porta da quitinete. Parou abruptamente.

A porta estava entreaberta.

— Espera… — murmurou. — Eu deixei essa porta fechada.

Alex se aproximou em dois passos rápidos e ergueu a mão, pedindo para ela não entrar.

— Fica aqui.

Ele abriu a porta com cuidado e entrou. De repente, ficou imóvel. Alguns segundos se passaram. Ísis, inquieta, entrou também.

— Por que essa resistência com a polícia? — perguntou, depois de alguns segundos em silêncio, a voz mais baixa, controlada.

Ísis cruzou os braços, numa tentativa clara de se proteger. Sustentou o olhar dele, firme, apesar do tremor nos dedos.

— Nenhuma. — respondeu. — Você sabe muito bem que uma coisa é você chamar a polícia da sua cobertura, sendo um advogado rico e influente.

Ela deu um meio sorriso triste, sem alegria alguma.

— Outra coisa sou eu, uma secretária negra, num bairro pobre, onde tudo acontece.

Alex ficou em silêncio por alguns segundos, observando o ambiente mais uma vez, como se estivesse registrando cada detalhe. A mandíbula se contraiu. Ele respirou fundo, passou a mão pelo rosto e então falou, com decisão.

— Faz uma mala com suas coisas mais importantes. — disse, apontando de leve para o quarto, num gesto automático de quem já estava organizando tudo na cabeça. — Vou chamar duas funcionárias agora pra vir aqui arrumar o restante pra você. — sacou o celular do bolso e já começou a discar, a expressão dura, concentrada. — Não vou te deixar passar mais um minuto nessa quitinete.

Ele abaixou o celular por um instante, a outra mão apoiada na cintura, o corpo inteiro tenso, ocupando espaço.

— Você sai daqui hoje.

Ísis balançou a cabeça lentamente, os olhos marejados, mas o queixo erguido em resistência.

— Eu não quero sua ajuda. — disse, dando um passo para trás, como se quisesse criar distância. — Pode me deixar sozinha, por favor? — levou a mão ao peito por um segundo, a respiração irregular, deixando claro que estava no limite.

Alex virou-se completamente para ela. O corpo inteiro se alinhou na direção dela. O tom mudou. Mais firme. Mais autoritário. O olhar não deixava espaço para discussão.

— Isso não foi um pedido, amor. É uma ordem. — Ele deu um passo à frente, invadindo o espaço dela de propósito. — Eu sei que essa noite não está sendo boa pra nós, mas eu não sou moleque pra te deixar aqui, sozinha, depois de tudo isso.

Ele sustentou o olhar dela, sem piscar, a voz baixa, firme, carregada de decisão.

— Você vai morar comigo. — fez uma breve pausa, proposital. — E eu não aceito objeção. Está claro?

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